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Riscos geopolíticos e incertezas sobre o Fed impulsionam ouro à melhor semana desde 2020

Metal alcançou nova máxima histórica e deve fechar a semana com valorização acima de 7%

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O ouro caminha para sua melhor semana em seis anos, com o rali impulsionado por riscos geopolíticos e ameaças renovadas à independência do Federal Reserve.

O metal precioso se estabilizou após disparar para um recorde acima de US$ 4.967 a onça nesta sexta-feira, e estava a caminho de um ganho semanal de mais de 7%, o desempenho mais forte desde março de 2020. A prata subiu para uma máxima histórica, pouco abaixo de US$ 100 a onça, enquanto a platina também atingiu um recorde. Um importante indicador da moeda americana também está no rumo para sua pior semana em sete meses, tornando os metais preciosos mais baratos para a maioria dos compradores.

“O ouro está passando por uma reavaliação sustentada à medida que fissuras aparecem na ordem baseada em regras do pós-Segunda Guerra Mundial”, disse Yuxuan Tang, chefe de estratégia macro para a Ásia do JPMorgan Private Bank. “Os investidores veem cada vez mais o ouro como uma proteção confiável contra esses riscos de mudança de regime difíceis de quantificar.”

Após registrar o melhor desempenho anual desde 1979, o ouro estendeu um rali vertiginoso, e ganhou mais 14% neste ano. Os ataques renovados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Federal Reserve, juntamente com a intervenção militar na Venezuela e as ameaças de anexação da Groenlândia, adicionaram ímpeto ao chamado trade de desvalorização, no qual os investidores recuam de títulos soberanos e moedas em favor de ativos de refúgio alternativos, como o ouro.

“A busca por um refúgio seguro continua sendo o fator mais importante”, escreveram analistas do Commerzbank em nota nesta sexta-feira: “No curto prazo, entretanto, o rali pode dar uma pausa, já que a disputa pela Groenlândia parece ter sido resolvida por ora.”

O banco central da Polônia, o maior comprador de ouro do mundo, nesta semana aprovou planos para adquirir mais 150 toneladas, conforme se prepara para uma elevada instabilidade geopolítica. Enquanto isso, as participações da Índia em Treasuries dos EUA caíram para uma mínima de cinco anos, à medida que o ouro e outras alternativas conquistam uma fatia maior, refletindo uma guinada mais ampla de algumas das grandes economias para fora do maior mercado de títulos de dívida do mundo.

Escolha de Trump

Os investidores agora aguardam a escolha de Trump para o próximo presidente do Federal Reserve, depois que o presidente americano disse que havia concluído as entrevistas com os candidatos e ter reiterado que já tinha alguém em mente. Uma nomeação mais dovish reforçaria as expectativas de novos cortes na taxa de juros neste ano — o que normalmente favorece o ouro, sem rendimento — após três reduções consecutivas.

Os investidores também estão acompanhando de perto o resultado das negociações entre o presidente russo, Vladimir Putin, e os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, sobre uma proposta de plano de paz para encerrar a guerra na Ucrânia.

A prata, embalada pelo rali do ouro, mais que triplicou no último ano. O metal também foi impulsionado por um histórico aperto no mercado e por uma disparada nas compras de varejo que deixou bancos e refinarias correndo para atender à demanda sem precedentes.

A confusão em torno de uma atualização de política chinesa sobre licenças de exportação alimentou ainda mais a percepção de escassez, enquanto o mercado permanece excepcionalmente volátil, mesmo depois de os EUA terem deixado de impor tarifas amplas de importação sobre minerais críticos, incluindo prata e platina.

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