{"id":235183,"date":"2021-03-17T05:30:00","date_gmt":"2021-03-17T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=235183"},"modified":"2025-07-14T11:27:28","modified_gmt":"2025-07-14T14:27:28","slug":"brasileiro-consome-mais-vinho-impulsiona-e-desafia-o-setor-que-mira-a-bolsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/brasileiro-consome-mais-vinho-impulsiona-e-desafia-o-setor-que-mira-a-bolsa\/","title":{"rendered":"Brasileiro consome mais vinho, impulsiona e desafia o setor, que mira a bolsa"},"content":{"rendered":"\n<p>Se por um lado 2020 exigiu resili\u00eancia e trouxe dificuldades para muitos segmentos, por outro teve os que se beneficiaram com os desdobramentos trazidos pela <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/tag\/pandemia\/\">pandemia do novo coronav\u00edrus<\/a>. E o <strong>mercado de vinhos<\/strong> foi um deles. A necessidade do isolamento social, fechamento e restri\u00e7\u00f5es ao funcionamento de\u00a0bares, restaurantes e cancelamento de eventos acabaram impulsionando os neg\u00f3cios do setor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/vinho-brasileiro-tem-salto-historico-no-ano-de-pandemia\/\" class=\"rank-math-link\">Vinho brasileiro tem salto hist\u00f3rico no ano de pandemia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Ideal Consulting, <strong>a comercializa\u00e7\u00e3o de vinhos no Brasil em 2020 cresceu 31% em rela\u00e7\u00e3o a 2019<\/strong>. Segundo a consultoria, a soma das vendas das vin\u00edcolas brasileiras com as importa\u00e7\u00f5es de vinhos e espumantes totalizou 501,1 milh\u00f5es de litros, contra 383,9 milh\u00f5es de litros no ano anterior. Foram 172,2 milh\u00f5es de litros a mais. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"705\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/20210316_vinhos.jpg\" alt=\"venda de vinhos no Brasil\" class=\"wp-image-235266\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/20210316_vinhos.jpg 750w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/20210316_vinhos-300x282.jpg 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/20210316_vinhos-172x162.jpg 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2021\/03\/20210316_vinhos-150x141.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Venda de vinhos no Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com este aumento, o consumo por pessoa, medido entre os maiores de 18 anos, ficou em 2,78 litros. Em 2019, eram 2,13 litros. Apesar desse crescimento, o consumo individual da bebida no pa\u00eds ainda segue baixo, ocupando a 74\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial, segundo a consultoria inglesa Wine Intelligence.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do aumento do consumo, cresceu tamb\u00e9m o n\u00famero de novos adeptos ao vinho no Brasil. De acordo a Wine Intelligence, em 2010, os consumidores regulares somavam 22,4 milh\u00f5es de pessoas.&nbsp;Uma d\u00e9cada depois, totalizou 39 milh\u00f5es. <strong>S\u00f3 entre 2019 e 2020, foram mais de 3 milh\u00f5es de novos consumidores regulares<\/strong>, aqueles que passaram consumir vinho ao menos uma vez por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o foi s\u00f3 diante dos consumidores que o mercado de vinhos chamou aten\u00e7\u00e3o em 2020. Ele se aproximou da <strong>bolsa de valores<\/strong> tamb\u00e9m. Com o <em>boom<\/em> de IPOs no ano passado, diversos foram os segmentos que protocolaram pedidos de abertura de capital junto \u00e0 Comiss\u00e3o&nbsp;de Valores Mobili\u00e1rios (CVM). E, entre eles, o de vinhos, como o clube de assinatura de vinhos Wine. <\/p>\n\n\n\n<p>A companhia pediu registro para oferta inicial de a\u00e7\u00f5es (IPO, na sigla em ingl\u00eas) em setembro de 2020, estimando levantar cerca de R$ 700 milh\u00f5es com o processo, mas suspendeu seus planos, citando \u201cinstabilidades no <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/como-funciona-o-mercado-financeiro\/\">mercado financeiro<\/a> e o ritmo acelerado e constante de crescimento da empresa\u201d. Neste m\u00eas, por\u00e9m, a empresa <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/wine-volta-a-pedir-registro-de-companhia-aberta\/\" class=\"rank-math-link\">voltou \u00e0 CVM com o pedido de registro de companhia aberta<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>2021 positivo para o setor<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Neste cen\u00e1rio, o ano de 2021 continua sendo visto com bons olhos por este mercado e com novos rumos para o setor.