O grupo liderado por Arábia Saudita e Rússia era esperado para retomar aumentos modestos de produção em abril, após um congelamento de três meses, numa estratégia em curso para recuperar participação de mercado, disseram vários delegados no início desta semana.
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O cenário-base era elevar a produção em 137 mil barris por dia, em linha com os incrementos do quarto trimestre, disseram três pessoas. Um fator-chave na decisão de domingo será se o ataque surpresa de EUA e Israel contra a República Islâmica resultar no fechamento do Estreito de Ormuz, passagem crítica do Golfo Pérsico, afirmou outro delegado. Os delegados pediram para não ser identificados porque as deliberações são privadas.
Os ataques de sábado (28), e a retaliação de Teerã contra bases militares americanas na região, marcam o ápice de uma crise geopolítica que elevou os preços do petróleo neste ano, apesar da expectativa generalizada de excesso de oferta. Os contratos futuros subiram para a máxima em sete meses, a US$ 73 o barril em Londres na sexta-feira, acumulando alta de 19% no ano em meio a uma série de interrupções de produção, sanções e estocagem chinesa.
A Arábia Saudita, junto com alguns outros produtores, já acelerou as exportações de petróleo nos últimos dias, à medida que o envio de ativos militares americanos ao Oriente Médio aumentou as tensões na região. No ano passado, Riad elevou temporariamente a oferta durante um ataque anterior dos EUA a instalações nucleares iranianas.
O presidente Donald Trump, no sábado, instou os iranianos a derrubarem seu governo, enquanto os EUA realizam “grandes operações de combate” contra a República Islâmica e Israel lança ataques aéreos “preventivos” contra alvos no país. Teerã afirmou ter realizado ataques retaliatórios contra bases militares dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Kuwait.
O bombardeio ocorre dois dias depois de delegações do Irã e dos EUA se reunirem na Suíça para uma terceira rodada de negociações sobre as atividades nucleares de Teerã. Embora o Irã tenha demonstrado otimismo com a trajetória das conversas, Trump disse na sexta-feira que não estava satisfeito com a forma como elas estavam se desenrolando.
A vulnerabilidade dos fluxos regionais de energia voltou a ficar clara imediatamente no sábado, com os houthis — milícia baseada no Iêmen com ligações com Teerã — prometendo retomar ataques contra o transporte marítimo no corredor do Mar Vermelho.
Mais a leste, traders também monitoravam de perto a situação no Estreito de Ormuz, um ponto focal em momentos de instabilidade regional porque um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo — e uma parcela do gás — passa diariamente por essa rota.
Colchão de oferta
A Arábia Saudita detém a maior parte da capacidade ociosa de produção de petróleo do mundo, podendo colocar no mercado mais 1,8 milhão de barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia. Os Emirados Árabes Unidos têm um plano de contingência para disponibilizar pelo menos 1 milhão de barris por dia, disse um delegado.
Entre os locais atingidos no Irã, a agência de notícias semioficial Mehr informou que houve uma explosão na Ilha de Kharg, onde há um importante terminal de exportação de petróleo — embora não tenha dado detalhes. Instalações de petróleo não foram alvo durante os ataques ao Irã em junho, e Trump prometeu reduzir os preços dos combustíveis.
Sob a orientação do ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados frequentemente adotaram uma política cautelosa diante de eventos geopolíticos, preferindo observar se eles têm impacto material antes de agir.
O reino já sofreu as consequências de conflitos regionais, mais notavelmente durante um ataque em 2019 à sua unidade de processamento de Abqaiq — atribuído a aliados houthis do Irã — que, por um período, paralisou sua produção.
A Opep+ não alterou coletivamente sua postura após os ataques do verão passado ao Irã, nem quando os EUA capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano.
Ainda assim, o mercado de petróleo tem desafiado as expectativas até aqui em 2026.
“O mercado estava precificado com base na ideia de um ‘excesso de oferta’ que está começando a parecer, em grande parte, ficção”, disse Jeff Currie, diretor de estratégia de caminhos de energia do Carlyle Group. “Não há margem para erro, o que significa muita margem para alta.”
Embora a oferta global esteja superando a demanda, uma série de interrupções — da América do Norte ao Cazaquistão e à Rússia — tem reduzido esse excedente. Grande parte do excesso consiste em barris sancionados da Rússia ou do Irã — indisponíveis para o mercado em geral — ou está sendo absorvida pela China para reservas estratégicas.
Abrir um pouco mais as torneiras pode se encaixar nos objetivos de longo prazo da Opep+. Há quase um ano, os sauditas e outros membros-chave têm se engajado num movimento aparente para recuperar participação de mercado cedida nos últimos anos a rivais, como produtores de shale nos EUA. Eles vêm reativando produção interrompida desde 2023, apesar de alertas de que os mercados globais estavam confortavelmente abastecidos.
