A Airbus disse que mais de 6 mil aeronaves podem ser afetadas pela falha — metade da frota global da aeronave. Latam e Azul, as aéreas brasileiras que operam o A320, afirmaram que seus aviões estão na outra metade. Não fazem parte do recall. Já a Gol só tem aeronaves da Boeing.
A correção de software para os jatos A320, emitida pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) no fim da sexta-feira, veio após um incidente recente envolvendo um jato da americana JetBlue. que mostrou que uma “intensa radiação solar” poderia corromper dados que ajudam a manter o funcionamento dos controles de voo.
As aeronaves que precisam da correção têm de voltar à versão anterior do software, e o envio dos dados pode levar apenas de 2 a 3 horas. Mas até 1 mil jatos mais antigos vão precisar de uma atualização de hardware de fato e terão de ficar em solo durante todo o período de manutenção, segundo pessoas familiarizadas com o procedimento, que pediram anonimato ao comentar conclusões que não são públicas.
O presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, disse em uma publicação no LinkedIn que as equipes da companhia estão “trabalhando 24 horas por dia para apoiar nossos operadores e garantir que essas atualizações sejam feitas o mais rápido possível, para colocar os aviões de volta no ar e retomar as operações normais”. O regulador europeu determinou que as atualizações sejam implementadas antes que as aeronaves afetadas possam voltar a voar.
Companhias aéreas e passageiros já vinham enfrentando transtornos causados por mau tempo e pelo recente fechamento do governo dos EUA, que levou a uma redução parcial do movimento de aeronaves. A FlightAware, que rastreia atrasos e cancelamentos, mostrava 452 voos — ou 20% — atrasados neste sábado na China Southern Airlines. A EasyJet tinha 323 voos, ou 21%, afetados até o meio-dia, no horário de Hong Kong.
Nos EUA, que vivem um período recorde de viagens no feriado de Ação de Graças, operadoras de cerca de 1.600 jatos da família A320 buscaram implementar as correções mantendo o mínimo de interrupção possível. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) afirmou que sua diretriz emergencial de aeronavegabilidade, que espelha a dos reguladores europeus, afeta aproximadamente 545 aviões registrados nos EUA.
A American Airlines disse neste sábado que apenas quatro de suas 209 aeronaves afetadas ainda precisavam da atualização às 7h (horário central dos EUA) e que não espera impacto operacional adicional. Delta e United disseram, separadamente, que não houve impacto decorrente do problema de software do A320.
A companhia indiana IndiGo, que fez um grande pedido de aviões A320, afirmou que um total de 200 aeronaves precisava de checagem e que 160 jatos haviam sido concluídos até o meio-dia, horário local deste sábado, sem cancelamento de voos.
A Avianca, da Colômbia, informou que mais de 70% de sua frota foi afetada e que está suspendendo a venda de passagens até 8 de dezembro. A japonesa ANA Holdings Inc. cancelou 95 voos neste sábado, afetando cerca de 13.200 passageiros.
A húngara Wizz, low cost com uma frota composta apenas por aeronaves Airbus, de cerca de 250 aviões, disse que implementou com sucesso as atualizações em todas as aeronaves afetadas da família Airbus A320 durante a noite e que as operações de voo voltaram ao normal.
Voos foram cancelados na Austrália e na Nova Zelândia neste sábado, causando transtornos a passageiros, enquanto a Jetstar, subsidiária da Qantas Airways, e a Air New Zealand mantiveram alguns de seus A320 em solo para a atualização de software.
A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que as companhias aéreas já realizaram a atualização de software “na grande maioria das aeronaves relevantes”.
“Embora algum nível de interrupção fosse esperado, muito poucos voos de companhias aéreas britânicas foram afetados, e os passageiros estão enfrentando impactos mínimos”, disse o regulador.
O A320 concorre com o 737, da Boeing, e as duas famílias de jatos são os jatos mais usados na aviação comercial, de longe. A Airbus já teve de lidar com problemas nos motores dos seus A320neo mais novos, equipados por Pratt & Whitney, que forçaram a retirada temporária de centenas de jatos de operação para manutenção.
O software de bordo é cada vez mais crítico para a estabilidade do voo em aeronaves modernas, embora um sistema com falha possa ter consequências catastróficas. A Boeing sofreu dois acidentes em rápida sucessão há alguns anos envolvendo o 737 Max, versão mais recente de seu bestseller depois que um sistema de software chamado MCAS apresentou falhas em voo.
Por Benedikt Kammel, Danny Lee e Siddharth Philip
