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Taxas de contratos futuros sobem em dia de ajustes após semana favorável ao BR

Apesar do desempenho positivo, as taxas seguiram em patamares bem mais baixos que os verificados há algumas semanas.

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Após o fechamento recente da curva a termo, as taxas dos contratos futuros de juros encerraram a sessão desta sexta-feira (14) em alta, com investidores ajustando posições e realizando lucros, em um dia marcado por noticiário esvaziado no Brasil e pelo avanço nos rendimentos dos Treasuries.

Durante a semana, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibiram quedas consistentes, na esteira da desaceleração da inflação no Brasil e do otimismo em torno do novo arcabouço fiscal. Até a quinta-feira, somente a taxa do contrato para janeiro de 2026 havia recuado 36 pontos-base, por exemplo.

Nesta sexta-feira, porém, houve certa recomposição de taxas, ainda que em intensidade limitada. A taxa do DI para 2026 subiu 10 pontos-base.

“O mercado está revertendo o movimento forte dos últimos dias, porque tivemos um fechamento bastante forte na curva, principalmente após o IPCA com a composição boa, o que fez o mercado precificar corte de juros mais rápido”, comentou Wagner Varejão, especialista em investimentos e sócio da Valor Investimentos.

Na terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia divulgado o IPCA de março, com alta de 0,71%, depois de ter avançado 0,84% em fevereiro. O dado disparou o movimento de retirada de prêmios da curva, com investidores precificando chances maiores de o Banco Central iniciar no curto prazo o processo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano.

“Depois de um movimento forte assim, costuma haver uma correção. Isso é normal”, afirmou Varejão, ao justificar a elevação das taxas nesta sexta-feira.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 13,19%, ante 13,16% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 11,885%, ante 11,776%. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 11,645%, ante 11,54% do ajuste anterior e a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,745%, ante 11,645%.

Perto do fechamento, a curva a termo precificava 7% de chances de o Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual no encontro de política monetária de maio e 93% de probabilidade de ele manter a taxa em 13,75% ao ano.

Ainda que tenham subido, as taxas seguiram em patamares bem mais baixos que os verificados há algumas semanas. Um mês atrás, em 14 de março, o ajuste do DI para 2026 foi de 12,338% –ou 69 pontos-base acima do verificado no fechamento desta sexta-feira.

Por trás deste movimento de retirada de prêmios está um ambiente mais favorável no exterior e o otimismo no Brasil com o novo arcabouço fiscal.

Mesmo que a proposta do governo seja alvo de críticas e desconfiança por parte do mercado, a avaliação de profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias é de que ter uma regra fiscal, ainda que falha, é melhor do que não ter.

Pela manhã, o IBGE informou que o setor de serviços no Brasil teve contração de 3,1% em janeiro ante dezembro. Para alguns analistas, o setor já começa a sentir os efeitos mais fortes da Selic elevada.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries subiam nesta tarde, após dados sugerirem que a economia norte-americana não está em desaceleração rápida o suficiente para impedir o Federal Reserve de elevar novamente a taxa de juros na próxima reunião de política monetária.

As vendas no varejo dos EUA recuaram 1% no mês passado, ante previsão de baixa de 0,4% pelos economistas consultados pela Reuters. Já a confiança do consumidor norte-americano subiu este mês para 63,5, de acordo com pesquisa preliminar da Universidade de Michigan para abril.

Além disso, comentários do diretor do Fed Christopher Waller, dizendo que os custos de empréstimos mais altos são necessários para restaurar a inflação à meta de 2%, reforçaram ainda mais a perspectiva de aumento da taxa de juros nos EUA e reduziram as apostas de flexibilização neste ano.

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