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Play to earn: modinha ou realidade?

União da tecnologia, descentralização e criptomoedas foi o conjunto perfeito para a criação do modelo de jogo.

Publicado

em

por

Helena Margarido e Paulo Ricardo Oliveira

Tempo médio de leitura: 9 minutos

A história dos games teve início em 1958, quando as primeiras ideias foram criadas e testadas por estudantes e especialistas em tecnologia. Foi nessa época que se deu o início a essa indústria, sendo a década de 70 um período de extrema importância para o desenvolvimento dos games. Isso abriu espaço para que na década 80 fossem criados grandes clássicos como Pac Man, que dispensa apresentações.

Com todo esse sucesso e a febre por games, os anos 90 não deixaram a desejar. O período foi marcado pela rivalidade entre Mario vs. Sonic e com os consoles domésticos, que superaram os antigos fliperamas. Também nesta época surgiram os primeiros jogos para celulares: o Tetris e, em 1997, o famoso jogo de cobrinha Snake, lançado pela Nokia.

Mais para frente, nos anos 2000, vimos nascer o Playstation 2. E, mais tarde, em 2005 e 2006, houve uma sequência de grandes lançamentos ao mercado: primeiro, veio o PlayStation 3, lançado pela Sony. Após, a Microsoft lançou o XBox. Na sequência, a Nintendo chegou com uma grande novidade: o Wii, que misturava os games com interação física. 

Foi a época da mais acirrada guerra de consoles, cada um apresentando um diferencial e com uma atratividade diferente para o público. E a rivalidade entre os desenvolvedores e fabricantes de consoles continuou nos anos que seguiram: vieram o PlayStation 4, Xbox 360, PlayStation 5, trazendo evoluções principalmente no que diz respeito a gráfico e som.

Até aquele momento, a indústria de games era vista como algo puramente recreacional, com pessoas gastando valores consideráveis em consoles e licenciamento de jogos com a única finalidade de se entreter.

No entanto, os últimos anos foram marcados por uma revolução do segmento com a alta do mercado de PCs, celulares, canais no Youtube e os grandes campeonatos pelo mundo. Neste período vimos uma verdadeira institucionalização do mercado gamer, onde vários jogadores se profissionalizaram e começaram a ganhar ótimos salários, grandes premiações e se tornaram celebridades. 

As transmissões de campeonatos entraram na programação de grandes canais de televisão e streamings, até chegar ao ponto de encher estádios de futebol com uma audiência extremamente relevante. Uma revolução sem precedentes no mercado de jogos digitais dentro de uma indústria que hoje movimenta bilhões de dólares anualmente.

Em outras palavras, foi dado início a uma nova época, onde bons jogadores mesclaram a jogabilidade com altos índices de performance para gerar audiência e, por consequência, ganhar dinheiro. Nasceu assim a modalidade do eSports, responsável por girar valores consideráveis de dinheiro e por tornar seus participantes verdadeiras celebridades.

Surgimento do play to earn

Mas a revolução na indústria de games estava longe de parar no surgimento dos eSports: um grande passo foi dado com o surgimento de uma nova modalidade, só possível com a união da tecnologia, descentralização e criptomoedas, o conjunto perfeito para o que conhecemos hoje como o play to earn.

Antes de começar a explicar, é muito importante compreender o estágio em que estamos no mercado de games, pois a indústria de jogos tem evoluído constantemente e em diferentes modelos de licenciamento de games nos últimos anos. O que antes poderia ser avaliado apenas como uma questão de melhoria em gráficos e questões visuais, hoje já pode ser analisado do ponto de vista de como seus modelos de negócios interferem na dinâmica tanto dos desenvolvedores quanto dos jogadores.

Se formos criar “períodos ou referências” para essas evoluções, podemos pontuar três principais modelos, que ainda coexistem:

  • Pay to play: Aqui podemos considerar os pioneiros da indústria, pois os jogadores compravam a via física do jogo, ou seja, uma cópia licenciada daquele conteúdo, em um modelo de distribuição que enfatiza a dependência das empresas que desenvolvem os jogos.
  • Free to play: Modelo definido como Freemium e o atualmente o mais difundido nos jogos. Neste formato, não é exigido nenhum custo para iniciar, porém existem recursos dentro dos jogos que podem ser adquiridos para melhorar a experiência do jogador.
  • Play to earn: Com o avanço das aplicações de tecnologias relacionadas a blockchain e contratos inteligentes, surgiu esse novo formato. Nele, os jogadores passaram a ser remunerados com recompensas de acordo com o tempo dedicado e suas habilidades dentro de determinados jogos.

Como um ponto principal para que qualquer modelo de negócio seja realmente sustentável está diretamente ligado à questão da monetização, veja como ela funciona nesses três diferentes formatos: 

  • Pay to play : Aqui as receitas são unicamente geradas por meio de vendas dos jogos.
  • Free to play : As fontes de receita estão exclusivamente ligadas às compras internas dentro do próprio jogo junto com a publicidade, algo que se tornou cada vez mais relevante.
  • Play to earn: Os desenvolvedores do jogo costumam ser remunerados pela venda de NFTs relativas aos itens dos jogos (personagens, itens de jogabilidade, etc.) e pelas taxas de transação desses NFTs dentro de marketplaces próprios criados dentro das plataformas dos jogos.