<\/p>\n\n\n\n<p>A importadora e distribuidora de vinhos <strong>Grand Cru estima crescer por volta 35% este ano<\/strong> e faturar acima dos R$ 310 milh\u00f5es. No ano passado, o faturamento foi de R$ 235 milh\u00f5es. A empresa, que possui 1.600 r\u00f3tulos e \u00e9 multicanal, tendo lojas pr\u00f3prias, franquias, vendas online, atendimento a supermercados e restaurantes, al\u00e9m de um clube de assinaturas, j\u00e1 est\u00e1 entregando 30% mais que em fevereiro do ano passado, antes do in\u00edcio da pandemia. Para 2021, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 abrir 35 lojas, n\u00famero muito maior que a m\u00e9dia, que fica entre 15 e 17 lojas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, a importadora viu seus canais de vendas ganharem novas dire\u00e7\u00f5es. Os restaurantes, por exemplo, representavam 80% do canal B2B (empresas que vendem para outras empresas) na pr\u00e9-pandemia. Em fevereiro de 2021, caiu para 25%. As lojas pr\u00f3prias representavam 33% e foram para 25%. J\u00e1 o canal digital saltou de 8% de representatividade para 25%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros est\u00e3o na esteira do que aponta a Wine Intelligence. Segundo a consultoria, o <strong>Brasil j\u00e1 \u00e9 o terceiro maior mercado do mundo, em n\u00famero absoluto, de consumidores de vinhos online.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o mais de 10,6 milh\u00f5es, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos (19,3 milh\u00f5es) e da China (27,3 milh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Este cen\u00e1rio fez a Grand Cru olhar ainda mais para os neg\u00f3cios digitais. \u201cA gente sempre foi multicanal e vinha crescendo em todos os canais. Se a empresa fosse s\u00f3 digital, talvez teria \u201csurfado uma onda\u201d melhor&nbsp;em 2020. Nossa base de clientes digital \u00e9 menor. Agora, o nosso desafio \u00e9 aumentar ela\u201d, diz Alexandre Bratt, CEO da importadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Bratt explica que a empresa, que tem como carros-chefes vinhos que ficam entre R$ 120 e R$ 300, sentiu no come\u00e7o da pandemia uma busca grande de consumidores por promo\u00e7\u00f5es. Com isso, o<strong> <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/ticket-medio\/\">ticket m\u00e9dio<\/a> da importadora caiu no come\u00e7o da pandemia<\/strong>. Ele conta que, neste per\u00edodo, o segmento de atua\u00e7\u00e3o da empresa diminuiu com for\u00e7a j\u00e1 que, na avalia\u00e7\u00e3o dele, as pessoas estavam mais preocupadas financeiramente e deixaram de consumir vinho caro. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas come\u00e7aram a procurar e a reagir muito a campanhas. Quem tivesse a melhor campanha iria trazer mais gente. E a Grand Cru n\u00e3o \u00e9 de fazer promo\u00e7\u00e3o, mas a gente fez mais para ajudar as lojas e franquias a vender\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, com o <strong>perdurar da pandemia e da necessidade de quarentena, a empresa conseguiu crescer e entregou crescimento&nbsp;30% maior de setembro a dezembro de 2020 na compara\u00e7\u00e3o com 2019<\/strong>, com destaque para a venda de vinhos de maior valor. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que a gente viu no final do ano foi quase uma invers\u00e3o. As pessoas que consomem vinhos mais caros, normalmente em viagens, acabaram perdendo as oportunidades de viajar e os vinhos das adegas delas foram terminando. Ent\u00e3o, vimos uma eleva\u00e7\u00e3o do ticket m\u00e9dio e uma venda muito maior de vinho de alto valor agregado. <strong>O consumo de vinhos acima de R$ 1.000 subiu mais do que 1.000%<\/strong> no final ano\u201d, destaca Bratt.