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União Europeia cogita tarifas sobre US$ 108 bilhões em produtos dos Estados Unidos após ameaça de Trump

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro

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A União Europeia está em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma taxa de 10% aos países europeus em 1º de fevereiro.

A UE também avalia contramedidas adicionais além das tarifas, mas primeiro tentará encontrar uma solução diplomática, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Representantes dos 27 países da UE se reuniram no domingo para começar a preparar as opções.

Os líderes da UE realizarão uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para analisar possíveis medidas retaliatórias. Em uma publicação nas redes sociais no domingo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que as nações do bloco estavam unidas em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e estavam prontas “para se defenderem contra qualquer forma de coerção”.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, a menos que haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. Trump fez a ameaça depois que os países disseram que realizariam exercícios simbólicos de planejamento militar da OTAN no território semiautônomo dinamarquês.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, criticou duramente os comentários de Trump como “completamente errados”, e Ulf Kristersson, da Suécia, disse que seu país não seria “chantageado”. O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, que chamou a ameaça como “inaceitável”, planeja solicitar que a UE acione seu instrumento de retaliação comercial mais poderoso, o chamado instrumento anticoerção.

A reação mais imediata e tangível da UE foi que ela iria suspender a aprovação do acordo comercial de julho com os EUA, que ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, o maior grupo no parlamento, afirmou que se uniria a outros partidos para bloquear a ratificação do acordo.

“O presidente Trump desencadeou uma avalanche que ameaça destruir décadas de cooperação transatlântica”, disse Stefan Lofven, presidente do Partido Socialista Europeu, em comunicado no domingo. O partido, cujo grupo parlamentar é o segundo maior em Bruxelas, apoia a suspensão do acordo comercial e pediu à UE que examine a utilização do instrumento anticoerção.

O acordo comercial, criticado por muitos na Europa por ser excessivamente desequilibrado a favor de Washington, previa que a UE concordasse em remover quase todas as tarifas sobre produtos americanos. A UE também aceitava uma taxa de 15% sobre a maioria das exportações para os EUA e de 50% sobre o aço e o alumínio. Desde então, os EUA ampliaram a lista de produtos sujeitos à alíquota mais alta de 50%, incluindo centenas de produtos adicionais que contêm esses metais.

A UE já aprovou tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos dos EUA, mas suspendeu a implementação. Se Trump levar adiante sua ameaça e impuser tarifas aos países no início de fevereiro, a UE poderá permitir a reintrodução de contramedidas, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

As medidas teriam como alvo produtos industriais americanos, incluindo aeronaves da Boeing, carros fabricados nos EUA e uísque bourbon.

A ameaça de tarifas de Trump pode se revelar uma interrupção indesejada do rali das ações europeias, que têm superado as dos EUA, conforme investidores direcionam recursos para diversos setores regionais, da defesa à mineração e fabricantes de equipamentos para chips. A perspectiva para a região tem sido impulsionada pelo aumento dos gastos fiscais na Alemanha, pela queda das taxas de juros e pela expectativa de melhora dos lucros.

Se Trump levar adiante a ameaça da tarifa total de 25%, as exportações dos países visados para os EUA poderão ser reduzidas em até 50%, sendo a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca as mais expostas, segundo estimativas da Bloomberg Economics.

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