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Brasil exporta óleo de soja barato após atraso no plano do biodiesel

O óleo de soja é usado na maior parte da produção de biodiesel, mas a expectativa de que o Brasil elevaria a mistura obrigatória até março acabou frustrada

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O Brasil, maior produtor mundial de soja, está processando volumes recordes da oleaginosa, mas o atraso nos planos do país de ampliar a demanda local por meio de mandatos de biocombustíveis resultou em um excesso de oferta de óleo de soja barato sendo exportado para o exterior.

Enquanto os contratos futuros do óleo de soja em Chicago subiram quase 56% neste ano, os preços nos portos brasileiros avançaram em ritmo muito mais lento.

O desconto do óleo de soja no porto de Paranaguá, principal terminal do país para a commodity, é agora o maior desde 2023, segundo dados da Commodity3. O baixo custo ajudou a elevar as exportações brasileiras de óleo de soja em 47% neste ano até abril, para o segundo maior volume do período nas últimas duas décadas.

O óleo de soja é usado na maior parte da produção de biodiesel do Brasil, mas a expectativa de que o país elevaria a mistura obrigatória até março acabou frustrada. Atualmente, o Brasil mistura 15% de biodiesel ao diesel, e um aumento para 16% ainda depende de testes técnicos. Assim como a vizinha Argentina, que também registra grandes descontos no óleo de soja, o Brasil conta com oferta abundante de soja, enquanto colhe uma safra recorde.

Isso mantém o ritmo de processamento elevado, com as indústrias agora focadas em exportar óleo vegetal para mercados como Índia, Bangladesh e Norte da África.

“Há muita oferta de matéria-prima”, afirmou João Paes de Almeida, fundador da consultoria sênior J.Pacta. Sem um aumento da mistura obrigatória de biodiesel, “o maior setor agrícola do Brasil, que é a soja, continuará precificando seu produto abaixo da referência de Chicago”, acrescentou.

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