{"id":339697,"date":"2022-06-29T07:00:00","date_gmt":"2022-06-29T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=339697"},"modified":"2022-06-29T10:54:20","modified_gmt":"2022-06-29T13:54:20","slug":"vai-ter-recessao-nos-eua-3-indicios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/vai-ter-recessao-nos-eua-3-indicios\/","title":{"rendered":"Poss\u00edvel recess\u00e3o nos EUA pode afetar cadeia global e impactar Brasil; entenda"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meio aos impactos econ\u00f4micos da<strong> <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/tag\/coronavirus\/\" class=\"rank-math-link\">pandemia de covid-19<\/a><\/strong> e da <strong><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/boletim-investnews\/quais-podem-ser-as-consequencias-da-guerra-na-ucrania-professor-explica\/\" class=\"rank-math-link\">guerra na Ucr\u00e2nia<\/a><\/strong>, t\u00eam crescido as expectativas de que os Estados Unidos entrar\u00e3o em <strong><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/como-se-define-uma-recessao-veja-algumas-maneiras\/#:~:text=O%20que%20%C3%A9%20uma%20recess%C3%A3o%3F,ciclo%20mais%20curto%20j%C3%A1%20registrado.\" class=\"rank-math-link\">recess\u00e3o<\/a><\/strong> com poss\u00edveis efeitos para a cadeia global, incluindo o Brasil. Essa tamb\u00e9m \u00e9 a perspectiva de economistas consultados pelo <em>InvestNews<\/em>. Segundo eles, a&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/pib-dos-eua-contrai-no-1o-trimestre-pedidos-de-auxilio-desemprego-caem\/\" class=\"rank-math-link\">desacelera\u00e7\u00e3o da economia norte-americana<\/a><\/strong>, a <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/precos-de-gasolina-e-alimentos-impulsionam-inflacao-dos-eua-em-maio\/#:~:text=Nos%2012%20meses%20at%C3%A9%20maio,a%C3%A9reas%20mantiveram%20sua%20marcha%20ascendente.\" class=\"rank-math-link\">infla\u00e7\u00e3o elevada<\/a> e a intensidade da <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/financas\/fed-eleva-taxa-de-juros-dos-estados-unidos-em-075-ponto-percentual\/#:~:text=Fed%20eleva%20taxa%20de%20juros,0%2C75%20ponto%20percentual%20%7C%20InvestNews\" class=\"rank-math-link\">alta dos juros<\/a> no pa\u00eds s\u00e3o alguns dos ind\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Davi Lelis, economista da Valor Investimentos, explica que o conceito t\u00e9cnico de recess\u00e3o \u00e9 a fase na qual a economia de um pa\u00eds tem um per\u00edodo de contra\u00e7\u00e3o. Com isso, geralmente, a atividade econ\u00f4mica desaquece, tem uma queda forte no n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o, aumento de <strong>desemprego<\/strong> e queda na <strong>renda familiar<\/strong>, al\u00e9m das margens das empresas ficarem mais pressionadas. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA desacelera\u00e7\u00e3o da economia norte-americana, o estresse da infla\u00e7\u00e3o e as medidas que ter\u00e3o que ser tomadas para cont\u00ea-la s\u00e3o sinais de recess\u00e3o. Al\u00e9m disso, a taxa de desemprego pode estourar, com a retomada de pessoas na busca por trabalho depois do fim dos aux\u00edlios durante a pandemia\u201d, avalia Lelis.<\/p>\n\n\n\n<p>Leonardo Paz Neves, analista de intelig\u00eancia do FGV NPII (N\u00facleo de Prospec\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia Internacional da FGV), argumenta que, no in\u00edcio da pandemia, o governo dos Estados Unidos adotou uma <strong>pol\u00edtica monet\u00e1ria&nbsp;expansionista<\/strong>, o que ajudou a elevar a infla\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Neves, em meio a este cen\u00e1rio, o Federal Reserve, o banco central americano, demorou a agir na eleva\u00e7\u00e3o dos juros, acreditando que, uma vez que a pandemia arrefecesse, a oferta voltaria mais rapidamente, o governo reduziria as pol\u00edticas de ajuda para as pessoas, o que diminuiria a demanda, algo que se iria equilibrar naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso n\u00e3o aconteceu e o Federal Reserve teve que correr atr\u00e1s do preju\u00edzo, aumentando juros. A preocupa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 como o Fed vai conseguir achar o ponto ideal para n\u00e3o entrar em um crash mais forte e, sim, em uma recess\u00e3o leve, ajustada, calculada para que possa reaquecer a economia de forma controlada\u201d, afirma Neves.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vai ter recess\u00e3o nos EUA<\/strong>?<\/h2>\n\n\n\n<p>O Bank of America (BofA) projeta 40% de risco de recess\u00e3o nos Estados Unidos no ano que vem, em meio \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico fraco e infla\u00e7\u00e3o persistentemente elevada no pa\u00eds. Para o banco, o Federal Reserve ficou \u201catr\u00e1s da curva\u201d, demorando para agir no combate \u00e0 escalada inflacion\u00e1ria, e enfrenta um horizonte desafiador.