Economia

Haddad assegura que país terá sustentabilidade fiscal a partir de janeiro

Futuro ministro da Fazenda do governo Lula diz que terá que tomar medidas profundas, mas sem dar detalhes.

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O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), assegurou que o país vai ter um cenário de sustentabilidade das contas públicas a partir de janeiro, após a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu posso assegurar que é absolutamente possível que no mês inaugural do próximo governo nós já tenhamos um cenário de sustentabilidade das contas públicas. Nós vamos ter que tomar medidas profundas, algumas estruturais como a reforma tributária, mas terão medidas conjunturais também pra arrumar a máquina pública.”

Ele não detalhou quais as medidas que devem ser adotadas pela equipe econômica. A declaração foi dada na tarde desta segunda-feira (19), durante coletiva de imprensa após o anúncio do nome de Anelize Almeida para chefiar a procuradoria geral da Fazenda (PGFN).

O ministro indicado para a Fazenda, Fernando Haddad, durante coletiva no CCBB. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Sobre a decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, que declarou que o dinheiro público utilizado em programas sociais de renda básica, como o Bolsa Família, não está inscrito na regra do teto de gastos, Haddad disse que a equipe do governo Lula continua negociando a aprovação da PEC da Transição na Câmara dos Deputados independente da decisão.

“O caminho que temos que trilhar essa semana é de fortalecimento das instituições. Toda decisão, que por mais agradável que seja, for precária, ela é pior do que uma decisão negociada robusta que dê ao país um horizonte”, afirmou o petista.

Diálogo com Congresso

Ele ressaltou que, todas as vezes que a equipe de transição se dispôs a conversar com o Congresso, teve êxito na compreensão do problema que foi herdado do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

O texto da PEC que eleva o teto de gastos em R$ 145 bilhões já foi aprovado no Senado, mas está travado na Câmara, e deve ser votado nesta terça-feira (20).

Haddad disse que a negociação com os deputados federais continua em andamento e que o governo não está pedindo “muita compreensão” para solucionar o problema gerado nas contas públicas.

“Sabemos que o Congresso tem mostrado boa vontade em compreender o problema que foi gerado a partir do meio do ano. Nós precisamos resolver ele pro ano que vem para o governo eleito ter o tempo necessário para tomar as medidas estruturais necessárias para reequilibrar a trajetória fiscal do país, tanto do ponto de vista do déficit quanto da dívida”, ressaltou.

Futuro ministro da Fazenda

Haddad, de 59 anos, deve assumir o ministério da Fazenda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro, com a missão de viabilizar gastos sociais e sob o olhar vigilante do mercado, que cobra responsabilidade fiscal e estabilidade econômica.

Ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Haddad é formado em direito e mestre em Economia pela Universidade de São Paulo. Ele também possui doutorado em filosofia pela mesma instituição. Advogado e político, ele também é professor de ciência política. Autodeclarado marxista, ele é adepto da Escola de Frankfurt.

O futuro ministro da Fazenda tem feito uma série de declarações sobre seus planos para a economia brasileira. O mercado, que a princípio recebeu a notícia de sua nomeação com desconfiança, agora acompanha com uma lupa as falas do escolhido para a pasta.

No dia em que Lula confirmou o ex-prefeito de São Paulo no comando da Fazenda, o mercado já havia precificado a indicação. O Ibovespa, principal índice de ações da B3, caiu ao menor patamar em quatro meses nos dias que antecederam o anúncio, puxado pelas estatais. Mas o indicador recuperou parte das perdas diante de declarações sobre o cenário fiscal que tranquilizaram investidores.

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