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Análise

O que esperar da renda fixa em julho

Bancos Centrais dos EUA e Europa endurecem postura frente a inflação

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Mudança no comportamento dos BCs

Junho se mostrou um mês de posturas mais firmes de Bancos Centrais em relação à inflação global. O Copom decidiu elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual de 12,75% para 13,25% já sinalizando que será mais adequado um aumento de menor proporção para a próxima reunião em agosto, conforme detalhamos no nosso relatório Copom resumido.

Nos EUA, o Fed elevou os juros em 0,75 pontos percentuais para o intervalo de 1,50% a 1,75% na tentativa de controle da inflação. A expectativa de um Banco Central mais ativo no ritmo de aperto monetário fez os mercados caírem com investidores cogitando que a economia dos EUA pode entrar em recessão ou ao menos desacelerar com o custo mais alto do dinheiro.

Ainda em junho, Robert Holzmann, um dos integrantes do Banco Central Europeu e presidente do Banco Central austríaco disse que há espaço para mais elevações de juros após as altas já planejadas para julho e setembro reforçando a mudança de política monetária da maioria dos bancos centrais pelo mundo.

Se por um lado os bancos centrais reduzem a demanda com o aumento de juros em suas economias, o mercado se antecipa a possíveis cenários mais restritos de consumo causando uma desaceleração do aumento no preço das commodities negociadas.

Uma prova disso é que após a divulgação do maior aperto monetário pelo Fed ou imposição de lockdowns na China, ambos eventos que reduzem a projeção de demanda, os preços do petróleo e minério de ferro caíram. Em junho, o minério de ferro negociado na bolsa de commodity de Dalian, na China, registrou queda aproximada de 13% desde seu pico no mês.

A queda do barril do petróleo Brent chega a 11% desde sua maior cotação em junho com. Ambas maiores cotações foram registradas no começo do mês antes da sinalização do Fed em relação ao novo ritmo de subida de juros.

Nos EUA, a inflação segue pressionada com aumento de 1% no IPC de maio e alta em 12 meses de 8,6%, bem acima dos 2% de meta do Fed. Na zona do Euro, o IPC em maio registrou alta de 0,8% enquanto a alta em 12 meses chega a 8,1%. 

No Brasil, os números do IPCA de maio mostram uma desaceleração importante em Alimentos e Bebidas de 2,06% para 0,48%, Habitação segue em deflação de -1,14% para -1,7%, Transportes com desaceleração de 1,91% para 1,34% e como destaque, a classe de Vestuário passou de 1,26% para 2,11% pressionado pela alta da energia, fretes e o algodão, que chegou a subir 150% em 2 anos.

Fonte: elaboração própria e dados do site do IBGE

Selic mais alta que o esperado (de novo)

A decisão de elevar a Selic para 13,25% em junho se alinhou com as expectativas implícitas na curva de juros pelo mercado. Observando a maneira que as projeções da curva de juros de comportaram, é notado que ainda há a projeção de mais um aumento de 0,5 ponto percentual trazendo a Selic em 13,75%. Mas agora há uma percepção de que a Selic pode aumentar na reunião de setembro em 0,25 ponto percentual para 14%. 

Já as projeções na curva para as reuniões de outubro e dezembro se tornam voláteis demais causadas possivelmente pela falta de liquidez nos contratos futuros de juros para cada um dos respectivos meses ou pela indecisão do mercado frente ao rumo da taxa de juros porém o mais provável é que o Banco Central encontre uma taxa máximo confortável e a mantenha por algumas reuniões a medida que novos dados econômicos são divulgados.

O que deve ser abordado nas próximas atas de reuniões do Copom é a importância de manter a ancoragem de expectativas de mercado, ou seja, que haja credibilidade na capacidade do Banco Central em controlar a inflação frente a desafios como a inflação global e o risco orçamentário que volta a ocupar espaço enquanto soluções para alta dos combustíveis e a percepção de risco pelo mercado a medida que políticas sociais entram em pauta.

No Relatório de Inflação do segundo trimestre, o Banco Central confirmou que a probabilidade do IPCA fechar o ano acima do teto da meta para 2022 passou de 88% para próximo de 100% A probabilidade da inflação encerrar 2023 acima do teto da meta passou de 12% para 29%.

  • A meta de inflação para 2022 é de 3,5% com limites de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, os limites são 2% e 5%.
  • A meta para 2023 é de 3,25% com limites de 1,75% e 4,75%
  • A meta para 2024 é de 3% com limites de 1,5% e 4,5%
  • A projeção de inflação pelo BC para 2022 passa de 7,1% para 8,8% com redução para 4% em 2023 e 2,7% em 2024.

Mesmo com atualizações superiores de inflação, o BC estima um crescimento de 1,5% para o PIB brasileiro em 2022 mesmo com uma previsão de desaceleração da atividade na segunda metade do ano.

Como o Banco Central se baseia na mediana das expectativas extraídas do Relatório Focus, que atualmente é divulgado com atraso pela greve parcial dos servidores do BC, as últimas projeções disponíveis do relatório são de 10/06 e indicam um aumento de 13,38% nas reuniões de setembro e outubro e voltando a 13,25% ainda em dezembro de 2022 com quedas a partir da 3ª reunião de 2023. Essas expectativas mostram uma Selic em 10% em dez/23, 7,5% em dez/24 e permanece em 7,5% em dez/25. 