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao <em>InvestNews<\/em>, o CEO da Grand Cru falou ainda sobre concorr\u00eancia, o futuro do mercado de vinhos, desafios para os neg\u00f3cios e da import\u00e2ncia do setor estar presente na bolsa de valores. Leia abaixo:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; Como est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com o vinho? A tend\u00eancia de aumento do consumo veio para ficar?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong> &#8211; Tem uma migra\u00e7\u00e3o natural. Isso aconteceu em muitos pa\u00edses. O Brasil est\u00e1 muito atr\u00e1s no mundo, a gente tem o consumo per capita de 2,7 litros por ano, o que significa menos de uma ta\u00e7a por m\u00eas por adulto, mas isso j\u00e1 \u00e9 um crescimento importante, pois, no come\u00e7o do ano de 2020, a gente estava com 2 litros por pessoa.&nbsp;Se comparar, na \u00c1frica do Sul s\u00e3o 9 litros per capita. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, a gente fica 20 vezes abaixo o consumo de l\u00e1. Mas, sim, <strong>mudou bastante o relacionamento do brasileiro com o vinho<\/strong>. A busca na internet pelo termo vinho aumentou, as postagens em redes socias tamb\u00e9m. O paladar n\u00e3o regride. <strong>A gente tem um cen\u00e1rio muito positivo pela frente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; A Grand Cru tem lojas pr\u00f3prias, lojas franqueadas e vendas para bares e restaurantes. Isso tudo foi impactado com as medidas de restri\u00e7\u00e3o social impostas por causa da pandemia. Quais foram os desafios para os neg\u00f3cios que acabaram sendo afetados e como crescer e continuar&nbsp;ganhando mercado?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong> &#8211; Desafios internos e externos n\u00e3o faltaram. <strong>Externos, o primeiro foi pandemia e o segundo foi c\u00e2mbio<\/strong>. O c\u00e2mbio subiu muito ano passado e a gente tomou uma decis\u00e3o de n\u00e3o repassar pre\u00e7o para o cliente. Absorvemos isso internamente, porque n\u00e3o era o momento para repassar. Decidimos apoiar os nossos clientes como B2B, franquias e os novos consumidores. Fomos penalizados em margem. Internamente, a gente teve um desafio de cultura muito forte e uma adapta\u00e7\u00e3o natural de time para esse novo modelo. Trouxemos figuras diferentes, como uma <em>head<\/em> de transforma\u00e7\u00e3o digital. N\u00e3o era uma posi\u00e7\u00e3o que a gente imaginava ter no come\u00e7o do ano passado, mas tem tantos projetos de transforma\u00e7\u00e3o digital que estamos implementando, que precisamos estruturar uma \u00e1rea de digital. Esse ano, um dos projetos mais importantes \u00e9 transformar cada uma das nossas lojas em hubs log\u00edsticos. N\u00e3o vamos esperar algu\u00e9m come\u00e7ar abrir lojas para a gente fazer isso. Vamos come\u00e7ar este ano. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews<\/strong><strong> &#8211; O d\u00f3lar foi um\ngrande vil\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es em 2020. Sendo uma importadora, como conseguir manter\nclientes e oportunidades?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong> &#8211; N\u00f3s <strong>n\u00e3o aumentamos o pre\u00e7o<\/strong>. Absorvemos em margem. Conseguimos ter \u00f3timas negocia\u00e7\u00f5es com todas as nossas vin\u00edcolas para nos apoiar. Boa parte dessa flutua\u00e7\u00e3o de d\u00f3lar, n\u00e3o tivemos. Combinamos isso com as vin\u00edcolas. Elas tamb\u00e9m estavam sendo afetadas pela pandemia, o mercado delas tinha diminu\u00eddo e elas n\u00e3o queriam perder mercado no Brasil.&nbsp;Ent\u00e3o, conseguimos ter boas negocia\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, fizemos tamb\u00e9m muitas compras antecipadas no ano passado, ainda com outras negocia\u00e7\u00f5es com vin\u00edcolas. T\u00ednhamos um caixa robusto que permitiu ter condi\u00e7\u00f5es especiais para trazer vinhos. O mercado de vinho n\u00e3o usa derivativos para fazer hedge cambial. Este ano, vamos come\u00e7ar a fazer. Em 2020, perdemos alguns milh\u00f5es por causa de c\u00e2mbio. Nosso estoque hoje est\u00e1 dolarizado a R$ 4,80. Conseguimos ainda ter algum f\u00f4lego, mas \u00e9 pouco. E parte das negocia\u00e7\u00f5es que t\u00ednhamos em 2020 n\u00e3o se manter\u00e3o para 2021. Estamos tentando e renegociando, mas n\u00e3o s\u00e3o todas que a gente consegue. O d\u00f3lar foi e continua sendo um bom vil\u00e3o para a gente. