Investidores chineses estão se concentrando em metais, à medida que aproveitam uma forte onda de momentum que elevou de estanho a prata a máximas recordes. A disparada do cobre ocorreu em um horário do dia em que traders chineses dominam os fluxos, com os preços na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) subindo mais de 5% em menos de uma hora, a partir das 2h30 da manhã, horário de Londres.
“Tudo isso é impulsionado por fundos especulativos”, disse Yan Weijun, chefe de pesquisa de metais não ferrosos do trader chinês Xiamen C&D. “É provável que seja todo dinheiro chinês, visto que a disparada ocorreu no horário asiático.”
Os preços subiram até 7,9%, para serem negociados acima de US$ 14.000 por tonelada pela primeira vez na história. O metal industrial, utilizado em praticamente todas as aplicações elétricas, subiu 25% desde o início de dezembro.
O cobre tem sido, há muito tempo, um favorito dos investidores que veem a transição energética e o crescimento dos data centers impulsionando a demanda. Ainda assim, a recente alta nos preços ocorreu apesar de indícios de demanda fraca na própria China, que responde por cerca de metade do consumo físico do metal, e de um crescente contango (quando o preço futuro é mais alto do que o à vista) na LME, um indicativo de ampla oferta.
O frenesi especulativo provocou um aumento expressivo nos volumes da Bolsa de Futuros de Xangai (SHFE), a principal plataforma de negociação de commodities da China. Janeiro já havia sido o mês mais movimentado já registrado para os seis metais básicos negociados na SHFE até a semana passada, e o cobre registrou seu segundo maior volume diário de negociações nesta quinta-feira.
Foram algumas semanas impressionantes para as commodities, ajudadas por um dólar americano em queda, pelo aumento da demanda por ativos reais e físicos, e pelas elevadas tensões geopolíticas, à medida que o governo Trump segue uma política externa mais assertiva. Mais recentemente, a especulação de que o próximo chefe do Federal Reserve será mais dovish do que Jerome Powell também ajudou o rali.
“As commodities estão se revezando para entrar em rali”, disse Eric Liu, vice-gestor geral da ASK Resources. “O cobre tem oscilado em torno de US$ 13.000 e fundos já vinham se posicionando nesse metal há algum tempo.
O cobre está em alta de 6,5%, a US$ 13.943 a tonelada na LME. Sua movimentação intradiária foi a maior desde 2009 — quando a China implementava medidas de estímulo massivas após a grande crise financeira. Os futuros da SHFE fecharam em alta de 5,8%, a 109.110 yuans (US$ 15.707) por tonelada. Outros metais também se valorizaram, com o alumínio em alta de 2,2% e o zinco avançando 4,3% em Londres.
O presidente do Fed, Powell, destacou uma “clara melhora” nas perspectivas econômicas dos EUA, enquanto o banco manteve a taxa de juros inalterada na quarta-feira. Seu mandato termina em junho, após o qual o presidente americano Donald Trump poderá estar em melhor posição para intensificar sua campanha por juros mais baixos.
