{"id":16922,"date":"2020-08-17T05:00:00","date_gmt":"2020-08-17T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=16922"},"modified":"2020-08-17T19:11:40","modified_gmt":"2020-08-17T22:11:40","slug":"cvm-acesso-a-bdrs-abre-caminho-para-novas-listagens-de-empresas-na-b3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/financas\/cvm-acesso-a-bdrs-abre-caminho-para-novas-listagens-de-empresas-na-b3\/","title":{"rendered":"CVM: acesso a BDRs abre caminho para novas listagens de empresas na B3"},"content":{"rendered":"\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de que mais brasileiros passaram a abrir contas nos EUA para ter acesso a a\u00e7\u00f5es estrangeiras foi o que motivou a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) a <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/financas\/pessoas-fisicas-poderao-comprar-bdrs-de-acoes-brasileiras-a-partir-de-setembro\/\" class=\"rank-math-link\">permitir o alcance do pequeno investidor aos BDRs<\/a> (Brazilian Depositary Receipts) n\u00edvel 1<strong>. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do superintendente de desenvolvimento de mercado do \u00f3rg\u00e3o, Antonio Berwanger, em entrevista exclusiva ao InvestNews<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a, que entra em vigor em 1\u00ba de setembro, permite que investidores n\u00e3o qualificados (com menos de R$ 1 milh\u00e3o investidos) tenham mais acesso a pap\u00e9is de empresas estrangeiras no Brasil, por meio destes recibos de a\u00e7\u00f5es listadas l\u00e1 fora. A regra tamb\u00e9m amplia o acesso a fundos de \u00edndices (<a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/etfs-o-que-sao-como-funcionam\/\">ETFs<\/a>) e a\u00e7\u00f5es brasileiras. At\u00e9 ent\u00e3o, apenas investidores qualificados tinham acesso aos BRDs.  <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Berwanger, o pontap\u00e9 da CVM para facilitar o processo partiu da necessidade de pessoas f\u00edsicas internacionalizarem a carteira de investimentos, ficarem menos expostas a riscos cambiais no Brasil e fazerem tudo isso sem precisar sair do pa\u00eds. Foi efeito de um aumento exponencial nos \u00faltimos anos de pessoas f\u00edsicas que buscam investir no exterior.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"InvestNews Entrevista: BDRs abrem caminho para investimentos no exterior\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wAoljJJrrhg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Embora os BDRs sejam apontados por muitos como um produto vol\u00e1til, exposto a riscos, Berwanger diz estar tranquilo com o fato de que <strong>uma das exig\u00eancias da CVM foi que os intermedi\u00e1rios ofere\u00e7am produtos adequados para cada perfil<\/strong>, mostrando \u00e0s pessoas os perigos da escolha.  <\/p>\n\n\n\n<p>O superintendente do \u00f3rg\u00e3o destaca que a maioria dos BDRs segue companhias reconhecidas e fortes no mercado internacional, negociadas nas maiores bolsas de valores do mundo, o que reduz a preocupa\u00e7\u00e3o com impasses. Alguns exemplos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es das gigantes Google, Netflix e Facebook. &#8220;O investidor naturalmente se interessa por a\u00e7\u00f5es mais conhecidas. Nos parece uma op\u00e7\u00e3o de investimento menos arriscada que algumas op\u00e7\u00f5es para n\u00e3o qualificados que ele encontraria no nosso mercado&#8221;, observa Berwanger.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entenda abaixo os quatro pontos principais da nova regra dos BDRs n\u00edvel 1, segundo a CVM:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Investidores n\u00e3o qualificados agora podem comprar BDRs de N\u00edvel I e tamb\u00e9m BDRs n\u00e3o patrocinados de grandes empresas negociadas nos EUA, tudo por meio da B3. <\/li><li>Empresas com opera\u00e7\u00e3o no Brasil, mas que fizeram o seu <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/ipo-o-que-e-e-como-funciona\/\">IPO<\/a> no exterior agora tamb\u00e9m podem emitir BDRs no Brasil com lastro nestas a\u00e7\u00f5es. <\/li><li>Outros valores mobili\u00e1rios tamb\u00e9m podem ter lastro em BDRs, \u00e9 o caso dos  exchange-traded fund (ETFS), que s\u00e3o negociados no exterior. E tamb\u00e9m os t\u00edtulos de d\u00edvida