A UE está preparada para assinar um memorando de entendimento com os EUA para desenvolver, em até três meses, um “Roteiro de Parceria Estratégica”, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A parceria tem como objetivo encontrar, de forma conjunta, maneiras de obter minerais críticos — essenciais para a maioria das tecnologias modernas — sem depender da China. Tanto os EUA quanto a UE passaram a depender de minerais chineses abundantes e baratos, o que dá a Pequim influência sobre suas cadeias de suprimentos.
A proposta oferece diversas formas de reduzir essa dependência, disseram as fontes, que falaram sob condição de anonimato para tratar de discussões privadas.
O memorando sugere que UE e EUA explorem projetos conjuntos em minerais críticos e mecanismos de sustentação de preços. Também recomenda medidas para proteger ambos os mercados contra um excesso de oferta de minerais externos e outras formas de manipulação de mercado. Além disso, o documento afirma que os dois lados devem construir cadeias de suprimento seguras entre si.
De forma relevante, a proposta da UE também exige que ambas as partes respeitem a integridade territorial uma da outra, acrescentaram as fontes. A relação entre EUA e UE quase se rompeu nas últimas semanas depois que o presidente Donald Trump sinalizou planos de comprar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, país-membro da UE.
A proposta europeia surge no momento em que os EUA se preparam para reunir, na quarta-feira, dezenas de ministros das Relações Exteriores e autoridades de alto escalão de países aliados para buscar acordos que reduzam a dependência de minerais críticos chineses.
Diversos governos americanos já fizeram esforços semelhantes ao longo dos anos, testando estratégias diferentes com pouco sucesso.
A Comissão Europeia, braço executivo da UE, classificou as negociações como “vitais para diversificar nossas fontes de suprimento e reduzir a dependência de qualquer país”, sem comentar diretamente a proposta do bloco.
Terras raras
O tema é prioridade máxima para Washington depois que Pequim impôs, no ano passado, restrições à exportação das chamadas terras raras. Essas restrições foram suspensas em outubro como parte de um acordo entre Trump e o líder chinês Xi Jinping, mas autoridades americanas agora estão determinadas a avançar rapidamente na questão.
Em especial, os EUA pressionam por um mecanismo de preços que ajude a proteger refinadores e extratores de terras raras contra exportações chinesas mais baratas, que poderiam inviabilizar a produção minerada e refinada no Ocidente.
Como parte dessa iniciativa, os EUA pressionaram alguns países da UE a firmar acordos bilaterais. Em resposta, a Comissão Europeia pediu que os países do bloco atuassem de forma coordenada, e as capitais europeias deram à Comissão um mandato para negociar um acordo.
Autoridades, no entanto, expressaram ceticismo de que um acordo substancial possa ser concluído com rapidez suficiente.
Ainda assim, a oferta da UE mostra que as negociações seguem avançando e revela que os dois lados podem encontrar pontos de convergência.
Por exemplo, segundo as fontes, o memorando europeu menciona a possibilidade de formação de estoques estratégicos de minerais críticos — uma prioridade também para Trump. Na segunda-feira, o presidente dos EUA lançou um programa de US$ 12 bilhões para a criação de um estoque de minerais críticos, com o objetivo de proteger fabricantes contra interrupções repentinas no fornecimento.
Os principais pilares da proposta que a UE redigiu e está pronta para assinar, de acordo com as fontes, são:
Cooperação para garantir cadeias de suprimento e reduzir dependências, inclusive por meio do desenvolvimento de mercados premium internacionais e de ações conjuntas para resistir a interrupções;
Aprofundamento da integração industrial e econômica, inclusive por meio de projetos conjuntos;
Isenção mútua de restrições à exportação relacionadas a minerais críticos;
Colaboração em pesquisa e inovação ao longo de toda a cadeia de valor;
Troca de informações, incluindo sobre cadeias de suprimento e identificação de riscos, além de esforços conjuntos para aumentar a transparência do mercado. Medidas para prevenir interrupções podem incluir a formação de estoques ou a criação de um grupo de resposta UE–EUA;
Cooperação em restrições à exportação aplicadas a terceiros países.
