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Brasil vira principal destino do capital chinês em meio à corrida por minerais e carros elétricos

Investimentos chineses batem recorde e avançam em mineração, elétricos e renováveis

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Os investimentos chineses no Brasil cresceram 45% em 2025, somaram US$ 6,1 bilhões e colocaram o país como principal destino global do capital chinês, impulsionado por minerais críticos, veículos elétricos e energias renováveis.

O volume representa o maior fluxo de investimentos chineses no país desde 2017 e foi distribuído em 52 projetos — recorde histórico em número de empreendimentos. Os dados são da pesquisa “Investimentos Chineses no Brasil 2025”, elaborada pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado nesta quinta-feira (7).

O avanço ocorreu em um momento de desaceleração global dos investimentos chineses no exterior, que cresceram apenas 1,3% em 2025, para US$ 145,7 bilhões. No Brasil, o ritmo foi muito mais acelerado: além da alta de 45% nos aportes chineses, o desempenho também superou o crescimento de 4,8% do investimento estrangeiro direto total no país no período.

Nova fase

O estudo mostra que a relação entre Brasil e China entrou em uma nova fase, marcada pela busca chinesa por ativos ligados à transição energética, reindustrialização e segurança de cadeias produtivas estratégicas.

Embora o setor elétrico tenha mantido a liderança em valor investido, a mineração foi o principal destaque do ano. Os aportes chineses no setor mais que triplicaram em relação a 2024 e chegaram a US$ 1,76 bilhão. O maior nível desde 2011. Com isso, a mineração passou a responder por 29% de todos os investimentos chineses realizados no Brasil em 2025, praticamente empatada com o setor elétrico.

A corrida por minerais críticos explica boa parte desse movimento. Empresas chinesas ampliaram o interesse por ativos ligados à produção de cobre, níquel, grafite, ouro e terras raras, insumos considerados estratégicos para a cadeia global de baterias, carros elétricos e tecnologias de transição energética.

A mineração foi o principal destaque da nova fase dos investimentos chineses no Brasil. Os aportes no setor mais que triplicaram em 2025 e chegaram a US$ 1,76 bilhão, o equivalente a 29% de todo o capital produtivo chinês que entrou no país no período. O segmento praticamente empatou com o setor elétrico e registrou a maior expansão entre todas as áreas da economia, ganhando 15,7 pontos percentuais de participação em relação a 2024.

O avanço reflete o interesse crescente da China por minerais considerados estratégicos para a transição energética e a indústria de tecnologia, como níquel, cobre, nióbio, grafite e terras raras. Diferentemente de países vizinhos, como Chile e Argentina, onde os investimentos chineses estão mais concentrados em lítio e cobre, no Brasil os aportes vêm sendo distribuídos em uma cesta mais diversificada de ativos minerais.

Os carros elétricos se consolidaram como um dos principais vetores da nova fase dos investimentos chineses no Brasil. O avanço das montadoras chinesas no país acompanha a estratégia de Pequim de expandir sua liderança global em mobilidade elétrica e controlar etapas-chave da cadeia produtiva — da mineração de minerais críticos à fabricação de baterias e veículos. Em 2025, o setor automotivo recebeu US$ 965 milhões em aportes chineses, alta de 66% em relação ao ano anterior, impulsionado pela expansão de grupos como BYD e GWM no mercado brasileiro.

Energia e mineração

De olho nesse avanço, o InvestNews publicou, no final do ano passado, uma série especial “Mega Investimentos da China no Brasil”, que mostra como grupos chineses vêm ampliando sua presença justamente nos setores considerados mais estratégicos para a economia do futuro. A série completa está no site do InvestNews e no canal do InvestNews no Youtube (assista aqui).

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Os dados do CEBC ajudam a explicar essa movimentação. O levantamento mostra que os investimentos ligados à chamada economia verde seguiram avançando em 2025, com crescimento pelo quinto ano consecutivo. Projetos em energias renováveis e na cadeia de veículos eletrificados chegaram a 31 empreendimentos no ano, equivalente a 60% do total de projetos chineses anunciados no Brasil.

O avanço da mineração também ocorreu em paralelo ao crescimento dos investimentos no setor automotivo. Os aportes chineses na indústria de veículos chegaram a US$ 965 milhões em 2025, alta de 66% em relação ao ano anterior. O segmento respondeu por 15,8% do total investido no país.

Segundo o estudo, o movimento indica uma estratégia mais ampla das empresas chinesas no Brasil, combinando acesso a matérias-primas estratégicas, expansão industrial e fortalecimento da presença em setores ligados à transição energética.

Setor elétrico

O setor elétrico permaneceu como principal destino do capital chinês, com US$ 1,79 bilhão investidos em projetos de geração renovável e transmissão de energia. Em número de projetos, porém, a liderança foi ainda mais concentrada: mais da metade dos 52 empreendimentos chineses registrados no Brasil em 2025 estavam ligados à área de eletricidade.

A principal investidora do setor foi a CPFL, controlada pela State Grid desde 2017. Também houve expansão de projetos conduzidos diretamente pela State Grid Brazil Holding e por grupos já consolidados no país, como China Three Gorges, SPIC e China Energy, por meio da subsidiária brasileira CEEC. Segundo o levantamento, todos os projetos do setor elétrico em 2025 estiveram ligados à energia limpa, com foco em usinas solares, eólicas e hidrelétricas, além da ampliação da infraestrutura de transmissão de energia.

O levantamento também aponta uma diversificação gradual dos investimentos chineses no Brasil, com avanço em setores como tecnologia da informação, logística, manufatura de eletrônicos e serviços digitais.

Regionalmente, o Sudeste segue liderando a atração de capital chinês, mas o Norte ganhou protagonismo em 2025, impulsionado principalmente pelos projetos de mineração e petróleo. A região respondeu por 26,7% dos empreendimentos chineses no país — a maior participação já registrada na série histórica do levantamento.

Ao todo, os investimentos chineses alcançaram 20 estados brasileiros em 2025, seis a mais do que no ano anterior. São Paulo liderou em número de projetos, seguido por Minas Gerais, Pará e Amapá.

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