Trump assinou uma ordem executiva que primeiro identificará quais países fornecem petróleo a Cuba e, em seguida, decidirá quais tarifas de exportação adicionais devem ser impostas.
“O governo de Cuba tomou medidas extraordinárias que prejudicam e ameaçam os Estados Unidos”, escreveu Trump na ordem executiva. “O regime se alinha com — e fornece apoio a — inúmeros países hostis, grupos terroristas transnacionais e atores malignos contrários aos Estados Unidos.”
O México também ficará sob nova pressão dos EUA como resultado da ordem de Trump. O país se tornou o principal fornecedor estrangeiro de petróleo a Cuba nos últimos anos, à medida que os embarques venezuelanos despencaram em meio à crise econômica da nação.
Neste mês, o México voltou atrás em seus planos de enviar um carregamento de petróleo bruto para a ilha caribenha, de acordo com documentos vistos pela Bloomberg News.
A medida de Trump ocorre horas depois de a presidente Claudia Sheinbaum ter destacado uma conversa “cordial” com seu homólogo dos EUA, focada em comércio e sem abordar a questão de Cuba, de acordo com a líder mexicana.
Seu gabinete não quis comentar o anúncio de Trump, mas informou que ela abordaria o assunto em sua próxima coletiva de imprensa.
O México emergiu como um dos poucos fornecedores estrangeiros de combustível que restaram a Cuba, após o país ter visto uma queda nas remessas vindas da Venezuela, que durante anos enviou petróleo fortemente subsidiado em troca de pessoal médico e de segurança.
“Isso é principalmente para dissuadir o México de vender petróleo para Cuba”, disse o especialista em energia da Universidade Rice, Francisco Monaldi. “Este é um golpe massivo para Cuba, que rapidamente colocará a ilha em uma situação extremamente grave”.
O Ministério das Relações Exteriores do México não respondeu a perguntas sobre a ordem de Trump, e o Ministério da Economia não quis comentar.
México sob pressão
A mais recente ameaça de Trump coloca o México, principal parceiro comercial dos EUA, novamente na mira. Os dois vizinhos, juntamente com o Canadá, devem revisar o pacto comercial regional USMCA ainda neste ano, com grandes implicações para a economia mexicana, voltada à exportação.
Diplomatas europeus expressaram preocupação com a possibilidade de Cuba enfrentar uma crise humanitária, caso Trump continue a restringir o fornecimento de combustível ao país. Os embarques de petróleo foram reduzidos desde a operação para capturar o venezuelano Nicolás Maduro, e a insistência subsequente do governo Trump para que o governo interino do país cessasse o apoio energético a Havana.
“NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO INDO PARA CUBA – ZERO!”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais neste mês, instando a liderança da ilha a “fazer um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”.
No ano passado, a petrolífera estatal mexicana Pemex enviou, em média, um navio por mês para Cuba, o equivalente a 20.000 barris de petróleo bruto por dia, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
