O Copom manteve a Selic em 15%, seguindo no patamar mais alto em 19 anos. Apesar da manutenção, o Banco Central comunicou que sua estratégia para o futuro próximo “envolve calibração do nível de juros”. Em outras palavras: iniciar os cortes na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em março, na falta de surpresas no cenário atual.
Entre os fatores que sustentam o início dos cortes em março está a fraqueza global do dólar, que caiu a R$ 5,20. Quando a moeda americana aponta para baixo, a inflação desacelera. É o está acontecendo: o último IPCA-15, indicador mais recente, foi o segundo mais baixo para um mês de janeiro nas três décadas de história do real, 0,20%. Em 12 meses, ele está em 4,50%, razoavelmente abaixo do último pico, de 5,32%, em setembro.
E com um IPCA mais brando abrem-se as portas para cortes nos juros – pois juro de Banco Central existe para controlar a inflação.
Lá fora
O Federal Reserve (Fed) decidiu interromper a sequência de cortes na taxa de juros, mantendo a faixa de 3,5% a 3,75%. A medida encerra três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual e busca equilibrar a inflação, que permanece acima da meta, e o mercado de trabalho, que mostra sinais de estabilização.
O comunicado pós-reunião também removeu uma cláusula anterior que indicava maior risco de enfraquecimento do emprego em relação à inflação, sugerindo que o Fed adota uma postura mais paciente e equilibrada.
A autoridade monetária não deu indicações explícitas sobre a próxima mudança na taxa, e o mercado projeta que ajustes só ocorram a partir de junho de 2026. Analistas destacam que o banco central americano navega por um período de incertezas políticas, com os bodes da sala que Trump coloca mês sim, mês também, mais a transição de liderança: Jerome Powell, o Galípolo deles, sai da presidência do Fed em maio.