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; Na pandemia, cresceu o n\u00famero de consumidores e a quantidade consumida de vinho. E, neste cen\u00e1rio, os vinhos nacionais ganharam for\u00e7a. Como foi e \u00e9 competir com este mercado de novos consumidores de vinho, que procurou itens nacionais e com pre\u00e7os mais acess\u00edveis?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt&nbsp;<\/strong>&#8211; N\u00f3s n\u00e3o competimos tanto. Temos poucos vinhos nacionais. Houve, sim, uma demanda espec\u00edfica por vinhos nacionais, mas vinhos baratos n\u00f3s n\u00e3o temos. A nossa segmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 ter o melhor custo e benef\u00edcio dentro das faixas onde atuamos. Vinhos abaixo de R$ 50 n\u00f3s temos, mas s\u00e3o poucos, n\u00e3o \u00e9 o nosso foco. Nossa faixa mais estrelada \u00e9 uma que vai at\u00e9 R$ 250\/R$ 300. Os nosso carros-chefes ficam entre R$ 120 e R$ 300. Esse \u00e9 o tipo de vinho que os nossos consumidores mais buscam. N\u00f3s vamos, sim, e j\u00e1 est\u00e1 fazendo um movimento de ter um sortimento maior, abaixo de R$ 100, mas n\u00e3o queremos competir com vinhos de R$ 20, que n\u00e3o \u00e9 a nossa proposta e n\u00e3o \u00e9 aonde costumamos atuar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews \u2013 Em 2020, houve um crescimento de consumo e de importa\u00e7\u00e3o at\u00edpicos, em fun\u00e7\u00e3o da pandemia. Como manter esse ritmo de alta conquistado pelo setor?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong> &#8211; N\u00f3s ficamos aqu\u00e9m do planejamento original, que fizemos em 2019, que era um crescimento de 17%, e n\u00f3s crescemos 5%, mas tivemos um crescimento bom em margem. Nossa margem Ebtida cresceu 37%. Tivemos uma concentra\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o no segundo semestre. No primeiro, quando veio a pandemia, a gente parou a importa\u00e7\u00e3o, pois a gente n\u00e3o sabia o que iria acontecer. Todo mundo quer proteger o caixa. Foi tudo surpresa e <strong>nossa primeira rea\u00e7\u00e3o foi ser conservador, parar as importa\u00e7\u00f5es<\/strong>. Est\u00e1vamos com quase 2 milh\u00f5es de garrafas em estoque. Ent\u00e3o, a gente tinha um bom estoque para girar o neg\u00f3cio por alguns meses e paramos a importa\u00e7\u00e3o. No final de abril, vimos que est\u00e1vamos conseguindo vender e que o cen\u00e1rio n\u00e3o estava t\u00e3o ca\u00f3tico como a gente esperava. Desenhamos um cen\u00e1rio onde nosso Ebtida seria zero. Foi nosso cen\u00e1rio de guerra. Em abril, conseguimos vender 85% do que estava planejado. Em mar\u00e7o, 80%. Vimos que tinha alguma esperan\u00e7a e que o mercado n\u00e3o tinha derretido como um todo. A\u00ed voltamos a comprar, concentramos muito das vendas no segundo semestre, negociamos com fornecedores pagamentos \u00e0 vista e fizemos a compra de algumas milh\u00f5es de garrafas com pagamento \u00e0 vista para consertar o c\u00e2mbio que estava nas alturas. Tivemos uma importa\u00e7\u00e3o no segundo semestre que foi praticamente o dobro do primeiro semestre. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews \u2013 At\u00e9 que ponto essas novas tend\u00eancias do mercado de vinho v\u00e3o permanecer relevantes ap\u00f3s a quarentena? \u00c9 poss\u00edvel fazer alguma proje\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong>&nbsp;&#8211; Com certeza. Temos alguns movimentos. <strong>O vinho nacional teve um impulso muito grande no ano passado<\/strong>. Muitas pessoas experimentaram vinhos nacionais e de menor valor agregado. Ent\u00e3o, \u00e9 muito prov\u00e1vel que isso se mantenha. Ele s\u00f3 n\u00e3o cresceu mais porque acabou a produ\u00e7\u00e3o nacional. Houve uma ruptura muito grande em vin\u00edcolas nacionais. <strong>Com certeza vamos ver uma intensifica\u00e7\u00e3o de consumo de vinhos nacionais este ano.