A grande diferença do play to earn é que se trata de um modelo de negócio que funciona para remunerar não apenas os desenvolvedores dos jogos, mas também os gamers, que têm a possibilidade de jogar e potencialmente ganhar criptomoedas cumprindo as missões e desafios estabelecidos dentro do ecossistema.

O termo se popularizou principalmente a partir de 2021 por conta de um jogo chamado Axie Infinity, que, dada a repercussão mundial gerada, deu o pontapé inicial para diversos outros jogos e bilhões de dólares movimentados no mercado.

Entenda as diferenças

Em linhas gerais, o que diferencia os jogos play to earn dos modelos de jogos tradicionais

são, primeiramente, a questão da remuneração dos jogadores (em criptomoedas). Além disso, a possibilidade de um gamer manter consigo, durante a jornada dentro do jogo e posteriormente fora dele, os itens, skins e objetos que agregam valor, também é um grande diferencial.

Isso porque, nos games tradicionais, esses ativos (itens, skins e onjetos do jogo) só tinham valor dentro do game em questão. Contudo, com a chegada do play to earn, todos esses itens foram transformados em NFTs e passaram a ser considerados ativos, passando a ter valor no mundo real.

O modelo play to earn dá aos jogadores a possibilidade de transacionar esses itens utilizando tecnologias de blockchain, o que permite aos gamers transações diretas desses ativos entre si, o que chamamos de P2P (peer-to-peer).

Como o mercado de games continua em franca expansão, é bem possível que esse novo conceito de play to earn ainda esteja longe de qualquer modelo ou versão final. A indústria de games como um todo ainda tem paradigmas a serem quebrados, sendo o principal, abrir mão ou dividir as possibilidades de lucros com a comunidade de jogadores. Isso porque praticamente nenhuma grande empresa do mercado hoje quer deixar de ganhar.

Entretanto, é claro que os players dessa indústria estão de olho nesse novo modelo e com certeza não vão ficar de fora, à medida que a internet de valor se expande e o conceito de Web 3.0 ganha mais força. Certamente, o futuro dos games com a integração de modelos play to earn será extremamente promissor, senão obrigatório num contexto de capitalismo 4.0.

O futuro

Diante de toda essa evolução, entendemos que o play to earn veio para ficar, sendo um modelo de monetização de games com potencial de movimentar trilhões de dólares nos próximos anos.

Com base em todas essas informações, atrelados aos fatores históricos e evolutivos 

da indústria dos games, o que podemos esperar para os próximos anos são diversas aplicações com objetivos de serem descentralizadas, com foco no usuário e, claro, compartilhando parte da economia do jogo com aqueles que ajudam a mantê-lo atraente para novos jogadores.

Neste sentido, há alguns aplicativos que já estão disponíveis em fase beta que podem dar uma ideia mais clara do potencial que este mercado tem: em um futuro não muito distante, poderemos ver atividades de nossa vida cotidiana serem “gamificadas”, com a real possibilidade de serem remuneradas, como por exemplo: 

  • Move to Earn (StepN)
  • Bike to Earn (rbicycle.io)
  • Exercise to Earn (Wirtual)
  • Meditate to Earn (Proof of Meditation)
  • Rap to Earn (Cipher)
  • Sing to Earn (Seoul Star)
  • Drink to Earn (Hivemapper) 
  • Eat to Earn (Poppin)
  • Sleep to Earn (Sleep Future) 
  • Learn to Earn (LetMeSpeak)
  • Paint to Earn (PaperHands) 
  • Govern to Earn (Elastic DAO)
  • Read to Earn (ReadON) 
  • Watch to Earn (SocialVerse)

É claro que o desenvolvimento dessas soluções somente é possível por conta da disponibilidade de tecnologias em blockchain, responsáveis por tornar tudo isso possível. Primeiro, porque por meio delas é possível transmitir itens de valor entre jogadores sem intermediários, resguardada através de código compartilhado entre uma rede de computadores, ou nós. 

Além disso, é justamente a capacidade de estabelecer uma prova de propriedade através de NFTs, que estão abrigados em uma  blockchains específicas, (Ethereum, Solana, etc) que torna esses itens dos jogos algo verdadeiramente único, com noção de valor e, por consequência, um ativo digital com valor intrínseco.

Fato é que as tecnologias em blockchain, juntamente com o conceito de Web 3.0, sem dúvidas irão revolucionar diversas indústrias, incluindo a de games. O play to earn, na nossa visão, é apenas o começo de um novo movimento denominado como “vida to earn”, onde os usuários serão protagonistas de uma nova economia que os remunera por suas ações e interações.

*Helena Margarido é especialista em blockchain e moedas digitais e sócia da Monett
*Paulo Ricardo Oliveira é Assistente de Análise de Criptoativos na Monett.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

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