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a institui\u00e7\u00e3o prev\u00ea que os juros chegar\u00e3o ao pico acima de 4%, antes de a infla\u00e7\u00e3o se estabilizar em cerca de 3%, superior \u00e0 meta de 2% do Fed.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para economistas do JP Morgan, a economia americana tem 35% de chances de entrar em uma recess\u00e3o no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Fabio Astrauskas, professor do Insper e CEO do Siegen Consultoria, avalia que uma recess\u00e3o pode, de fato, acontecer, pois a alta de juros s\u00f3 ter\u00e1 pleno efeito a partir do final deste ano e come\u00e7o de 2023. Al\u00e9m disso,  Astrauskas acrescenta que o risco de recess\u00e3o pode aumentar com a chegada do inverno no Hemisf\u00e9rio Norte, quando haver\u00e1 uma demanda maior por energia, que vem sendo uma das press\u00f5es da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe at\u00e9 l\u00e1 n\u00e3o forem encontradas alternativas para realinhar a cadeia de abastecimento, principalmente de energia, o risco de recess\u00e3o aumenta muito e vamos ver isso em 2023\u201d, considera Astrauskas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Astrauskas destaca que a guerra \u00e9 um obst\u00e1culo para a economia norte-americana, n\u00e3o, necessariamente, por causa do conflito armado, mas dos desarranjos causados nas cadeias produtivas, que demoram para ser restabelecidos e, portanto, causam lacunas de fornecimento de alimentos e energia, por exemplo, que pressionam a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cen\u00e1rio econ\u00f4mico nos Estados Unidos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos enfrentam a<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/precos-ao-consumidor-eua-jan-2022\/\" class=\"rank-math-link\">maior infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 40 anos<\/a>. Em maio, o \u00edndice de pre\u00e7os ao consumidor acelerou para 8,6% no acumulado de 12 meses, ap\u00f3s avan\u00e7o de 1% no m\u00eas com pre\u00e7os recordes dos combust\u00edveis. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"627\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2022\/06\/Info_Inflacao_EUA.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-339729\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2022\/06\/Info_Inflacao_EUA.jpg 750w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2022\/06\/Info_Inflacao_EUA-300x251.jpg 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2022\/06\/Info_Inflacao_EUA-172x144.jpg 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2022\/06\/Info_Inflacao_EUA-150x125.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o da <strong>infla\u00e7\u00e3o<\/strong> no pa\u00eds \u00e9 causada, de forma geral, pelo aumento do pre\u00e7o global dos combust\u00edveis, em meio \u00e0 guerra da R\u00fassia com a Ucr\u00e2nia, que ocasiona alta tamb\u00e9m no custo de alimentos, alugu\u00e9is, sa\u00fade, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Por l\u00e1, em maio, os pre\u00e7os da energia, em geral, subiram 34,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2021, impulsionados por um salto de quase 50% nos pre\u00e7os da gasolina, que registrou um aumento de 4,5% em maio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas passado, houve tamb\u00e9m a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, em 10,1%, sendo o primeiro aumento de dois d\u00edgitos desde o ano de 1981. J\u00e1 o \u00edndice de moradias avan\u00e7ou 5,5%, o maior ganho em 12 meses desde 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa em maio era que a mudan\u00e7a dos gastos de bens para servi\u00e7os poderia colaborar para arrefecer a infla\u00e7\u00e3o, mas o mercado de trabalho apertado no pa\u00eds est\u00e1 elevando os sal\u00e1rios, contribuindo para o aumento dos pre\u00e7os dos servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a este cen\u00e1rio, para conter a eleva\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, o banco central norte-americano vem subindo a taxa b\u00e1sica de juros do pa\u00eds, que, em 15 de junho, foi elevada em 0,75 ponto percentual, para uma faixa de 1,5% a 1,75%. Foi o primeiro aumento dessa magnitude, e tamb\u00e9m o maior desde 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>Em discurso feito no Senado no \u00faltimo dia 23, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, garantiu que o compromisso da institui\u00e7\u00e3o para combater a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cincondicional\u201d e admitiu que \u201cclaramente subestimamos\u201d a infla\u00e7\u00e3o anteriormente, atribuindo a&nbsp;infla\u00e7\u00e3o atual no pa\u00eds, em grande medida, a uma demanda mais forte do que o previsto.