<\/strong> N\u00e3o vejo como um movimento de massa, como foi o ano passado, com mais milh\u00f5es de pessoas entrando no mercado de vinho. Acho que a gente volta para uma estabiliza\u00e7\u00e3o. O que vamos come\u00e7ar ver \u00e9 uma troca dentro da categoria de vinhos. As pessoas que n\u00e3o costumavam beber vinho e consumiam outras bebidas destiladas t\u00eam uma tend\u00eancia de subirem cada vez um degrau na escada dos vinhos. E, antes, n\u00e3o, pois n\u00e3o era uma pessoa iniciada no mundo dos vinhos. Com certeza vamos ver anos muito fortes para o vinho.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; A Grand Cru tem concorrentes que j\u00e1 s\u00e3o 100%\ndigitais, outros que j\u00e1 eram antes da pandemia. Como est\u00e3o atuando para ficar\ncompetitivo neste segmento?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong>&nbsp;&#8211; V\u00e1rios aspectos. O nosso cliente j\u00e1 busca um portf\u00f3lio diferenciado. Nosso digital vai se tornar cada vez mais relevante por meio das nossas lojas, por mais maluco que isso possa parecer. Acreditamos muito na experi\u00eancia humanizada do vinho. A Grand Cru cresceu com esse paradigma e ele se provou muito verdadeiro. Se voc\u00ea tem algu\u00e9m falando da hist\u00f3ria do vinho, da vin\u00edcola, de harmoniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito diferente do que ser self service e voc\u00ea ir para o site comprar. Temos um site para cada loja e \u00e9 um diferencial competitivo. Nossos concorrentes s\u00e3o muito bons em digitais, t\u00eam plataformas robustas, mas a velocidade de eles mudarem&nbsp;o digital \u00e9 mais devagar que a&nbsp;nossa velocidade, at\u00e9 pela cultura que a gente tem de n\u00e3o ser digital. Ent\u00e3o, agora, <strong>estamos imprimindo essa cultura de ser digital <\/strong>e podemos errar muito mais do que eles tamb\u00e9m erraram para chegar em modelos super firmes. Nossa base de clientes digital \u00e9 menor. Agora, o nosso desafio \u00e9 aumentar a base. E o deles \u00e9 usar a base que j\u00e1 t\u00eam para vender vinhos mais caros. Cada um tem o seu desfio. Temos concorrentes que s\u00e3o s\u00f3 online, mas tamb\u00e9m tem os que s\u00e3o s\u00f3 offline. O nosso modelo \u00e9 juntar o melhor dos dois mundos. Isso \u00e9 o que estamos buscando esse ano.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; Existem tamb\u00e9m os empreendedores, que est\u00e3o dando novas caras para os vinhos, novas formas de consumir, agregando valor e praticidade. Isso chega a ser uma concorr\u00eancia direta, uma amea\u00e7a aos neg\u00f3cios das importadoras?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong>&nbsp;&#8211; Depende. Tem um pouco de tudo. Tem startups que est\u00e3o sendo criadas que s\u00e3o completamente complementares ao nosso modelo de neg\u00f3cio. Tem startup, por exemplo, que leva vinho para condom\u00ednios residenciais. Isso \u00e9 complementar, eu quero ter meu vinho l\u00e1. Tem startups que ajudam cliente no supermercado a escolher o vinho, por meio de totem. Tem outras que est\u00e3o importando vinhos de algumas outras regi\u00f5es e isso, sim, \u00e9 100% concorrente com a gente. Tem startups de tecnologia&nbsp;que est\u00e3o virando marketplace de vinho, acho que \u00e9 complementar ao nosso neg\u00f3cio. Ent\u00e3o, tem de tudo. Concorrentes fortes surgindo e empreendedores que s\u00e3o complementares ao nosso modelo. Hoje, <strong>eu vejo muito mais complementariedade do que concorr\u00eancia nesses novos empreendimentos que est\u00e3o surgindo<\/strong>. Eu converso com muitos deles. Por mais que somos uma empresa tradicional, hoje queremos ser quase uma startup. Queremos crescer e falar com todo mundo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; O clima quente no Brasil, os altos pre\u00e7os, a dificuldade de importa\u00e7\u00e3o e uma produ\u00e7\u00e3o incipiente s\u00e3o fatores que afastaram o pa\u00eds de se tornar uma grande refer\u00eancia no mercado mundial. Como reverter este cen\u00e1rio? A quest\u00e3o tribut\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 um empecilho?