{"id":234016,"date":"2021-03-10T07:00:45","date_gmt":"2021-03-10T10:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=234016"},"modified":"2024-06-24T15:01:34","modified_gmt":"2024-06-24T18:01:34","slug":"os-carros-populares-no-brasil-vao-acabar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/colunistas\/os-carros-populares-no-brasil-vao-acabar\/","title":{"rendered":"Os carros populares no Brasil v\u00e3o acabar?"},"content":{"rendered":"\n<p>Carro nunca foi algo barato ou acess\u00edvel no Brasil. E, infelizmente,<strong> a tend\u00eancia \u00e9 que os carros considerados \u201cpopulares\u201d sejam cada vez mais raros. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje, s\u00f3 existem dois modelos que podem ser chamados de populares<\/strong>: Fiat Mobi e Renault Kwid. <a aria-label=\"Eles s\u00e3o vendidos a partir de R$ 42 mil, cada (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/primeiramarcha.com.br\/2021\/02\/carro-novo-mais-barato-do-brasil-ja-custa-mais-de-r-40-mil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">Eles s\u00e3o vendidos a partir de R$ 42 mil, cada<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/Mobi_Like_0037-large-1024x688.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-234022\"\/><figcaption>Fiat Mobi (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nessas vers\u00f5es mais baratas, s\u00e3o os \u00fanicos carros novos do\nBrasil que n\u00e3o t\u00eam ar-condicionado, dire\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ou hidr\u00e1ulica, vidros ou\ntravas el\u00e9tricos. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Depois deles, todos os outros carros zero km j\u00e1 custam mais de R$ 50 mil <\/strong>e t\u00eam os equipamentos citados no par\u00e1grafo anterior. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mortes anunciadas<\/h2>\n\n\n\n<p>Um conjunto de fatores explica o desaparecimento dos carros\npopulares. <\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles \u00e9 a constante<strong> evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia e das legisla\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e emiss\u00f5es de poluentes. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Carros populares t\u00eam projetos simples de engenharia, e nem\nsempre podem receber itens de seguran\u00e7a mais tecnol\u00f3gicos. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/Fiat-Uno-Mille-4-1024x776.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-234026\"\/><figcaption>Fiat Uno Mille (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um exemplo \u00e9 o Fiat Uno Mille, desenvolvido na d\u00e9cada de 1980. Sua produ\u00e7\u00e3o foi encerrada no final de 2013. O motivo? O projeto do Uno n\u00e3o suportava receber airbags frontais e freios ABS, itens que seriam obrigat\u00f3rios em carros novos a partir de janeiro de 2014. <\/p>\n\n\n\n<p>Outra consequ\u00eancia do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico \u00e9 o <strong>aumento nos custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cada vez mais dif\u00edcil para as montadoras oferecerem carros\na pre\u00e7os populares. E isso vale n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil, mas em todos os mercados\nem que as regras ficam mais r\u00edgidas e os carros mais tecnol\u00f3gicos. <\/p>\n\n\n\n<p>Ter custos elevados para fazer carros com pre\u00e7o de venda mais baixo tamb\u00e9m quer dizer menor <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/como-calcular-margem-de-lucro\/\">margem de lucro<\/a>. <strong>No atual cen\u00e1rio de extrema competitividade na ind\u00fastria, \u00e9 mais lucrativo para as empresas fazer modelos mais caros e rent\u00e1veis.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, tamb\u00e9m podemos observar uma mudan\u00e7a no <strong>comportamento do p\u00fablico. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o consumidor brasileiro, o carro ideal \u00e9 o mais espa\u00e7oso poss\u00edvel, com maior porta-malas, motor mais potente (e econ\u00f4mico ao mesmo tempo) e com todos os equipamentos a que tem direito. Pelo menor pre\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>A brincadeira serve perfeitamente para ilustrar qu\u00e3o exigente \u00e9 o consumidor. Reflexo disso \u00e9 que <strong>alguns itens antes considerados \u201cmordomias\u201d aos poucos se tornaram indispens\u00e1veis. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o casso da dire\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica (depois el\u00e9trica) e do ar-condicionado. Carroceria com duas portas? Nem pensar. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>os carros populares de hoje s\u00e3o t\u00e3o equipados quanto modelos maiores de 10, 15 anos atr\u00e1s. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que o termo &#8220;popular&#8221; s\u00f3 deve ser usado no futuro como refer\u00eancia \u00e0 popularidade, sucesso nas vendas. E n\u00e3o como sin\u00f4nimo de pre\u00e7os acess\u00edveis. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3ria do carro popular n\u00e3o \u00e9 nova<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1960 h\u00e1 esfor\u00e7os por parte dos governos\ne\/ou da ind\u00fastria para oferecer modelos com pre\u00e7os um pouco mais populares. <\/p>\n\n\n\n<p>Seis d\u00e9cadas atr\u00e1s, o governo militar da \u00e9poca buscou\nincentivar as vendas criando uma linha de cr\u00e9dito na Caixa Econ\u00f4mica Federal\npara financiar a compra de ve\u00edculos. O \u00fanico requisito era que os pre\u00e7os\ndeveriam ser consideravelmente baixos. <\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada pelas montadoras para esse desafio foi\ntirar tudo que n\u00e3o era essencial em alguns modelos. <\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Fusca, que ganhou o apelido de \u201cp\u00e9 de boi\u201d, n\u00e3o\nsobraram nem marcador de combust\u00edvel e espelho retrovisor, que n\u00e3o eram itens\nobrigat\u00f3rios naquela \u00e9poca. <\/p>\n\n\n\n<p>A lista das aus\u00eancias ainda inclu\u00eda ilumina\u00e7\u00e3o na cabine,\ntampa do porta-luvas, rebatimento dos bancos dianteiros e qualquer acabamento\ncromado. Para baratear os custos, s\u00f3 duas op\u00e7\u00f5es de pintura: cinza claro ou\nazul. <\/p>\n\n\n\n<p>Dessa mesma \u00e9poca, tamb\u00e9m surgiu o Renault \u201cTeimoso\u201d, ainda mais simples. Os bancos s\u00f3 traziam estofamento parcial, deixando toda a arma\u00e7\u00e3o de metal \u00e0 mostra. Forros das portas e do teto foram removidos e s\u00f3 havia uma lanterna traseira, instalada em posi\u00e7\u00e3o central. <\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa do governo n\u00e3o foi adiante, e hoje esses\nmodelos s\u00e3o verdadeiras raridades. <\/p>\n\n\n\n<p>Quase 3 d\u00e9cadas depois, em 1990, novamente o governo buscou\nincentivar os carros populares. Dessa vez, aqueles carros que tivessem motor de\nat\u00e9 1.000 cm\u00b3 (o famoso 1.0) pagariam 50% menos IPI (imposto sobre produtos\nindustrializados). <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a Fiat correu para reduzir o volume de seu motor de\n1.050 cm\u00b3 para 999 cm\u00b3 e lan\u00e7ou o Uno Mille. Foi um verdadeiro sucesso de\nvendas. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse caminho foi seguido por outras fabricantes, e logo\nsurgiram Volkswagen Gol 1000, Ford Escort Hobby e Chevrolet Chevette Junior,\ntodos empurrados por motores 1.0.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carro 1.0 virou sin\u00f4nimo de popular,<\/strong> e permitiu que muita gente pudesse se locomover com um pouco mais de conforto. <\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, quando\npraticamente todas as grandes fabricantes do pa\u00eds tinham modelos de entrada e a\nmaioria dos carros vendidos no pa\u00eds eram populares. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Legisla\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e emiss\u00f5es mais r\u00edgidas e mudan\u00e7a no comportamento do p\u00fablico est\u00e3o acabando com modelos de entrada.<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":234021,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[2063],"tags":[802,297],"autor-wsj":[],"coauthors":[2354],"class_list":["post-234016","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunistas","tag-automoveis","tag-carros"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/234016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=234016"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/234016\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":234035,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/234016\/revisions\/234035"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/234021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=234016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=234016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=234016"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=234016"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=234016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}