<\/p>\n\n\n\n<p>No mercado de trabalho, a economia norte-americana <a class=\"rank-math-link\" href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/criacao-de-vagas-de-trabalho-nos-eua-supera-expectativas-em-maio\/#:~:text=A%20economia%20norte%2Damericana%20abriu,vez%20de%20428.000%20informados%20antes.\">abriu 390.000 postos de trabalho fora do setor agr\u00edcola<\/a> no m\u00eas passado, representando um ritmo mais lento de contrata\u00e7\u00e3o, enquanto a <strong>taxa de desemprego<\/strong> permaneceu em 3,6% em maio, porcentual registrado pelo terceiro m\u00eas seguido.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade empresarial dos Estados Unidos desacelerou consideravelmente em junho, uma vez que a infla\u00e7\u00e3o elevada e uma queda na confian\u00e7a do consumidor reduziram a demanda de forma generalizada, resultando na primeira contra\u00e7\u00e3o em quase dois anos da medida de novas encomendas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o<strong> Produto Interno Bruto (<a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/investnews-explica\/pib-o-que-e-para-que-serve-como-funciona-e-como-e-calculado\/\" class=\"rank-math-link\">PIB<\/a>) dos Estados Unidos <\/strong>no primeiro trimestre deste ano foi <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/pib-dos-eua-contrai-no-1o-trimestre-pedidos-de-auxilio-desemprego-caem\/#:~:text=O%20Produto%20Interno%20Bruto%20caiu,%2C9%25%20no%20quarto%20trimestre.\" class=\"rank-math-link\">revisado para baixo em maio<\/a>, com um recuo maior ante abril, de 1,5%. Foi o primeiro decl\u00ednio desde a recess\u00e3o do in\u00edcio da pandemia. A terceira estimativa do PIB do pa\u00eds ser\u00e1 divulgada em 29 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda do PIB acontece ap\u00f3s um crescimento de 6,9% da economia do pa\u00eds no \u00faltimo trimestre de 2021<strong>, <\/strong>quando empresas fizeram o reabastecimento dos estoques esgotados para atender \u00e0 forte demanda por bens, favorecendo a atividade dos Estados Unidos a registrar seu melhor desempenho em quase quatro d\u00e9cadas em 2021. No ano passado como um todo, a economia norte-americana cresceu 5,7%, sendo o ritmo mais r\u00e1pido desde 1984.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como especialistas avaliam uma poss\u00edvel recess\u00e3o nos EUA?<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/como-se-define-uma-recessao-veja-algumas-maneiras\/\" class=\"rank-math-link\">recess\u00e3o econ\u00f4mica<\/a> \u00e9 frequentemente definida como dois trimestres consecutivos em que a economia de um pa\u00eds encolhe. H\u00e1 economistas, no entanto, que consideram a recess\u00e3o com outros crit\u00e9rios de profundidade, difus\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finan\u00e7as do Coppead\/UFRJ, afirma que \u00e9 preciso pensar ciclo econ\u00f4mico do ponto de vista de ciclos financeiros, que se caracterizam por um inter-relacionamento entre o <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/como-funciona-o-mercado-financeiro\/\">mercado financeiro<\/a> e a economia de uma maneira em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma forma de analisar a recess\u00e3o por meio de ciclos financeiros \u00e9 via Non-Performing Loan, a <strong>inadimpl\u00eancia<\/strong>, que, \u00e0 medida que come\u00e7a a subir nos Estados Unidos, tem um efeito muito severo sobre todo o mercado, associado ao que chamamos de desinfla\u00e7\u00e3o de ativos, que s\u00e3o as vendas de ativos e desalavancagem\u201d, destaca Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo  Moraes, os Estados Unidos podem acionar a ferramenta chamada de macroprudenciais para fazer al\u00edvios setoriais. \u201cEssas ferramentas n\u00e3o t\u00eam sido usadas pelo pa\u00eds, mas foram usadas na Europa com alguns sucessos, que \u00e9 exatamente ter medidas regulat\u00f3rias para aliviar n\u00edveis de capitais dos bancos e criar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis no cr\u00e9dito, principalmente, no mercado imobili\u00e1rio, de mudar restri\u00e7\u00f5es\u201d, diz o<strong> <\/strong>professor do Coppead\/UFRJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o economista Fabio Astrauskas, professor do Insper e CEO do Siegen Consultoria, a recess\u00e3o \u00e9 definida quando se tem uma consist\u00eancia de 2 ou 3 trimestres consecutivos ou alternados de baixo crescimento ou queda. Ele destaca, no entanto, que ao analisar o caso dos Estados Unidos existe a base de compara\u00e7\u00e3o fraca, ou seja, o ano de 2021, quando a economia do pa\u00eds sofreu ainda mais os impactos da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o devemos falar de recess\u00e3o do ponto de vista t\u00e9cnico para 