Economia

Juros futuros sobem na contramão do exterior em dia de ajustes

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – Após quatro sessões consecutivas em queda, as taxas dos DIs passaram por ajustes e fecharam em alta nesta segunda-feira, na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries cediam, com investidores à espera de dados e eventos econômicos importantes para o restante da semana.

Pela manhã, o Tesouro informou que o governo central registrou em 2023 déficit primário de 230,535 bilhões de reais, o que representa um rombo de 2,1% do Produto Interno Bruto do Brasil, após o superávit pontual de 0,5% do PIB em 2022.

Composto pelas contas de Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, o governo central teve no ano passado o segundo pior déficit primário da série histórica iniciada há 26 anos. O déficit primário reflete a diferença entre receitas e despesas, sem contar os gastos com juros da dívida pública.

O resultado negativo foi em grande parte resultado da quitação de precatórios pelo governo, no valor de 92 bilhões de reais em dezembro, após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que o teto criado pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro para esses pagamentos era inconstitucional.

Apesar do forte resultado primário negativo, o impacto na curva de juros brasileira nesta segunda-feira, conforme alguns profissionais, não foi tão direto. Isso porque o mercado já esperava pelo forte resultado negativo em função do pagamento de precatórios e, na prática, o déficit já estava no preço.

Assim, o que se viu nesta segunda-feira foi certa recomposição de posições, após a curva a termo fechar nas quatro sessões anteriores.

A taxa para o contrato de janeiro de 2027, por exemplo, havia cedido cerca de 20 pontos-base em quatro dias, para nesta segunda-feira se recuperar em 5 pontos-base.

Este ajuste de posições ocorreu antes da divulgação de dados econômicos importantes no Brasil e no exterior e da chamada “superquarta”, quando o Federal Reserve e o Banco Central brasileiro decidirão sobre suas taxas de juros.

No caso do Fed, a expectativa é de manutenção dos juros na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, mas investidores estarão atentos a pistas sobre quando a instituição iniciará o ciclo de cortes — em março ou em maio.

No Brasil, a perspectiva é de novo corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic, hoje em 11,75% ao ano, com o BC mantendo o horizonte de novas reduções de meio ponto percentual nas reuniões seguintes de política monetária.

Perto do fechamento desta segunda-feira a curva a termo precificava 98% de chances de o corte da taxa básica Selic na quarta-feira ser de 0,50 ponto percentual.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 9,975%, ante 9,955% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,665%, ante 9,619% do ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 9,84%, ante 9,786%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,115%, ante 10,052%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,53%, ante 10,477%.

No exterior, além da expectativa em torno da decisão do Fed, as atenções recaem sobre o possível anúncio nesta semana de novos leilões de títulos do Tesouro dos EUA, o que também pode impactar a curva de juros norte-americana.

Às 16:38 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 6,30 pontos-base, a 4,0969%.

No Brasil, sem impactos da curva, o ministro da Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira que o debate sobre reoneração da folha de pagamentos continua como parte da agenda prioritária para o novo ano legislativo. Segundo ele, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, segue discutindo o tema com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

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