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Estreito de Ormuz: Superpetroleiros voltam a circular e sinalizam alívio no mercado global

Após cessar-fogo entre EUA e Irã, três embarcações com 6 milhões de barris atravessam a região, marcando o maior fluxo desde o início do conflito em março

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Dois superpetroleiros chineses carregados com óleo bruto pareceram transitar pelo Estreito de Ormuz horas após um navio grego atravessar a via. O movimento sinaliza um aumento significativo no tráfego de petróleo dias após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Se os três navios completarem a travessia neste sábado (11) — uma jornada que leva cerca de oito horas —, este será o dia de maior saída de petróleo por Ormuz desde que a guerra paralisou quase todo o tráfego na região no início de março.

Nenhuma das embarcações transporta petróleo iraniano ou possui ligações diretas óbvias com o país. Desde o início do conflito, a vasta maioria do petróleo que deixou a região teve como origem a República Islâmica.

A reabertura de Ormuz é crítica para o comércio global de energia, pois seu fechamento resultou na perda de milhões de barris de oferta para os mercados mundiais. Uma retomada aliviaria a pressão sobre os mercados físicos, que estão cada vez mais apertados globalmente. EUA e Irã devem realizar negociações de paz em Islamabad nos próximos dias.

Os dois superpetroleiros chineses seriam os primeiros da nação asiática observados retirando barris da região — um benefício para Pequim, mas que ressalta como o país também foi pressionado pelo conflito.

Em termos de fluxo, as saídas são significativas, mas ainda estão longe dos níveis de tempos de paz. Juntos, os três navios têm capacidade de transporte de cerca de 6 milhões de barris. Somado a isso, o Irã exportou a uma taxa de 1,7 milhão de barris por dia no mês passado. Isso implicaria cerca de metade da taxa normal de embarques pela via — e apenas por um único dia.

Há também um terceiro navio chinês que não emitiu sinais neste sábado, mas que aguardava próximo aos outros dois antes de iniciarem a saída do Golfo Pérsico.

O navio grego sinalizava destino a Malaca, na Malásia, cujos meios de comunicação informaram na sexta-feira uma permissão para a partida dos cargueiros do país. Malaca também serve como ponto de passagem para navios que se dirigem a outras partes da Ásia. O Irã afirmou que as embarcações estão autorizadas a navegar pela via, mas que devem obter permissão para isso.

Os dois superpetroleiros chineses são o Cospearl Lake e o He Rong Hai. O grego é o Serifos. Chamadas para os operadores dos navios fora do horário comercial não foram atendidas ou retornadas de imediato. O Serifos e o He Rong Hai carregaram seus suprimentos na Arábia Saudita, enquanto o Cospearl Lake carregou no Iraque, mostram os dados de rastreamento.

Todos os três parecem ter seguido uma rota ao norte pelo estreito, conforme exigido por Teerã. Esse caminho passa por águas iranianas e ao longo das costas das ilhas Qeshm e Larak, afastando-se das rotas tradicionais de navegação de Ormuz que margeiam a costa sul da hidrovia.

Além deles, dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz, de acordo com três funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, marcando a primeira vez que embarcações do país transitaram pela via desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Não foram relatados problemas, e a operação foi descrita como uma missão de navegação livre. Os navios não escoltavam embarcações comerciais, disseram as autoridades.

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Quase todo o tráfego pela via, que normalmente movimenta cerca de um quinto do petróleo mundial e uma parcela semelhante de gás natural liquefeito (GNL), foi interrompido logo no primeiro dia da guerra.

Embora o rastreamento digital de navios possa estar sujeito a manipulações, os sinais das três embarcações parecem consistentes com movimentos reais de navegação.

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