Um navio fantasma é um petroleiro que transporta petróleo fora das regras para driblar sanções. Na prática, ele desliga o sistema de rastreamento, troca de nome ou bandeira e usa empresas de fachada para esconder de onde vem e para onde vai o petróleo — normalmente de países sob restrições, como Venezuela, Irã e Rússia.
Todos os três navios estão posicionados a menos de 10 milhas (cerca de 18,5 km) da costa venezuelana, segundo um relatório do governo analisado pela Bloomberg, que inclui sua localização exata.
Eles estão entre os últimos remanescentes de um período em que mais da metade das exportações de petróleo da Venezuela — principal fonte de receita do regime de Maduro — era transportada em navios fantasmas para compradores na Ásia.
Com o fornecimento global de petróleo pressionado pelo quase fechamento do Estreito de Ormuz, os navios presos destacam a dificuldade da Venezuela em operar plenamente de forma transparente, mesmo após o mais amplo alívio das sanções petrolíferas dos EUA desde 2019.
Os superpetroleiros Romana e MS Melenia, junto com o navio Galaxy 3, carregaram um total combinado de 5 milhões de barris de petróleo bruto em meados de dezembro, mostram os dados.
Após a apreensão do petroleiro Skipper pelas forças navais dos EUA em 10 de dezembro, os navios fantasmas permaneceram no local e não partiram, mesmo depois da queda de Maduro semanas depois.
Há meses, traders de petróleo tentam estimar quantos navios fantasmas ainda permanecem na Venezuela, à medida que cada barril se torna mais valioso em meio ao aperto na oferta global provocado pela guerra com o Irã.
Petróleos pesados e com alto teor de enxofre, como o da Venezuela, são mais baratos do que os leves e de melhor qualidade, atualmente cotados acima de US$ 100.
O trio de petroleiros não transmite sua localização há meses, o que sugere que desligaram seus transponders — uma prática comum entre navios da frota fantasma para evitar detecção.
Atualmente, estão em uma área de ancoragem próxima ao Terminal de José, controlado pelo governo venezuelano e o principal terminal de exportação de petróleo do país, segundo dados e imagens de satélite.
Não está claro por que eles ficaram parados, enquanto outros navios da frota fantasma emergiram das sombras para transportar petróleo em conformidade com as regras dos EUA.
A grande maioria das exportações de petróleo venezuelano é atualmente conduzida por empresas como a Chevron, e as tradings de commodities Vitol e Trafigura, que possuem licença da administração Trump para ajudar a comercializar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano.
