Trump anunciou o acordo na noite de terça-feira (7), pouco depois de o Paquistão, mediador, pedir que ele reconsiderasse seu prazo para causar grande devastação ao Irã caso suas exigências não fossem atendidas. Ainda não estava claro na quarta-feira quando a trégua entraria em vigor, com relatos de hostilidades contínuas no Golfo Pérsico, mas o acordo ajudou a reduzir temores de uma crise global prolongada.
Petróleo
Os preços do petróleo e do gás despencaram com a notícia, que abre caminho para a retomada do fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz. Essa via crucial — por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo — ficou praticamente fechada durante quase seis semanas de conflito.
O petróleo Brent caiu até 16%, sendo negociado em torno de US$ 94 por barril, enquanto os futuros do gás natural europeu registraram a maior queda em mais de dois anos, recuando até 20%.
Trump afirmou que concordou “em suspender o bombardeio e os ataques ao Irã por um período de duas semanas”, desde que o país aceite a “REABERTURA COMPLETA, IMEDIATA E SEGURA do Estreito de Ormuz”.
O anúncio representou um recuo dramático em relação a uma advertência anterior de que “uma civilização inteira morreria esta noite” caso o Irã não cedesse. Ataques ameaçados contra infraestrutura civil iraniana, como usinas de energia, poderiam ser considerados crimes de guerra se fossem realizados.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse em comunicado que “por um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível mediante coordenação” com as forças militares iranianas e que, se os ataques ao território iraniano cessarem, “nossas poderosas Forças Armadas interromperão suas operações defensivas”.
Apesar do acordo, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Israel relataram ataques com mísseis e drones por parte do Irã após o anúncio. O Exército do Kuwait afirmou na quarta-feira que ainda enfrenta ataques “intensos”.
Os EUA esperavam que ordens para interromper ataques levassem tempo para chegar à Guarda Revolucionária do Irã, segundo a Axios. Esse tipo de atraso é comum em conflitos, com hostilidades continuando antes de diminuírem gradualmente.
Explosões foram registradas na refinaria de Lavan, no Irã, após o início da trégua, informou a agência semioficial Mehr.
Mercados
Os mercados reagiram positivamente: o índice MSCI Ásia-Pacífico subiu 5,1%, enquanto futuros de ações em Wall Street avançaram mais de 2,5%. O índice europeu Stoxx 600 saltou 3,8%, maior alta desde abril do ano passado.
Apesar do alívio, o cessar-fogo não resolve questões centrais do conflito, como os programas nuclear e militar do Irã, nem atende plenamente às exigências de ambos os lados.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse que houve acordo para um cessar-fogo mais amplo, incluindo o Líbano, mas o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu contestou essa afirmação.
As negociações devem continuar, possivelmente em Islamabad. O Irã confirmou que participará, embora com “total desconfiança”.
As exigências iranianas incluem controle contínuo do Estreito de Ormuz, aceitação de seu programa nuclear, fim das sanções e retirada de forças dos EUA da região.
Analistas avaliam que o acordo representa apenas uma pausa na escalada, ainda longe de uma solução definitiva.
O foco agora está no Estreito de Ormuz e na segurança da navegação. Alguns navios já tentam atravessar a região, mas o cenário permanece incerto.
Acordo de paz
O Paquistão afirmou que o Irã confirmou sua participação em negociações de paz com os Estados Unidos em Islamabad ainda esta semana, à medida que aumentam os esforços globais por um acordo permanente para encerrar a guerra no Oriente Médio após um cessar-fogo de duas semanas.
O presidente Masoud Pezeshkian “reafirmou a participação do Irã nas próximas negociações com os EUA e expressou apreço pelos esforços do Paquistão”, segundo comunicado do gabinete do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, após uma conversa entre os dois líderes na quarta-feira. Os EUA ainda não confirmaram sua participação. Sharif já havia pedido um cessar-fogo entre as duas partes e oferecido Islamabad como sede das negociações em 10 de abril.
A trégua temporária dá tempo para que os dois lados cheguem a um acordo mais duradouro para encerrar o conflito de seis semanas, que já matou mais de 5.300 pessoas e desencadeou uma crise energética global.
Potência nuclear, o Paquistão tem usado seus laços próximos tanto com o Irã — com quem compartilha fronteira — quanto com os Estados Unidos para negociar o cessar-fogo entre os dois países. Nas últimas semanas, o país do sul da Ásia também atuou junto a Turquia, Egito e outras nações para ajudar a encerrar a guerra.