2022. O ponto que se observa \u00e9 o ano de 2023, quando a base de compara\u00e7\u00e3o estar\u00e1 limpa, comparando crescimentos que poder\u00e3o ser compar\u00e1veis, com exce\u00e7\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia\u201d, defende Astrauskas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o economista Davi Lelis, da Valor Investimentos, ainda d\u00e1 tempo de os Estados Unidos evitarem uma recess\u00e3o, mas as medidas que teriam que ser tomadas seriam muito prejudiciais \u00e0 economia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs Estados Unidos podem preferir entrar numa recess\u00e3o em um per\u00edodo de crescimento mais fraco do que tomar medidas muito dr\u00e1sticas e extremas, que prejudicam ainda mais a economia. \u00c9 poss\u00edvel desaquecer a economia controlando a infla\u00e7\u00e3o, sem que entre num per\u00edodo recessivo? \u00c9,  mas ser\u00e1 extremamente dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel\u201d, aponta Lelis.<\/p>\n\n\n\n<p>A economista Bruna Centeno, especialista em <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/renda-fixa-o-que-e\/\">Renda Fixa<\/a> da Blue3, defende que evitar uma recess\u00e3o \u00e9 uma escolha do Fed de subir a taxa de juros e controlar infla\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o fazer isso e ter um fen\u00f4meno de descontrole dos pre\u00e7os&nbsp; e uma infla\u00e7\u00e3o maior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a primeira vez que a \u00e2ncora inflacion\u00e1ria foi colocada em cheque. A expectativa de infla\u00e7\u00e3o de longo prazo que, at\u00e9 ent\u00e3o, estava controlada, hoje j\u00e1 come\u00e7ou aumentar. Essa expectativa est\u00e1 desancorada. N\u00e3o aumentar os juros n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel, pois se a expectativa est\u00e1 desacordada, gera uma infla\u00e7\u00e3o permanente. Estamos falando da sa\u00edda de uma infla\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria e entrada em um problema maior, que necessita um rem\u00e9dio amargo\u201d, diz Centeno.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quais os impactos de uma recess\u00e3o nos EUA<\/strong>?<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o economistas consultados pelo<em> InvestNews<\/em>, s\u00e3o v\u00e1rios os impactos econ\u00f4micos de uma poss\u00edvel recess\u00e3o nos Estados Unidos. Leonardo Paz Neves, analista de intelig\u00eancia do FGV NPII, defende que depender\u00e1 do n\u00edvel da recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA economia norte-americana faz parte de boa parte das cadeias de produ\u00e7\u00e3o global, tem produ\u00e7\u00e3o americana espalhada pelo mundo inteiro. Se uma crise nos Estados Unidos for muito dura, ela impacta essas cadeias como um todo. Se for mais leve, tende a atacar o mercado dom\u00e9stico e menos as cadeias globais. Vai depender da profundidade desta crise\u201d, acredita Neves.<\/p>\n\n\n\n<p>A economista Bruna Centeno afirma que os principais impactos de uma recess\u00e3o em um mundo globalizado, com depend\u00eancias comerciais grandes, pode ser <strong>piora na renda, queda nas balan\u00e7as comerciais e deteriora\u00e7\u00e3o de n\u00edveis econ\u00f4mico<\/strong>, por causa da codepend\u00eancia das economias com os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se faz um recorte para economias espec\u00edficas, o economista F\u00e1bio Astrauskas explica que, provavelmente, uma recess\u00e3o nos Estados Unidos impulsiona uma recess\u00e3o ainda maior na Europa, pois o problema na regi\u00e3o \u00e9 parecido e a depend\u00eancia com os Estados Unidos \u00e9 grande.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China, Astrauskas considera que pode causar uma redu\u00e7\u00e3o de crescimento, mas que a economia do pa\u00eds asi\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 totalmente dentro das regras capitalistas e, por isso, tem outras ferramentas para abordar o problema da recess\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Recess\u00e3o nos EUA prejudicaria a recupera\u00e7\u00e3o do Brasil?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos impactos no Brasil de uma poss\u00edvel recess\u00e3o nos Estados Unidos, os economistas entrevistados pelo<em> InvestNews<\/em> divergem.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finan\u00e7as do Coppead\/UFRJ, avalia que o Brasil pode ser severamente prejudicado, j\u00e1 que \u00e9 grande o volume de&nbsp;exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para os Estados Unidos. Al\u00e9m disso, o economista destaca que os Estados Unidos s\u00e3o um grande player global, que, em um poss\u00edvel recess\u00e3o, pode reprecificar todos os ativos, impactando tamb\u00e9m o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Davi Lelis, economista da Valor Investimentos, apesar de uma recess\u00e3o nos Estados Unidos  prejudicar a economia brasileira por causa da diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra da economia norte-americana, por outro lado, com a economia dos Estados Unidos mais fraca, o<strong> d\u00f3lar<\/strong> tende a se desvalorizar frente a outras moedas, favorecendo o real.