Quase 89 mil veículos elétricos usados trocaram de mãos nos últimos três meses de 2025, alta de 13,5% na comparação anual, segundo a Cox Automotive. Além disso, o estoque desses modelos tem girado em cerca de 50 dias — ligeiramente mais rápido do que os carros movidos a combustão. Na direção oposta, as vendas de elétricos novos despencaram 36% no quarto trimestre do ano passado.
“A palavra do ano é ‘acessibilidade’, por um bom motivo”, afirma Liz Najman, diretora de inteligência de mercado da Recurrent, empresa que fornece estimativas de autonomia e outros dados especializados em veículos elétricos para concessionárias e consumidores.
“É possível comprar um elétrico com dois ou três anos de uso por metade do preço original — e estamos falando de um carro com muita tecnologia embarcada e garantia de bateria.”
Durante muito tempo, o mercado de elétricos usados nos Estados Unidos permaneceu praticamente estagnado. A oferta era limitada e os compradores temiam a degradação das baterias em modelos mais antigos. Mas as baterias vêm se mostrando mais duráveis do que o esperado e, no mercado americano, geralmente contam com garantia de pelo menos oito anos ou 100 mil milhas.
Embora os elétricos novos ainda superem os usados com folga em volume de vendas, analistas avaliam que um mercado secundário mais maduro ajuda a sustentar a demanda por modelos zero quilômetro. Mais de 90% dos proprietários de elétricos, ao trocar de carro, optam novamente por um modelo movido a bateria.
A alta nas vendas de elétricos usados reflete uma lógica simples de oferta e demanda: há mais carros disponíveis e a preços relativamente baixos. Em 2023 e 2024, os americanos compraram cerca de 2,5 milhões de veículos elétricos, a maioria via leasing. Esses modelos começam agora a chegar ao mercado de seminovos pela primeira vez. Além disso, a depreciação dos elétricos tem sido acentuada, tornando-os cada vez mais atraentes para quem busca oportunidade.
Embora o preço médio de um elétrico usado ainda seja ligeiramente superior ao de um carro a combustão seminovo, essa diferença vem diminuindo. No último trimestre, quase 40% dos elétricos usados foram vendidos por menos de US$ 25 mil. E, entre os 15 modelos que mais perderam valor em três anos, mais da metade são elétricos, segundo a CarEdge.com, plataforma baseada em inteligência artificial que auxilia consumidores na negociação com concessionárias.
“Os elétricos usados são uma resposta à crise de acessibilidade nos Estados Unidos”, diz Justin Fischer, analista da CarEdge.com. “É possível fechar um ótimo negócio por pouco menos de US$ 20 mil.”
Um exemplo é o Nissan Leaf, que roda cerca de 240 quilômetros com uma carga e pode até abastecer uma residência em caso de apagão. Nos últimos três anos, o modelo perdeu quase 70% do valor e recentemente vinha sendo negociado por cerca de US$ 12 mil. Já o Nissan Versa, modelo comparável com motor a combustão, preservou mais de 70% do preço original no mesmo período, sendo vendido por aproximadamente US$ 14 mil.
Ainda que os elétricos usados possam custar um pouco mais do que equivalentes a combustão, em geral são veículos mais novos e em melhores condições. Levantamento da Recurrent mostra que, quando comparados por faixa de preço, os elétricos são, em média, um ano mais novos e têm 30 mil milhas a menos no hodômetro do que carros e picapes com motor tradicional.
Há também evidências de que veículos elétricos — que não utilizam radiador, velas de ignição ou óleo — podem se mostrar mais confiáveis ao longo do tempo. Um estudo divulgado em janeiro pela Universidade de Michigan concluiu que o custo total de propriedade de um elétrico usado é significativamente inferior ao de outros tipos de veículo, principalmente devido às despesas menores com combustível e manutenção.
“Essa é a verdadeira história de valor”, afirma Stephanie Valdez Streaty, diretora de inteligência setorial da Cox. “Você praticamente alcança paridade de preço e ainda tem um custo operacional menor.”
Segundo ela, a tendência deve ganhar força à medida que modelos lançados há três anos começam a retornar do leasing e chegam ao mercado de usados, incluindo BMW i7, Cadillac Lyriq e Tesla Cybertruck — ampliando o leque de opções para consumidores em busca de barganhas no segmento elétrico.
