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Finanças

Como Petrobras e Vale recuperaram boa parte dos R$ 33 bilhões que perderam em um dia

Retomada da bolsa é um exemplo de que nem todos os temores do mercado têm fundamento ou duram por muito tempo.

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Crédito: Shutterstock

O surto do coronavírus na China derrubou grandes empresas listadas na bolsa, diante do temor de que a epidemia seja mais nociva do que se imaginava. Na segunda-feira (27), dia em que o Ibovespa caiu 3,29%, Petrobras e Vale perderam, juntas, R$ 33,6 bilhões em valor de mercado, segundo a provedora de informações financeiras Economatica. Seria um grande baque se, no dia seguinte, não tivessem recuperado boa parte desse valor: R$ 20 bilhões.

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Em linha com a queda de siderúrgicas e companhias aéreas, os papéis da Vale (VALE3) recuaram 5,97%, enquanto a Petrobras (PETR4) perdeu 4,33%. Com isso, a mineradora e a estatal petroleira perderam, cada uma, R$ 16,8 bilhões em valor de mercado.

O tombo foi visto como natural, já que as duas blue chips estão entre as grandes exportadoras de commodities para a China: com o minério de ferro, no caso da Vale, e com o petróleo, no caso da Petrobras.

Se o surto prejudicar a economia chinesa, o mercado teme que a demanda por matérias-primas fique comprometida — uma vez que o país asiático é o grande consumidor destes produtos. Por que, então, as ações voltaram a subir com força no dia seguinte?

Depois da tempestade, a calmaria


Apesar da piora nos casos do coronavírus, as ações de Petrobras e Vale fecharam esta terça-feira (28) em alta de 2,75% e 1,37%, respectivamente. Conseguiram recuperar boa parte do que perderam, assim como outras ações do Ibovespa, que fechou em alta de 1,74% e retomou os 116 mil pontos.

Essa retomada tão veloz é um exemplo de que nem todos os temores do mercado têm fundamento ou duram por muito tempo. Pela lógica do mercado, foi um movimento de correção. Ele acontece sempre que os investidores aproveitam fortes quedas para comprar ações mais baratas e, assim, lucrar no futuro. Esse movimento força os papéis para cima novamente.

“O mercado age por expectativa diante de um fato cujo tamanho ainda não se pode entender. E isso nem sempre acontece de forma racional”, avalia José Falcão de Castro, analista de investimentos da Easynvest. Ou seja, crises que ainda não entraram na conta do mercado — como o surto do coronavírus — acabam abrindo uma janela de oportunidade para quem busca papéis mais atrativos.

“Ainda é cedo para termos uma visão clara deste impacto, o que mantém a incerteza elevada e a volatilidade dos mercados”, afirma ao InvestNews Dan Kawa, gestor e sócio-diretor da TAG Investimentos.

E o investidor, como fica?

Um exemplo de como temores que derrubam bolsas podem ter sido infundados, segundo especialistas, é que o cenário no Brasil continua construtivo, apesar do cenário externo conturbado. O mercado espera um PIB de 2,31% para 2020, e já precificou um novo corte de juros na próxima reunião do Copom, na semana que vem — o que levaria a Selic a 4,25% ao ano.

Castro recomenda que o investidor mantenha a calma diante de crises das quais não se tem controle, como é o caso de uma epidemia. “A melhor proteção é formar uma carteira de longo prazo e comprar ativos mais seguros como o ouro e o dólar, para minimizar prejuízos”, diz.

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