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt&nbsp;<\/strong>&#8211; <strong>A quest\u00e3o tribut\u00e1ria do Brasil \u00e9 muito complexa<\/strong>. O vinho nacional tem ganhado muita qualidade nos \u00faltimos anos, tem muitas vin\u00edcolas que est\u00e3o sendo premiadas e reconhecidas internacionalmente. O clima, que antes era um fator muito determinante na qualidade do vinho, hoje j\u00e1 temos tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o de uvas que s\u00e3o mais adequadas ao vinho. O que temos hoje no Brasil&nbsp;\u00e9 um <strong>custo n\u00e3o competitivo que leva a um pre\u00e7o n\u00e3o competitivo<\/strong>. O mercado nacional, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o do Brasil, est\u00e1 caminhando para a vin\u00edcola vender direto para o consumidor. Eles est\u00e3o querendo acessar maior margem da cadeia. Isso \u00e9 no Brasil, na Argentina, no Chile. Acontece em todos os pa\u00edses. Por isso que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para n\u00f3s, como importadora, ter grandes r\u00f3tulos de vinhos nacionais no nosso portif\u00f3lio, pois as vin\u00edcolas querem vender direto e grande parte delas tem seu site para isso. <strong>Em um futuro muito pr\u00f3ximo, os vinhos nacionais v\u00e3o ter mais mercado e, inclusive, para exporta\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u00c9 dif\u00edcil a exporta\u00e7\u00e3o de vinho brasileiro, porque os nossos pa\u00edses vizinhos s\u00e3o refer\u00eancia em produ\u00e7\u00e3o de vinho. Mas, sim, sempre vai ter algum mercado. Vai ter um momento muito em breve onde o vinho brasileiro vai ganhar mais relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; Se comparado aos europeus, por exemplo, os brasileiros consomem bem pouco vinho. Pode-se dizer que o mercado do Brasil ainda \u00e9 imaturo neste aspecto? O que falta para o pa\u00eds se tornar mais forte no consumo de vinhos? Ainda h\u00e1 muito terreno para ser explorado?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong> &#8211; <strong>Para mim, o principal fator, hoje, que impede que a gente cres\u00e7a mais r\u00e1pido \u00e9 o pre\u00e7o<\/strong>. O pre\u00e7o de uma garrafa de vinho ainda \u00e9 caro, se considerar outras bebidas. Para termos um fortalecimento do mercado, precisamos ter uma revis\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o do mercado de vinhos. Uma garrafa de vinho bom em Portugal, que consome 56 litros per capta, custa 2 euros. Esse vinho vai chegar aqui por R$ 100, com os impostos. \u00c9 muito dif\u00edcil que a gente chegue neste patamar. J\u00e1 conseguimos o crescimento de 2,7 litros per capta, vamos evoluir, evidentemente, mas n\u00e3o vamos chegar em 50 litros per capta, muito provavelmente nem em 10 litros per capta, o que n\u00e3o \u00e9 grave. Significa que ainda temos espa\u00e7o de quadruplicar nosso mercado. E o meu desafio \u00e9 como pegar esse mercado e fazer com que as pessoas comecem a tomar vinhos cada vez melhores, mas n\u00e3o da para comparar com Portugal, que tem um consumo muito maior. Com um vinho de 2 euros na prateleira, todo mundo consegue tomar vinho por l\u00e1. E \u00e9 cultural tamb\u00e9m. Nossa cultura n\u00e3o \u00e9 muito de vinho, \u00e9 mais de cerveja, mas, se<strong> uma garrafa de vinho bom custasse aqui R$ 2, com certeza ter\u00edamos um mercado maior que o de Portugal.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; Qual espa\u00e7o ainda falta\npara o setor conquistar? O que voc\u00ea v\u00ea como tend\u00eancia nos neg\u00f3cios do setor? <\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt<\/strong>&nbsp;&#8211; Hoje, o vinho se associa e \u00e9 o que \u00e9 por causa da gastronomia. O vinho se fez e vai continuar se fazendo muito em cima disso. Ent\u00e3o, a gastronomia \u00e9 fundamental no desenvolvimento do vinho. Acho&nbsp;que \u00e9 um come\u00e7o, ainda tem muito a desenvolver de gastronomia, mas em algum momento o vinho tem que descolar dela. Ele tem que ser uma bebida para se tomar em qualquer ocasi\u00e3o. E isso j\u00e1 acontece. Tem pessoas que levam o vinho para um churrasco, uma praia, em outros momentos em que n\u00e3o eram t\u00e3o comuns. Tem duas grandes tend\u00eancias que a Wine Intelligence fala para 2021: em lata e em caixas. E eles s\u00e3o opostos. O vinho em lata \u00e9 para ser pr\u00e1tico. E o em caixa por uma quest\u00e3o de custo. S\u00e3o duas tend\u00eancias importantes no mercado do vinho e que v\u00e3o ajudar muito no