negociados l\u00e1 fora agora podem ser lastreados por BDRs emitidos no Brasil. <\/li><li>Tanto os ETFs como t\u00edtulos de d\u00edvida lastreados por BDRs agora podem ser feitos por companhias brasileiras registradas na CVM, que tenham valores negociados no exterior. <\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00f5es brasileiras listadas em NY<\/h2>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, uma das novidades que agradou o mercado \u00e9 a possibilidade de poder investir por meio de BDRs em companhias que fizeram IPO l\u00e1 fora. Entre elas, Stone, PagSeguro, Afya e Arco Educa\u00e7\u00e3o. Berwanger explica que \u00e9 inevit\u00e1vel que companhias brasileiras decidam abrir capital no exterior, por ser uma decis\u00e3o econ\u00f4mica mais vantajosa. &#8220;N\u00e3o existe medida regulat\u00f3ria que impe\u00e7a isso&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, defende que <strong>a nova regra para os BDRs tem por objetivo reter um pouco da liquidez nas negocia\u00e7\u00f5es destas companhias aqui no Brasil<\/strong>. Desta forma, investidores brasileiros que t\u00eam um contato frequente com essas empresas utilizando seus produtos ou servi\u00e7os agora podem tamb\u00e9m adquirir parte dessa oferta p\u00fablica por meio dos BDRs.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o superintendente da CVM, a maioria das companhias brasileiras que fazem IPO no exterior s\u00e3o empresas com base tecnol\u00f3gica muito forte, mas que tamb\u00e9m consideram alguns fatores importantes. Um deles \u00e9 o volume levantado no exterior ao fazer a abertura de capital, que tende a ser superior ao que teria no Brasil. Al\u00e9m disso, a empresa tem a chance de receber mais por suas a\u00e7\u00f5es e fica exposta  a mercados que t\u00eam investidores mais sofisticados do que a bolsa brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 claro que existem outros aspectos, como quest\u00f5es societ\u00e1rias. Mas, na maioria das empresas que acompanhamos, o que pesou na abertura de capital no exterior foram os m\u00faltiplos [instrumento que avalia quando uma a\u00e7\u00e3o est\u00e1 cara ou barata]&#8221;, explica Berwanger. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas com a mudan\u00e7a nos BDRs, <strong>agora \u00e9 poss\u00edvel que a empresa que fez IPO no exterior possa fazer uma oferta no Brasil lastreando as suas a\u00e7\u00f5es <\/strong>emitidas. Para isso, existem duas alternativas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A empresa faz seu IPO l\u00e1 fora e reserva uma quantidade de a\u00e7\u00f5es para lastrear nos BDRs emitidos no Brasil. Tudo isso em uma oferta simult\u00e2nea.<\/li><li>Se a empresa j\u00e1 fez IPO no exterior, pode fazer uma oferta secund\u00e1ria (follow on) para captar recursos no Brasil lastreando suas a\u00e7\u00f5es. <\/li><li>A exig\u00eancia da CVM para ambas as situa\u00e7\u00f5es que \u00e9 a maior parte dos recursos da companhia seja destinada ao mercado exterior e apenas uma parte menor dessa liquidez seja destinada ao Brasil. <\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da novidade para os IPOs, outra quest\u00e3o que ser\u00e1 implementada na regra dos BDRs \u00e9 a possibilidade dos investidores brasileiros participarem das emiss\u00f5es de d\u00edvida em outros mercados. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Raphael Ac\u00e1cio, gerente de desenvolvimento de normas da CVM, quando se fala em IPO, as companhias ainda t\u00eam escolha de fazer isso no Brasil ou no exterior. Mas o cen\u00e1rio muda quando o assunto \u00e9 o mercado de d\u00edvidas, que \u00e9 mais forte l\u00e1 fora. &#8220;Quando se fala em d\u00edvidas nem se questiona, a emiss\u00e3o sempre vai ser no exterior&#8221;, afirma.  <\/p>\n\n\n\n<p>Mas, com a nova regra da CVM, o investidor ter\u00e1 acesso tamb\u00e9m a este mercado lastreado em t\u00edtulos soberanos do exterior (d\u00edvida p\u00fablica), uma alternativa que n\u00e3o existia para a pessoa f\u00edsica no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Riscos para o investidor <\/h2>\n\n\n\n<p>Com todas as novas alternativas para negociar no exterior, muitos investidores iniciantes podem se deixar levar pela emo\u00e7\u00e3o e esquecer que para comprar BDRs tamb\u00e9m \u00e9 preciso fazer uma an\u00e1lise detalhista. Vale seguir o mesmo procedimento j\u00e1 utilizado para comprar a\u00e7\u00f5es brasileiras: analisar o desempenho da companhia, resultados, hist\u00f3rico e fundamentos. <\/p>\n\n\n\n<p>Por este motivo, o entrevistado da CVM listou uma s\u00e9rie de aspectos que devem ser lembrados antes de comprar BDRs. Desta forma, os investidores podem avaliar se est\u00e3o confort\u00e1veis com os riscos. Por\u00e9m, caso estes aspectos sejam uma limita\u00e7\u00e3o, talvez BDRs n\u00e3o sejam seu produto ideal. Veja abaixo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>BDRs s\u00e3o ativos transacionados no exterior, muitas vezes de um emissor estrangeiro e com a\u00e7\u00f5es negociadas l\u00e1 fora. <\/li><li>Muitas informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos emissores destas a\u00e7\u00f5es podem estar em um idioma diferente do portugu\u00eas. Apesar das exig\u00eancias de tradu\u00e7\u00e3o da CVM, o investidor brasileiro nem sempre ter\u00e1 f\u00e1cil acesso a dados da companhia ou dos preg\u00f5es.<\/li><li>Existe o risco de varia\u00e7\u00e3o cambial, que pode ser uma vantagem ou desvantagem. Muitas vezes, o BDR pode ter varia\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao real ou enquanto a a\u00e7\u00e3o se valoriza l\u00e1 fora, o real pode desvalorizar. <\/li><li>O investidor tamb\u00e9m pode aproveitar esta varia\u00e7\u00e3o cambial para se proteger da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real. <\/li><li>Ao investir em BDR, voc\u00ea est\u00e1 comprando um ativo de uma companhia estrangeira inserida em um ambiente legal diferente. Como investidor, provavelmente voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 os mesmos direitos que na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. <\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O investidor deve ser minucioso n\u00e3o apenas na an\u00e1lise de ativos de companhias estrangeiras. Segundo Raphael Ac\u00e1cio, superintendente Rela\u00e7\u00f5es com Empresas (SEP) da CVM, estes mesmos cuidados prevalecem na hora de investir em BDRs de companhias brasileiras. &#8220;Apesar destas companhias terem sua atividade econ\u00f4mica presente no Brasil, a sede est\u00e1 em outra jurisdi\u00e7\u00e3o e l\u00e1 se submetem a uma legisla\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria diferente&#8221;, adverte. <\/p>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia, embora os riscos sejam menores que uma empresa 100% americana, por exemplo, por n\u00e3o estar produzindo em uma economia diferente, os riscos tamb\u00e9m s\u00e3o muito diferentes de uma a\u00e7\u00e3o brasileira. &#8220;O investidor n\u00e3o pode cair na armadilha de achar que est\u00e1 comprando uma empresa brasileira porque \u00e9 uma marca que conhece aqui&#8221;, conclui Ac\u00e1cio. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva ao InvestNews, superintendente do \u00f3rg\u00e3o explicou que a procura crescente do brasileiro por a\u00e7\u00f5es estrangeiras motivou a flexibiliza\u00e7\u00e3o do acesso.<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":17045,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1867,1048,41,223,327,289,590,1866,1189],"autor-wsj":[],"coauthors":[1500],"class_list":["post-16922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-financas","tag-arco-educacao","tag-bdrs","tag-cvm","tag-financas-pessoais","tag-google","tag-investimentos","tag-netflix","tag-pagseguro","tag-stone"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/16922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=16922"}],"version-history":[{"count":44,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/16922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17120,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/16922\/revisions\/17120"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/17045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=16922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=16922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=16922"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=16922"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=16922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}