Neste domingo (24), o secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou avanços, mas evitou cravar um prazo para que saia o acordo.
“Um acordo foi negociado em sua maior parte, sujeito a finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã e os vários outros países”, escreveu Trump em postagem nas redes sociais.
Antes da publicação, o presidente reuniu-se com assessores na Casa Branca e conversou com líderes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar, do Paquistão e da Turquia, além do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, sobre o que chamou de “Memorando de Entendimento relativo à PAZ”.
Em visita à Índia neste domingo, Rubio disse que “pode haver algumas boas notícias” sobre Ormuz nas próximas horas. “Acho que há progresso nessa frente, mas não é a notícia final”, afirmou. “Algum avanço foi feito, eu não quero minimizar isso, mas também quero ressalvar dizendo que ainda temos trabalho a fazer.”
Irã adota cautela
A imprensa estatal iraniana adotou tom mais reservado. A agência semioficial Tasnim relatou que Washington e Teerã ainda divergem em “uma ou duas cláusulas”, segundo “fonte informada”.
A agência Fars classificou as afirmações de Trump como “distantes da realidade” e informou que, no texto mais recente em negociação, a administração do Estreito de Ormuz “permaneceria exclusivamente sob a autoridade e o critério da República Islâmica do Irã” caso um acordo seja fechado.
Para o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, “ao longo da última semana, o processo vem se movendo na direção de uma convergência de visões”. Continuam em aberto, no entanto, três pontos sensíveis: o programa nuclear iraniano, a liberação de ativos do país que estão congelados no exterior e a administração futura do estreito.
Segundo apurou a agência Axios com fonte do governo americano, o pacto preveria uma extensão de 60 dias do atual cessar-fogo, durante a qual o estreito seria reaberto e o Irã teria liberdade para vender seu petróleo.
Negociações sobre o programa nuclear viriam em seguida. O texto também estipularia o fim da guerra paralela entre Israel e o Hezbollah no Líbano, ponto que o governo israelense pode resistir a endossar.
Pano de fundo
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã. A retaliação de Teerã, com mísseis e drones contra países do Golfo Pérsico, resultou em milhares de mortes, a maioria em território iraniano e no Líbano.
O fechamento de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e GNL, deflagrou crise energética global e pressionou economias bem distantes do Oriente Médio.
Sem um acordo, o petróleo segue acima de US$ 100 por barril. A alta do combustível tem corroído a popularidade de Trump em casa, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro, que vão definir o controle do Congresso.
Por outro lado, fechar acordo carrega risco político: aliados mais belicosos pressionam o presidente a continuar a campanha de bombardeios até que todos os objetivos declarados sejam alcançados.
O senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Forças Armadas, escreveu em rede social pouco antes do anúncio de Trump que um novo cessar-fogo “seria um desastre”. “Tudo que foi conquistado pela Operação Epic Fury seria em vão”, afirmou.
Paquistão, Emirados Árabes, Catar, Arábia Saudita, Egito e Turquia vêm atuando como mediadores das negociações, que tentam estender o frágil cessar-fogo de seis semanas.
©2026 Bloomberg L.P.
