{"id":279358,"date":"2021-10-03T18:49:28","date_gmt":"2021-10-03T21:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=279358"},"modified":"2024-06-26T11:55:59","modified_gmt":"2024-06-26T14:55:59","slug":"pandora-papers-paulo-guedes-offshore-milionaria-paraiso-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/pandora-papers-paulo-guedes-offshore-milionaria-paraiso-fiscal\/","title":{"rendered":"Pandora Papers: Paulo Guedes tem offshore milion\u00e1ria em para\u00edso fiscal"},"content":{"rendered":"\n
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Esta reportagem* faz parte do Pandora Papers, projeto do Cons\u00f3rcio<\/a> Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) que re\u00fane mais de 600 rep\u00f3rteres de 151 ve\u00edculos em 117 pa\u00edses e territ\u00f3rios. O Pandora Papers<\/strong> investigou milh\u00f5es de documentos de para\u00edsos fiscais em todo o mundo. No Brasil, participaram da apura\u00e7\u00e3o Ag\u00eancia P\u00fablica, revista piau\u00ed, Poder360 e Metr\u00f3poles. Esta reportagem foi produzida por Allan de Abreu e Ana Clara Costa (reportagem), Armando Antenore e Fernanda da Esc\u00f3ssia (edi\u00e7\u00e3o), Plinio Lopes (checagem), Ana Martini (revis\u00e3o), Jos\u00e9 Roberto de Toledo (coordena\u00e7\u00e3o do projeto) e Andr\u00e9 Petry (dire\u00e7\u00e3o de reda\u00e7\u00e3o).<\/em> <\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n

No dia 24 de setembro de 2014, com o mercado financeiro cada vez mais agitado diante da imin\u00eancia da reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff (PT), o Banco Central interveio para conter a alta do d\u00f3lar. No dia seguinte, o economista Paulo Guedes<\/a><\/strong>, ent\u00e3o s\u00f3cio da gestora de recursos Bozano Investimentos, tomou uma provid\u00eancia para manter parte da sua fortuna longe das turbul\u00eancias da economia brasileira: fundou a Dreadnoughts International, uma offshore<\/a><\/strong> nas Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas, um para\u00edso fiscal<\/a> <\/strong>no Caribe. Nos meses seguintes, Guedes aportou na conta da offshore, aberta numa ag\u00eancia do banco Cr\u00e9dit Suisse, em Nova York, a quantia de US$ 9,55 milh\u00f5es, o equivalente a R$ 23 milh\u00f5es de reais na \u00e9poca (no c\u00e2mbio atual, o valor hoje corresponde a R$ 50 milh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n

A abertura de uma offshore ou de contas no exterior n\u00e3o \u00e9 ilegal, desde que o saldo mantido l\u00e1 fora seja declarado \u00e0 Receita Federal e ao Banco Central. Mas, no caso de servidores p\u00fablicos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. O artigo 5\u00ba do C\u00f3digo de Conduta da Alta Administra\u00e7\u00e3o Federal, institu\u00eddo em 2000, pro\u00edbe funcion\u00e1rios do alto escal\u00e3o de manter aplica\u00e7\u00f5es financeiras, no Brasil ou no exterior, pass\u00edveis de ser afetadas por pol\u00edticas governamentais. <\/p>\n\n\n\n

A proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se refere a toda e qualquer pol\u00edtica oficial, mas apenas \u00e0quelas sobre as quais \u201ca autoridade p\u00fablica tenha informa\u00e7\u00f5es privilegiadas, em raz\u00e3o do cargo ou fun\u00e7\u00e3o\u201d. Em janeiro de 2019, cinco anos depois de abrir a offshore e depositar 9,55 milh\u00f5es de d\u00f3lares, Guedes virou o principal fiador do governo Bolsonaro e assumiu o cargo de ministro da Economia, sob cuja responsabilidade est\u00e1 um enorme leque de decis\u00f5es capazes de afetar seus pr\u00f3prios investimentos no exterior.<\/p>\n\n\n\n

As penas para quem infringe o artigo 5\u00ba variam de uma simples advert\u00eancia \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o de demiss\u00e3o. O ministro disse \u00e0 piau\u00ed que, assim que assumiu o minist\u00e9rio em janeiro de 2019, ele informou \u00e0 Comiss\u00e3o de \u00c9tica P\u00fablica, encarregada de julgar poss\u00edveis infra\u00e7\u00f5es ao c\u00f3digo, sobre seus investimentos externos. A Comiss\u00e3o de \u00c9tica, no entanto, s\u00f3 julgou o caso em julho passado. N\u00e3o viu nenhuma irregularidade e decidiu arquivar o caso. A piau\u00ed pediu ao \u00f3rg\u00e3o a justificativa da decis\u00e3o, mas recebeu como resposta que as informa\u00e7\u00f5es contidas nos julgamentos s\u00e3o sigilosas \u201cem face dos dados sens\u00edveis que delas constam \u2013 inclusive fiscais e banc\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n

Desde o in\u00edcio da gest\u00e3o Bolsonaro, a Comiss\u00e3o de \u00c9tica de P\u00fablica tem sido criticada por ser leniente com comportamentos anti\u00e9ticos por parte da c\u00fapula do governo. Em maio de 2020, o conselheiro Erick Vidigal pediu demiss\u00e3o e divulgou uma carta com fortes cr\u00edticas ao \u00f3rg\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n

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