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Trump afirma que companhias dos EUA tomarão o controle do petróleo venezuelano

EUA vão "administrar o país" até a chegada de um novo governo. Medida inclui dar o controle da exploração de petróleo por lá a empresas americanas

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Donald Trump afirmou que os EUA administrariam a Venezuela até que uma transição pudesse ser organizada, horas após uma operação americana capturar o líder Nicolás Maduro, retirando o homem forte do poder após meses de crescente pressão militar e econômica sobre seu regime.

“Vamos administrar o país até o momento em que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa”, disse Trump no sábado, em uma entrevista coletiva em sua propriedade de Mar-a-Lago, na Flórida. “Portanto, não queremos nos envolver em deixar outra pessoa entrar e termos a mesma situação que tivemos durante o último longo período de anos.”

Trump disse que a administração americana da Venezuela incluiria o envio de empresas petrolíferas dos EUA para o país, embora tenha indicado que seu embargo “sobre todo o petróleo venezuelano permanece em pleno vigor” e que as forças dos EUA continuariam em alerta.

“Teremos nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores de qualquer lugar do mundo, entrando, gastando bilhões de dólares, consertando a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura petrolífera, e começando a ganhar dinheiro para o país”, disse Trump.

Mas o presidente ofereceu poucos outros detalhes sobre como planejava administrar o país, dizendo que isso seria feito “com um grupo” composto majoritariamente por altos funcionários dos EUA e com ênfase na reparação da infraestrutura petrolífera e na garantia de que o povo da Venezuela fosse “também cuidado”. Questionado se haveria tropas americanas no terreno (boots on the ground), Trump disse que não tinha medo da ideia para garantir que o país fosse administrado corretamente.

Detalhes da captura

Maduro e sua esposa estavam viajando de navio para Nova York para enfrentar um indiciamento por supostos crimes de tráfico de drogas, armas e conspiração, disse o presidente dos EUA. Ele acrescentou que nenhum americano foi morto e nenhum equipamento militar dos EUA foi perdido na missão para capturar o líder venezuelano, chamando-a de “um assalto como as pessoas não viam desde a Segunda Guerra Mundial”.

O ataque ofereceu a mais recente demonstração dramática da disposição de Trump, em seu segundo mandato, de mobilizar o poder militar dos EUA para alcançar seus objetivos de política externa, com implicações abrangentes tanto para a Venezuela, uma nação com vastas reservas de petróleo, quanto para a região.

Trump disse que os EUA estavam preparados para realizar uma “segunda onda” de ataques, se necessário, mas que isso agora provavelmente não era preciso.

“A armada americana permanece de prontidão em posição, e os Estados Unidos retêm todas as opções militares até que as demandas dos Estados Unidos tenham sido totalmente atendidas e satisfeitas”, disse Trump.

Futuro político e doutrina Monroe

O presidente enfrenta agora uma série de decisões críticas sobre o futuro do país. Em uma entrevista à Fox News na manhã de sábado, ele disse que a administração estava decidindo os próximos passos para a Venezuela e prometeu que os EUA estariam “muito envolvidos nisso”.

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Trump apresentou a medida como alinhada com a política externa de longa data dos EUA, citando a Doutrina Monroe, que afirma a influência americana sobre o Hemisfério Ocidental. E ele citou o envolvimento e investimento dos EUA no setor de energia da Venezuela.

“Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, determinação e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anteriores, e a roubou por meio da força. Isso constituiu um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”, disse Trump.

“Sob o agora deposto ditador Maduro, a Venezuela estava hospedando cada vez mais adversários estrangeiros em nossa região e adquirindo armas ofensivas ameaçadoras que poderiam ameaçar os interesses e as vidas dos EUA”, acrescentou.

Trump estava acompanhado por autoridades, incluindo o Secretário de Defesa Pete Hegseth, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Chefe do Estado-Maior Conjunto Dan Caine.

Mais cedo no sábado, Trump instou os apoiadores de Maduro que ainda estão no país a mudarem suas lealdades, dizendo que “se eles permanecerem leais, o futuro será realmente ruim para eles”. Mas Trump também se esquivou quando perguntado se apoiaria a líder da oposição, María Corina Machado, que está em local desconhecido, para governar o país, dizendo “teremos que analisar isso”.

Machado disse no X que a oposição venezuelana estava pronta para assumir o poder, pedindo que Edmundo González — seu candidato substituto nas eleições recentes — assumisse o cargo e instando as forças armadas a reconhecê-lo.

Acusações federais

Trump há muito tempo enquadra sua campanha contra Maduro como focada em ameaças de drogas e terrorismo. Sucessivas administrações dos EUA atacaram o presidente venezuelano como um líder ilegítimo cujas políticas estimularam a hiperinflação, a grave escassez de alimentos e medicamentos e o êxodo de mais de 8 milhões de venezuelanos.

“O ditador ilegítimo Maduro era o chefão de uma vasta rede criminosa responsável pelo tráfico de quantidades colossais de drogas mortais e ilícitas para os Estados Unidos”, disse Trump no sábado, prometendo que o líder deposto e sua esposa enfrentariam todo o “poder da justiça americana e seriam julgados em solo americano”.

“As evidências esmagadoras de seus crimes serão apresentadas em um tribunal de justiça”, disse Trump.

A Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, disse no sábado que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados, com o líder venezuelano enfrentando acusações de “Conspiração de Narcoterrorismo, Conspiração para Importação de Cocaína, Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos, e Conspiração para Possuir Dispositivos Destrutivos contra os Estados Unidos”.

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