Selic em 13,25%

Curva de juros: taxas continuam a subir em todos os vencimentos

A abertura da curva de juros pressionou as taxas para patamares acima de 12,70%. O aumento generalizado em todos os vencimentos mostra uma piora na aversão ao risco pelos investidores. Atualmente é possível encontrar os títulos atrelados ao IPCA do Tesouro Direto com taxas de juros reais a partir de 5,7% como no IPCA+2026 até 6,02% no IPCA+2055 com juros semestrais.

Esse aumento de juros, tanto no Brasil como no mundo, deve continuar a pressionar bolsas ao mesmo tempo que encarece a dívida de governos já que globalmente os estímulos econômicos de assistência à população tendem a aumentar não só o montante da dívida no momento da sua emissão como tende a aumentar a taxa de retorno exigida pelos investidores.

O efeito é ainda mais forte em países emergentes pelo spread de crédito existente entre países. Isso significa que títulos de países desenvolvidos como os EUA pagam menos juros em seus títulos do governo do que países como o Brasil, já que o governo dos EUA é considerado a instituição com menores chances de falência entre todos os países.

Os dados do Risco Brasil extraídos do site do IpeaData mostram a diferença entre os retornos dos títulos das Treasuries, do Tesouro dos EUA e dos retornos dos títulos do nosso Tesouro Nacional. Essa diferença medida em pontos-base esteve na média em 2019 em 241 pontos. Já em 2020 com a pandemia, chegou a 318 pontos. Em 2021 esse spread diminuiu para 301 pontos e até o momento, a média de 2022 atinge 320,46 pontos e pode crescer ainda mais com o aumento dos juros nos EUA e investidores buscando proteção contra a inflação.

Caso essa fuga de capital continue, maiores são as chances de desvalorização do real frente ao dólar e maiores as chances do Banco Central precisar manter juros mais altos por mais tempo. Mas ao mesmo tempo que nossa moeda se enfraquece em relação ao dólar e as commodities permanecem pressionadas, a matéria exportada pelo Brasil se torna mais competitiva no mercado internacional e vantajosa para exportadores, que deve refletir um aumento na balança comercial.

Fonte: elaboração própria e dados da B3

Prazos de renda fixa para julho

  • Vencimentos de 1 a 3 anos: Os vencimentos mais curtos são naturalmente mais expostos à taxa Selic e suas variações. Os pós fixados continuam a se beneficiar da alta dos juros que devem durar por mais tempo. Porém os investidores precisam se atentar a cobrança de IR regressiva que pode corroer parte dos rendimentos especialmente para aplicações com menos de 6 meses.
  • Vencimentos acima de 3 anos: Como a curva de juros segue invertida, o investidor encontra taxas maiores conforme o prazo se alonga para vencimentos a partir de 2026. Esses títulos mais longos têm mais ligação com os juros futuros negociados no mercado e interpretações da política monetária atual do que apenas da taxa Selic. A inflação implícita continua subindo nos prazos mais longos, desvalorizando aplicações híbridas e prefixadas no curto prazo, porém oferecendo retornos atrativos para novos aportes.

Formas de remuneração da renda fixa para julho

Quando falamos sobre as formas de remuneração, acabamos mencionando o que faz mais sentido no momento atual, mas não conseguimos de forma generalizada indicar qual seria uma taxa exata que “valesse a pena”. Isso leva em conta muitos fatores como informações sobre o emissor do título, qualidade do crédito, entre outras.

  • Pós-fixados: Os títulos pós fixados ganham mais força com Selic em 13,25% com retornos mensais próximos de 1% enquanto os juros podem se estender além dos 13,75% ainda em 2022. Para o médio e longo prazo, os pós fixados também se destacam bem pela menor volatilidade, porém as emissões feitas em um momento de alta de juros tendem a ter taxas, ou um percentual do CDI, menores do que as emissões pré alta de juros.
  • Indexados à inflação: Os novos riscos globais para economias, como a inflação, reforça a recomendação de levar os títulos híbridos curtos até o vencimento. Já os títulos mais longos podem se beneficiar da melhor do cenário futuramente, mas isso implica em uma operação esperando resultados específicos para variáveis incontroláveis pelo investidor que possam resultar em lucro na marcação a mercado.
  • Prefixados: Os títulos prefixados de curto prazo, como o Prefixado 2025, têm taxas acima de  12,8% e com perspectivas de aumento das taxas. Por esse motivo, o ideal é aguardar mais um pouco para que tenhamos um cenário mais claro, e os investidores que fizeram os investimentos baseados nas recomendações do começo do ano com taxas próximas de 11,2% não precisam resgatar o título. Apenas deixe em carteira para um momento oportuno ou levar até o vencimento, considerando que as instruções de alocar uma pequena parte do patrimônio tenham sido seguidas

*Eduardo Perez é analista da NuInvest. Este conteúdo é de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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