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Trump aumenta cota de importação de carne argentina para baratear hambúrguer nos EUA

Medida eleva exportações a 100 mil toneladas e pressiona produtores americanos em meio a escassez histórica de gado

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (6) uma diretriz aumentando mais uma vez a cota de carne bovina importada da Argentina, numa tentativa de aliviar a inflação dos alimentos – tema central para o eleitor americano às vésperas das eleições para o Congresso de meio de mandato.

A nova regra eleva em 80 mil toneladas a quantidade de carne com tarifa preferencial permitida em 2026. No total, a Argentina poderá exportar 100 mil toneladas aos EUA, cinco vezes mais que a cota original. O governo argentino estima que a medida represente US$ 800 milhões em vendas adicionais.

O produto liberado é carne magra usada na produção de hambúrguer – item que virou símbolo da alta do custo de vida nos EUA. Os preços da carne bovina atingiram recordes históricos, pressionados pela escassez de gado no país.

O aumento da cota argentina contrasta com a posição do Brasil no mercado americano. Exportadores brasileiros têm uma cota anual de cerca de 52 mil toneladas com isenção tarifária, volume que costuma se esgotar em poucos dias. Fora desse limite, a carne brasileira paga tarifa de 26,4%, o que reduz a competitividade.

Acordo EUA-Argentina

A decisão faz parte de um acordo comercial assinado entre Washington e Buenos Aires que elimina centenas de tarifas bilaterais. O pacto é visto como uma vitória política do presidente argentino Javier Milei, aliado de Trump.

A medida, porém, irrita produtores americanos. Fazendeiros afirmam que o aumento das importações prejudica o setor num momento em que o rebanho dos EUA está no menor nível em 75 anos. Uma coalizão de ex-líderes do agronegócio alertou a Casa Branca que a política comercial do governo ameaça as fazendas locais.

Trump tenta equilibrar duas pressões: reduzir o preço dos alimentos para consumidores urbanos e evitar desgaste com sua base rural, tradicional reduto republicano.

Importações maiores ajudam a baratear carne moída, mas não resolvem o problema dos cortes premium, que dependem da recuperação do rebanho americano — processo que pode levar anos.

Mesmo com o aumento, carne estrangeira ainda representa menos de 20% da oferta total nos EUA. A maior parte do consumo segue sendo atendida por produtores domésticos.

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