consumo. Ainda temos muito preconceito no mercado do vinho. Isso \u00e9 uma barreira importante por crescimento do segmento. O vinho tem que ser tomado da forma que cada pessoa entender que tem que ser tomado. <strong>Precisamos desmistificar a ind\u00fastria do vinho e a\u00ed, sim, ela vai crescer<\/strong>. Esses conceitos&nbsp;de rolha, ta\u00e7a espec\u00edfica e temperatura ideal afastam muito a popula\u00e7\u00e3o do mercado do vinho. N\u00e3o digo nem baratear o vinho, mas desmistificar. Temos 99% da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o toma vinho. Se tivermos esses obst\u00e1culos, n\u00e3o vamos chegar l\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>InvestNews &#8211; Vimos no ano passado o interesse da Wine em fazer abertura de capital. Como voc\u00ea avalia este cen\u00e1rio? Est\u00e1 nos planos da Grand Cru fazer IPO algum dia? <\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alexandre Bratt&nbsp;<\/strong>&#8211; <strong>Ter uma empresa do segmento de vinhos em bolsa de valores, eu acho \u00f3timo<\/strong>. O mercado do jeito que estava aberto, muita gente poderia entrar. Eu acho que seria muito bom, para dar <strong>visibilidade para a ind\u00fastria<\/strong>. Eu gostaria de ver uma empresa na bolsa, sim. Acho que, de uma maneira estrutural, nenhuma empresa de vinhos hoje tem muito tamanho para abrir capital. Se bem que isso est\u00e1 deixando de ser um ponto nevr\u00e1lgico na quest\u00e3o de IPO. Hoje, vemos empresas bastante menores que a Grand Cru abrindo capital. O cen\u00e1rio de abertura de capital mudou e acho que alavancado pelos <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/copom-decide-manter-a-taxa-selic-em-2-ao-ano\/\" class=\"rank-math-link\">juros baixos<\/a> e <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/financas\/bolsa-brasileira-alcanca-a-marca-de-3-milhoes-de-investidores-pessoas-fisicas\/\" class=\"rank-math-link\">alto n\u00fameros de CPFs novos na bolsa<\/a>. Acho&nbsp;que tem espa\u00e7o, sim, para algumas empresas se mexerem, n\u00e3o para muitas. Sobre a Grand Cru, n\u00e3o discutimos isso. Em algum momento tem que come\u00e7ar a discutir uma transi\u00e7\u00e3o do fundo de <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/o-que-e-private-equity\/\">private equity<\/a>, que \u00e9 controlador da Grand Cru, o Aqua Capital. Nos pr\u00f3ximos anos, o Aqua vai ter que se desfazer do controle e a\u00ed a temos alguns cen\u00e1rios. Ele pode vender a participa\u00e7\u00e3o para algum outro fundo de private equity, para um estrat\u00e9gico, n\u00e3o necessariamente do mercado de vinhos, como o de varejo, ou abrir capital. Acho que \u00e9 um dos tr\u00eas caminhos que vai estar na mesa em um futuro n\u00e3o muito distante. <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/cafeina\/investimento-em-vinhos-raros-teve-retorno-acima-do-dow-jones-em-2021\/\">Investir em vinhos<\/a> raros teve retorno acima do Dow Jones em 2021<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2020, a comercializa\u00e7\u00e3o de vinhos no pa\u00eds cresceu 31%, segundo a Ideal Consulting.<\/p>\n","protected":false},"author":36,"featured_media":235241,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[75,26,869,1711],"autor-wsj":[],"coauthors":[2269],"class_list":["post-235183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios","tag-consumo","tag-dolar","tag-e-commerce","tag-mercado-de-capitais"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/235183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=235183"}],"version-history":[{"count":69,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/235183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":688367,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/235183\/revisions\/688367"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/235241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=235183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=235183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=235183"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=235183"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=235183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}