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Principais traders de petróleo alertam: o pior do impacto na demanda pela guerra ainda está por vir

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Os maiores traders de petróleo do mundo afirmaram que a destruição da demanda causada pela guerra no Irã deve se intensificar, um sinal de que o impacto econômico total do conflito pode ainda não ter sido sentido.

O Gunvor Group afirmou nesta terça-feira (21) que a queda no consumo pode se intensificar e dobrar no próximo mês, chegando a 5 milhões de barris por dia — aproximadamente 5% da oferta mundial — e pode desencadear uma recessão global caso a rota estratégica do Estreito de Ormuz permaneça fechada por três meses.

A redução está concentrada na Ásia por enquanto, mas deve se espalhar à medida que os preços globais reagirem, de acordo com o Trafigura Group.

O CEO do Vitol Group, Russell Hardy, disse que a guerra já removeu cerca de 4 milhões de barris por dia da demanda. Ele afirmou que esse número crescerá conforme a situação persistir e reforçou o alerta da Gunvor sobre as consequências recessivas.

Desde o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, a oferta de petróleo bruto e produtos refinados do Golfo Pérsico foi reduzida em cerca de 13 milhões de barris por dia, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Enquanto o custo de cargas físicas e produtos como combustível de aviação e diesel disparou, os preços de referência nos mercados de futuros têm se mantido relativamente estáveis.

“A destruição da demanda está ocorrendo em locais que não são centros de precificação visíveis”, disse o economista-chefe da Trafigura, Saad Rahim, no FT Commodities Global Summit, em Lausanne. “As pessoas estão subestimando essa perda de oferta, que terá de ser compensada com alguma perda de demanda em outro lugar.”

A resposta é evidente em diversos setores. Produtores petroquímicos na China, Japão e Coreia do Sul reduziram suas operações, limitando a produção de plásticos usados desde garrafas até aparelhos eletrônicos. Companhias aéreas de países que vão do Vietnã à Holanda estão cancelando voos ou elaborando planos de contingência para fazê-lo.

Em todo o sudeste asiático, campos de arroz prontos para a colheita estão parados devido ao alto custo dos combustíveis e fertilizantes.

“Esse ajuste já está acontecendo, mas, se isso continuar, terá de ser cada vez maior”, disse Rahim. “Estamos em um ponto de inflexão crítico.”

Os contratos futuros de petróleo de referência subiram cerca de 30% desde o início da guerra. Eles saltaram para perto de US$ 120 o barril em março, embora estejam sendo negociados em torno de US$ 95 agora, devido a sinais de que o Irã participará de negociações com os EUA para encerrar o conflito.

Se houver uma resolução diplomática, “acho que teremos escapado por pouco”, disse Rahim. Mas se a crise se arrastar, “simplesmente não haverá essas moléculas disponíveis, alguém terá que ficar sem. Isso significa uma contração da atividade econômica”.

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Frederic Lasserre, chefe global de pesquisa e análise da Gunvor, disse na conferência que a empresa foca em três cenários, que variam desde o fechamento contínuo de Ormuz até uma reabertura parcial ou total.

“Se não houver nenhuma reabertura em três meses, o caso se torna uma questão macro, onde o mundo estará prestes a entrar em recessão”, disse ele. “E então teremos um ajuste massivo na demanda.”

A AIE afirmou na semana passada que todo o crescimento projetado para a demanda este ano foi anulado pela primeira vez desde a pandemia de Covid em 2020. Em vez de um crescimento de 730 mil barris por dia, a agência agora prevê uma leve queda de 80 mil barris por dia.

A redução está concentrada em setores particularmente expostos na Ásia e no Oriente Médio: nafta e etano usados na petroquímica, e gás liquefeito de petróleo (GLP) usado na cozinha.

Outro grande impacto ocorre na aviação, com empresas como Vietnam Airlines, Air New Zealand, a escandinava SAS AB e a KLM cancelando voos. A Deutsche Lufthansa AG está preparando planos para manter aviões em solo, se necessário.

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