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Mísseis atingem maior fabricante de alumínio do Oriente Médio e acendem alerta sobre oferta do metal

Preços internacionais do alumínio sobem 11% desde o início da guerra

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A maior produtora de alumínio do Oriente Médio sofreu danos significativos após um ataque iraniano com mísseis e drones no sábado (28). A ação militar evidencia os impactos crescentes da guerra sobre a economia global e cadeias industriais estratégicas.

Os Emirados Árabes Unidos são um dos principais fornecedores do metal para o mercado internacional, e a companhia Emirates Global Aluminium (EGA) opera sua maior planta justamente no país. O episódio representa mais um golpe para o setor de commodities no Oriente Médio, onde produtores — de energia a fertilizantes — têm enfrentado dificuldades para exportar devido ao bloqueio de fato do Estreito de Ormuz.

Além das restrições ao transporte marítimo, ataques iranianos vêm danificando instalações-chave, o que pode prolongar o tempo necessário para a retomada plena das operações, mesmo após o fim do conflito.

Os preços do alumínio, que já vinham em alta antes da guerra, avançaram ainda mais diante da expectativa de um mercado mais apertado e da redução dos estoques globais. A commodity já sobe 11% desde o início da guerra e se aproxima das máximas desde fevereiro de 2022.

O Oriente Médio responde por cerca de 9% da oferta mundial — boa parte agora retida dentro do Estreito de Ormuz. Segundo o Goldman Sachs Group, a alta das commodities deve pressionar economias ao redor do mundo.

A EGA informou, em comunicado, que ainda avalia os danos provocados em sua unidade de Al Taweelah, localizada na zona industrial do Porto Khalifa, no emirado de Abu Dhabi. A empresa confirmou que vários funcionários ficaram feridos, mas não detalhou se as operações foram interrompidas.

Mais cedo, o escritório de mídia de Abu Dhabi informou que seis pessoas ficaram feridas em três incêndios causados por destroços de interceptações de mísseis balísticos nas proximidades da zona industrial de Kezad. Os ataques fazem parte de uma série de ofensivas do Irã contra países do Golfo, enquanto o governo de Donald Trump tenta avançar em negociações por um possível cessar-fogo.

A EGA, maior empresa industrial não ligada ao setor de energia nos Emirados Árabes Unidos, opera duas fundições — uma em Dubai e outra em Abu Dhabi. A unidade de Al Taweelah fica entre as duas cidades, na zona econômica de Khalifa, às margens do Golfo Pérsico. Já a planta em Dubai está localizada na área portuária e zona franca de Jebel Ali.

A fundição de Al Taweelah produziu 1,6 milhão de toneladas de metal em 2025. Segundo a empresa, havia estoques relevantes de alumínio fora da região quando Israel e os Estados Unidos iniciaram os ataques contra o Irã no mês passado, além de volumes armazenados em outros países — o que tem ajudado a atender a demanda de clientes.

A EGA também se destaca como investidora global e integra o compromisso dos Emirados de investir US$ 1,4 trilhão nos Estados Unidos ao longo da próxima década. O país árabe é o segundo maior fornecedor de alumínio para os EUA, atrás apenas do Canadá, e participa da construção da primeira nova fundição americana em décadas, no estado de Oklahoma.

Nos Estados Unidos, a companhia também controla uma unidade de reciclagem em Minnesota, o que lhe permite se beneficiar de preços mais elevados para metais produzidos internamente, impulsionados pelas tarifas adotadas pelo governo Trump.

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