O Brasil estreia contra Marrocos no sábado, 13 de junho, às 19h, em Nova Jersey, e segue com Haiti na sexta-feira, 19 de junho, às 21h30, na Filadélfia, e Escócia na quarta-feira, 24 de junho, às 19h, em Miami. Caso a seleção avance em primeiro no grupo, poderá disputar mais três jogos em datas ainda mais estratégicas para o consumo doméstico: domingo, 5 de julho; sábado, 11 de julho; e a final, na sexta-feira, 19 de julho.
A combinação é considerada particularmente favorável pelo BTG Pactual, que baseou o relatório em estudo da Scanntech sobre o chamado “efeito jogo” — a mudança nos padrões de consumo em dias de futebol.
“O efeito jogo quantifica esse impacto, mostrando que eventos de futebol geram aumento de aproximadamente 4,7% no consumo varejista em relação aos períodos normais”, afirmam os analistas do banco. Um dado reforça a dimensão do fenômeno: 95% dos brasileiros se envolvem com futebol ao menos durante a Copa do Mundo, transformando o torneio em um evento de forte impacto emocional — e econômico.
Contexto mais favorável
Apesar do cenário de juros elevados e maior incerteza global, o BTG avalia que a Copa de 2026 chega em um ambiente macroeconômico mais propício para o varejo do que a edição anterior. Na Copa do Catar, em 2022, o Brasil enfrentava inflação de 5,8%, Selic em 13,75% e renda média próxima de R$ 3,1 mil. Para 2026, as projeções apontam inflação em torno de 4,1% e renda média mais alta, perto de R$ 3,5 mil, embora a taxa básica de juros deva permanecer elevada, próxima de 14,5%.
Esse ambiente, segundo o banco, deve sustentar o consumo ligado ao torneio, especialmente em categorias associadas a entretenimento e socialização dentro de casa. A expectativa é de que 65% dos brasileiros acompanhem os jogos em casa, o que reforça a demanda por produtos voltados ao consumo social.
Antes do apito inicial
Um dos achados mais relevantes do estudo é que o pico de consumo não coincide com os jogos, mas os antecede. O fluxo nas lojas cresce 6,7% na véspera das partidas, à medida que os consumidores antecipam compras para evitar sair durante os jogos. Nas duas horas que antecedem o início das partidas, as transações sobem 19,1%. Durante os jogos, o movimento despenca: queda de 15,4%.
O efeito é ainda mais intenso especificamente durante a Copa do Mundo: as compras aumentam 69,2% antes das partidas e caem 61,3% enquanto elas acontecem. Além do fluxo, o tíquete médio também cresce: a cesta de categorias relacionadas aos jogos sobe cerca de 24% na véspera das partidas.
Churrasco, pipoca e destilados lideram alta
A Copa também transforma a composição da cesta de compras. Produtos ligados a confraternizações ganham espaço, enquanto itens básicos do dia a dia perdem relevância relativa. Entre os destaques do relatório estão churrasqueira (+227%), pipoca de micro-ondas (+120%) e amendoim salgado (+86%). Bebidas alcoólicas, destilados e itens premium também crescem acima da média.
Cortes de carne para compartilhamento superam os tradicionais, reforçando o caráter social do consumo durante o torneio. O estudo aponta ainda tendências de premiumização e maior demanda por alternativas mais saudáveis, como bebidas sem açúcar e opções de baixa caloria.
Calendário estratégico para o setor
O formato da Copa de 2026 favorece o varejo também pelo calendário. Segundo o BTG, jogos realizados aos sábados costumam gerar os maiores impactos no fluxo do comércio por coincidirem com o ciclo tradicional de abastecimento das famílias. Cerca de 43% das partidas serão disputadas entre 19h e 23h, faixa horária que favorece encontros em casa, churrascos e consumo social.
A maior duração do torneio também contribui para distribuir os estímulos ao longo de várias semanas. “Diferentemente dos ciclos macroeconômicos tradicionais, a demanda ligada à Copa pode se descolar parcialmente da desaceleração econômica de curto prazo”, conclui o relatório.