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom o d\u00f3lar mais barato, o Brasil acaba pagando menos em ativos dolarizados comprados, que repassam os pre\u00e7os aos produtos internos, ajudando a conter a infla\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, afirma Lelis.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Leonardo Paz Neves considera que uma recess\u00e3o nos Estados Unidos pode prejudicar o Brasil, mas que, n\u00e3o necessariamente, o impacto pode ser muito duro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe a recess\u00e3o for leve nos Estados Unidos, impacta pouco o Brasil, que tem muita oportunidade de investimento ainda e, com os juros altos no Brasil, o pa\u00eds acaba sendo um atrativo para financiamento externo. Se a recess\u00e3o for muito dura, ela impacta nosso pa\u00eds, especialmente se o Fed subir o juros. A\u00ed fica mais dif\u00edcil de o Brasil competir, \u00e9 uma trava muito forte para a expans\u00e3o da economia brasileira\u201d, destaca Neves.<\/p>\n\n\n\n<p>Astrauskas, professor do Insper e CEO do Siegen Consultoria, lembra que o Brasil tem uma caracter\u00edstica que, neste momento, \u00e9 at\u00e9 um ambiente desej\u00e1vel para outras economias: ser um forte produtor de <strong><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/commodities-o-que-sao\/\" class=\"rank-math-link\">commodities<\/a><\/strong>, justamente as que hoje est\u00e3o pressionadas no pre\u00e7o e pode causar um efeito mais amortecido no pa\u00eds de uma recess\u00e3o nos Estados Unidos. Para  Astrauskas, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o cen\u00e1rio interno brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO nosso problema aqui \u00e9 outro, dom\u00e9stico, interno, polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica forte, uma expectativa grande no pr\u00f3ximo governo, podendo levar o pa\u00eds a se beneficiar ou prejudicar. O mercado internacional n\u00e3o olha o Brasil como uma economia t\u00e3o fr\u00e1gil nesse momento como muitos de n\u00f3s olhamos\u201d, alerta Astrauskas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;J\u00e1 a economista Bruna Centeno, especialista em Renda Fixa da Blue3, destaca o fator taxa de juros como preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo Centeno, juros elevados nos Estados Unidos aumentam os juros estruturais e obrigam o patamar de juros no Brasil a tamb\u00e9m a ficar elevado. De acordo com a economista, se o Brasil n\u00e3o fizer essa compensa\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 uma grande fuga de capital, com  investidores come\u00e7ando a avaliar o peso de investir nos Estados Unidos e no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom isso, temos um impacto muito grande no nosso c\u00e2mbio, gera deprecia\u00e7\u00e3o da moeda e o efeito \u00e9 cascata, pois puxa infla\u00e7\u00e3o, que puxa os juros para cima e, consequentemente, puxa o crescimento brasileiro para baixo. E o principal fator dessa compensa\u00e7\u00e3o de juros vai influenciar no n\u00edvel de investimento que vai ser colocado no pa\u00eds\u201d, conclui Centeno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds vive a maior infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 40 anos; taxa de juros norte-americana teve, em junho, a maior alta desde 1994.<\/p>\n","protected":false},"author":36,"featured_media":339785,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[78,52,1616],"autor-wsj":[],"coauthors":[2269],"class_list":["post-339697","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-estados-unidos","tag-inflacao","tag-taxa-de-juros"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/339697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=339697"}],"version-history":[{"count":151,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/339697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":340666,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/339697\/revisions\/340666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/339785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=339697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=339697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=339697"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=339697"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=339697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}