Se você acabou de se formar, tinha cerca de 6 anos quando um jogador de basquete chamado Tyreke Evans venceu o prêmio de novato do ano da NBA com estatísticas comparáveis às de Michael Jordan e LeBron James em suas temporadas de estreia.
Você provavelmente esqueceu — ou nunca ouviu falar — de Evans porque lesões, um locaute da liga e uma suspensão de dois anos por drogas atrapalharam sua carreira promissora.
Fracassar no primeiro emprego de escritório provavelmente não geraria tanta exposição pública. Por outro lado, também não haveria milhões de dólares para servir de colchão financeiro. Melhor tomar decisões estratégicas cedo e se preparar para o dia em que algo fora — ou dentro — do seu controle der errado.
Na semana passada, ofereci cinco coisas que recém-formados deveriam saber ao iniciar a carreira. Foquei em conselhos táticos, como normas de escritório para aprender e hábitos acadêmicos para abandonar. Nesta semana, olho para o quadro geral e compartilho alertas para evitar sabotar perspectivas futuras.
Não fique obcecado por marcas famosas
Trabalhar para uma empresa muito conhecida pode impressionar seus amigos do colégio no reencontro de cinco anos. Mas sua carreira pode estagnar se você virar apenas um “buscador de café gourmet” em uma grande companhia.
“Seja agnóstico em relação à empresa”, sugere Sadé Muhammad, ex-diretora de marketing da Time Inc. e hoje líder da própria agência, a Zeven. “Concentre-se na habilidade em si e seja flexível sobre como desenvolvê-la — seja no próprio trabalho, em uma empresa ou até em trabalho voluntário. Foi assim que preenchi lacunas de experiência no começo da minha carreira.”
Aprendi isso quando aceitei duas ofertas após a faculdade: um emprego diurno em um pequeno jornal de Connecticut e um trabalho noturno e de fim de semana na sede da ESPN. Achei que conseguiria conciliar ambos ou manter a melhor opção. Dá para imaginar qual parecia mais empolgante.
No jornal desconhecido, pude escrever, editar, tirar fotos e até aprender diagramação. Já na ESPN, fui designado para um cargo nos bastidores compilando estatísticas para a cobertura do futebol universitário. Depois que um gerente sincero deixou claro no primeiro dia que o cargo não oferecia caminho para assinar reportagens nem aparecer no ar, pedi demissão no segundo dia.
Nem todo chefe será tão direto. Por isso, tente lembrar que as habilidades desenvolvidas no início da carreira são mais importantes do que as marcas listadas no currículo.
Vale notar que estar aberto a empresas menos conhecidas não significa necessariamente ir para o extremo oposto e entrar em uma startup. A cultura e as oportunidades de aprendizado em empresas novas podem variar muito — assim como participações societárias que podem ou não gerar fortunas.
Não ignore seus instintos
Durante uma entrevista ou nos primeiros dias em um novo emprego, você pode sentir que algo está… estranho. Ouça seus instintos, diz o consultor de recursos humanos Paul Wolfe, porque problemas no ambiente de trabalho tendem a piorar.
Claro, você pode pedir demissão em alguns meses se perceber que a vaga não combina com você ou se o relacionamento com o gestor não funcionar. Mas há dois problemas nisso. O primeiro é que uma passagem muito curta pode levantar suspeitas em futuros processos seletivos. O segundo é que você tem mais chances de correr para outra situação ruim se estiver apenas tentando escapar da atual.
“Isso pode virar um ciclo”, afirma Wolfe, ex-chefe de RH da Indeed e da Match Group.
A alternativa também não é boa: permanecer em um emprego miserável e chegar ao burnout antes dos 30 anos.
Encontrar um ambiente confortável no início da carreira pode evitar muito sofrimento no futuro. Talvez você precise recusar uma oportunidade ou ter uma conversa difícil com um novo colega para impedir que pequenos incômodos se transformem em algo maior.
Cuidado com o “animador de torcida”
Não importa o quanto você seja inteligente e talentoso: há muita coisa que ainda não sabe. E vai demorar mais para aprender se o seu chefe apenas ficar inflando seu ego.
Diane Hessan, empreendedora e investidora que integra o conselho do Eastern Bank e foi conselheira da Panera Bread, afirma que seu principal conselho é procurar gestores que deem feedbacks consistentes. Chefes que desafiam você cedo acabam se tornando seus maiores defensores no futuro, se você conquistar a confiança deles.
Esses líderes podem ser difíceis de encontrar porque muitos gestores acreditam que trabalhadores da geração Z precisam ser tratados com delicadeza. Talvez seja necessário deixar claro que você quer críticas construtivas — ou até mudar de equipe internamente para trabalhar com alguém mais sincero.
Isso não significa tolerar um verdadeiro babaca.
“Mas um chefe medíocre pode frear sua evolução sem que você perceba”, diz Hessan. “Você pode passar dois anos muito ocupado e aprender muito pouco. Aí acaba pensando: ‘Nossa, estou nessa grande empresa, com o salário que sempre sonhei, mas não sinto que tenho um caminho real de carreira pela frente.’”
Melhor não reclamar
Adoro ouvir histórias de pessoas bem-sucedidas sobre empregos horríveis no início da carreira. Kim Kross usa um adjetivo ainda mais relacionado a banheiro para descrever seu trabalho após a faculdade como cobradora da rede Bally Total Fitness.
“Eu literalmente trabalhava em um call center cobrando pessoas para pagarem suas contas”, diz ela.
Limpar banheiros de vestiário parece mais atraente.
Kross afirma que manteve uma postura positiva e impressionou um gerente regional, que ajudou a acelerar sua promoção até o cargo de diretora de relatórios e análise da rede de academias. Hoje ela é diretora de operações da heyC AI, empresa de desenvolvimento profissional para professores.
Sua história é um lembrete de que primeiras impressões podem ter efeitos duradouros. Sua lista de referências profissionais é curta no início da carreira, então cada contato ganha importância desproporcional.
Wolfe, o consultor de RH, acrescenta que recrutadores e gestores às vezes fazem referências “pelos bastidores”. Isso significa entrar em contato com antigos colegas além daqueles que você escolheu como referência no processo seletivo — e as conversas frequentemente revisitam detalhes antigos da sua trajetória.
A prática serve, em tese, para evitar alertar colegas atuais de que você está procurando outro emprego. Mas também significa que pessoas com quem você se deu mal podem prejudicar sua imagem anos depois. Não perca uma oportunidade daqui a uma década porque achou que aquele primeiro emprego estava abaixo de você.
Traduzido do inglês por InvestNews