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‘Presenteísmo’: quais os danos de estar no trabalho, mas com a cabeça longe?

Estar desconectado do trabalho, mesmo presente, não tem a ver com ‘má vontade’, lembra especialista.

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Foto: Yan Krukov/Pexels

A situação não é rara: um trabalhador passa muitas horas do seu dia na empresa, mas isso não significa necessariamente que ele está gerando mais resultados. A situação é chamada de “presenteísmo”, e pode causar danos ao funcionário e à própria empresa na qual ele trabalha, como explica o neuropsicanalista Renato Lisboa.

“Presenteísmo é o fato de o trabalhador estar no trabalho de corpo presente, ou seja, batendo cartão, mas tendo a sua capacidade laborativa limitada em função de problemas físicos ou psíquicos que o tornam ausente, desconectado do trabalho, com os pensamentos longe das atividades que precisa desenvolver”, diz Lisboa, que é autor do livro “3 Segundos: Escolhas que transformam a vida” e vice-presidente da Abrapcoaching.

O especialista lembra que a situação “não tem nenhuma relação com mau-caratismo do trabalhador ou uma suposta má vontade“. “Fato é que, inconscientemente, o trabalhador é ‘obrigado’ a se abster do trabalho, em virtude de uma resposta inconsciente e automática da mente em função dele estar exposto por longo período a uma grande carga de estresse em seu local de trabalho”.

Presenteísmo x Burnout

É comum que uma situação de “presenteísmo” no trabalho seja associada ou confundida com a Síndrome de Burnout, mas Lisboa aponta que essa relação não está correta.

Segundo informações do Ministério da Saúde, a Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é definida como um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extremaestresse e esgotamento físico como resultado de situações de trabalho desgastante. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.

De qualquer maneira, ainda que a situação de “presenteísmo” não se enquadre exatamente nos mesmos critérios da Síndrome de Burnout, Lisboa ressalta os malefícios que pode trazer para a saúde do trabalhador.

“Pesquisa recente publicada pela International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR), que entrevistou 1.000 trabalhadores com idades entre 25 e 60 anos, apontou que 89% relataram que o comportamento presenteísta vinha com dores de cabeça acompanhadas de dores musculares, confirmando que o comportamento desencadeia no trabalhador sintomas físicos e emocionais, apresentando esgotamento físico e mental“, cita o neuropsicanalista.

“A pesquisa também apurou que aproximadamente 23% dos trabalhadores apresentam o comportamento presenteísta e que no setor industrial os números podem chegar à impressionante marca de 35%.”

Como nasce o presenteísmo?

Lisboa relaciona o que chama de uma “cultura do presenteísmo” ao forte estímulo por competitividade nas empresas. “A presença assídua de certo modo evita o ‘absenteísmo’, mas provoca forte pressão mental na psique do trabalhador, que evita a todo custo o seu afastamento do local de trabalho, apesar de suas limitações.”

Ele acrescenta que “o presenteísmo pode estar associado também a fatores externos à organização. Acumulados com os estressores organizacionais, estes levam o colaborador a exercer o comportamento presenteísta”.

“Fatores como insônia e incapacidade, quando medidos por fatores somáticos e psicológicos, apontam para uma relação direta entre a qualidade do sono e o comportamento presenteísta”, diz.

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