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BC americano sob tensão deve liderar outros países e manter juros inalterados

Primeira reunião do Fed no ano deve marcar pausa no corte de juros, ao contrário do que deseja Donald Trump

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O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) e três dos BCs que recentemente manifestaram apoio a Jerome Powell, presidente da autoridade americana, estão prestes a manter as taxas de juros inalteradas, em um momento delicado para formuladores de política econômica ao redor do mundo.

Em Washington, é amplamente esperado que o BC desafie, na quarta-feira (28), os apelos do presidente dos EUA, Donald Trump, por juros mais baixos e tome a decisão de mantê-los na atual faixa de 3,50% e 3,75% ao ano. O posicionamento segue à risca os sinais já dados ao mercado a partir de indicadores econômicos, sobretudo a inflação ao consumidor e mercado de trabalho.

Os pares no Brasil, Canadá e Suécia devem também optar por manter as taxais atuais. Esses três países estiveram entre mais de uma dúzia – incluindo o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco Central Europeu (BCE) – cujos dirigentes declararam apoio em “plena solidariedade” a Powell, defendendo a independência dos bancos centrais enquanto Trump intensifica a pressão sobre o dirigente e seus colegas.

O que está em jogo

Além das frequentes reclamações de Trump sobre a recusa do Fed em cortar juros, a autoridade monetária agora enfrenta intimações de um grande júri que pode levar a acusações criminais, por supostos gastos fora do comum com uma reforma da sede do Fed. E isso em um momento em que a Suprema Corte debate se o presidente pode demitir a diretora Lisa Cook.

Para além desse drama institucional, todos os bancos centrais atuam em um ambiente global tenso, evidenciado pela recente derrocada dos mercados no Japão, pela persistente preocupação dos investidores com as intenções de Trump em relação à Groenlândia, e por suas ameaças recorrentes ao comércio global.

“Estamos em um mundo mais sujeito a choques”, disse Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) na sexta-feira (23), durante o encerramento do Fórum Econômico Mundial, em Davos. “Não estamos mais no Kansas” (expressão idiomática que indica um ambiente desconhecido e instável).

Um dos pontos mais importantes a se acompanhar na decisão desta semana é como votarão os membros do Fed, em especial os diretores Christopher Waller e Michelle Bowman. Se votarem com a maioria pela manutenção dos juros, estarão sinalizando a Trump que se alinham a Powell, inclusive na defesa da independência do Fed. Waller deve votar com a maioria, mas Bowman, não.

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