Newsletter

Nova tarifa de Trump traz alívio bilionário ao Brasil, mostra estudo

Mudança para uma taxa global de 15% reduz a tarifa média sobre exportações brasileiras aos EUA, segundo o Global Trade Alert

Publicidade

A nova tarifa global de 15% para exportações aos Estados Unidos, anunciada neste fim de semana por Donald Trump após a derrota na Suprema Corte, redesenhou o mapa comercial americano – e, ao contrário do que a retórica sugere, acabou concedendo um alívio bilionário ao Brasil.

Levantamento divulgado neste domingo (22) pelo Global Trade Alert mostra que a substituição das sobretaxas aplicadas com base na IEEPA (sigla para International Emergency Economic Powers Act, lei usada por Trump para impor tarifas emergenciais) por uma tarifa única de 15% via Seção 122 reduziu significativamente a carga sobre produtos brasileiros.

Segundo os dados, a tarifa média aplicada às exportações do Brasil aos EUA cai de 26,3% para 12,7% — uma redução de 13,6 pontos percentuais, a maior entre os grandes parceiros comerciais americanos.

Considerando que os EUA importaram US$ 42,2 bilhões em produtos brasileiros em 2024, a mudança representa um alívio potencial de cerca de US$ 5,7 bilhões em tarifas.

É o maior ganho relativo entre as principais economias exportadoras aos Estados Unidos.

Quem mais ganha

Além do Brasil, o estudo aponta como principais beneficiados:

  • China: –7,1 pontos percentuais;
  • Índia: –5,6 p.p.

São países que vinham sendo alvo direto da Casa Branca sob o regime anterior, com sobretaxas específicas e mais elevadas.

Johannes Fritz, economista e CEO do Global Trade Alert, afirmou ao Financial Times que os países mais criticados e atingidos por medidas executivas foram justamente os que mais ganharam com a mudança. Economias asiáticas exportadoras como Vietnã, Tailândia e Malásia também se beneficiam do novo arranjo.

Os mais afetados

Publicidade

Do outro lado da balança estão aliados históricos dos EUA. Com a tarifa flat de 15%, perdem a vantagem relativa que haviam negociado:

  • Reino Unido: +2,1 pontos percentuais;
  • Itália: +1,7 p.p.;
  • Singapura: +1,1 p.p.

A Bloomberg destacou que o Reino Unido corre o risco de ser o maior prejudicado, já que havia garantido tarifa de 10% para diversos produtos e agora passa ao piso global de 15%. Em termos simples: quem pagava pouco passa a pagar mais.

O pano de fundo jurídico

A mudança ocorre após a Suprema Corte derrubar o uso da IEEPA como base para as chamadas “tarifas recíprocas”. A lei permite ao presidente agir em situações de emergência nacional, mas a Corte considerou que o mecanismo foi utilizado além de seus limites.

Trump reagiu invocando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a aplicação de tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso.

O novo regime entra em vigor nesta terça-feira (24) e vale até julho, salvo eventual extensão legislativa. Ainda assim, o governo americano já sinalizou que pode abrir investigações com base na Seção 301 – inclusive contra Brasil e China.

O alívio, portanto, pode ser temporário.

Exit mobile version