{"id":340235,"date":"2022-06-28T16:02:26","date_gmt":"2022-06-28T19:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=340235"},"modified":"2024-06-24T21:27:02","modified_gmt":"2024-06-25T00:27:02","slug":"quatro-em-cada-10-lgbtqiap-ja-sofreram-discriminacao-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/quatro-em-cada-10-lgbtqiap-ja-sofreram-discriminacao-no-trabalho\/","title":{"rendered":"Quatro em cada 10 LGBTQIAP+ j\u00e1 sofreram discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho"},"content":{"rendered":"\n<p>Quatro em cada dez pessoas LGBTQIAP+ relatam ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho, de acordo com levantamento divulgado\u00a0nesta ter\u00e7a-feira\u00a0(22) pelo LinkedIn, rede social voltada aos neg\u00f3cios. A porcentagem aumentou em rela\u00e7\u00e3o a 2019, ano em que foi feito o primeiro levantamento, quando 35% relataram\u00a0ter\u00a0sofrido preconceito no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo mostra que 8 em cada 10 pessoas LGBTQIAP+, grupo que inclui l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, queer, intersexuais, assexuais e pansexuais, sentem-se&nbsp;confort\u00e1veis para compartilhar a identidade de g\u00eanero e a orienta\u00e7\u00e3o sexual no ambiente de trabalho. Apesar disso, 43% dizem j\u00e1&nbsp;ter&nbsp;sido v\u00edtima de preconceito, principalmente por meio de piadas e coment\u00e1rios homof\u00f3bicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores entrevistaram tamb\u00e9m pessoas heterossexuais. Entre esse grupo, 60% disseram trabalhar com pessoas LGBTQIAP+ e mais da metade, 53%, disse que j\u00e1 presenciou ou ouviu falar de alguma situa\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria devido \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero de colegas. Os cen\u00e1rios mais presenciados foram em rela\u00e7\u00e3o a xingamentos, piadas e coment\u00e1rios inapropriados feitos direta ou indiretamente a essas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o l\u00edder do comit\u00ea de diversidade do LinkedIn no Brasil, Gabriel Joseph, os dados n\u00e3o necessariamente mostram um aumento da discrimina\u00e7\u00e3o, mas uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRealmente aumentou a discrimina\u00e7\u00e3o ou ser\u00e1 que estamos mais treinados para observar quando isso acontece? Ser\u00e1 que desde 2019 a gente tem falado mais sobre isso e jogado mais luz sobre esse tema, de forma que quando a gente faz essa pergunta de novo as pessoas entrevistadas conseguem entender que j\u00e1 passaram por isso, que j\u00e1 foram alvo de piada que&nbsp;hoje&nbsp;sabem que s\u00e3o homof\u00f3bicas ou transf\u00f3bicas?\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p>Joseph ressalta que, atualmente, as empresas est\u00e3o mais preocupadas com diversidade e que o tema n\u00e3o \u00e9 mais uma exce\u00e7\u00e3o, mas sim a regra entre as companhias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEmpresas que s\u00e3o diversas, s\u00e3o vistas por profissionais como empresas onde eles querem trabalhar. Isso facilita o trabalho de contrata\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o. Existe tamb\u00e9m um ganho gigantesco que \u00e9, em primeiro lugar, a capacidade de resolver problemas de formas diferentes. Quando se tem um time com cen\u00e1rios de cria\u00e7\u00e3o com origens totalmente diferentes, problemas id\u00eanticos s\u00e3o encarados de outras formas. A gente consegue chegar a solu\u00e7\u00f5es melhores\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Papel das empresas<\/h2>\n\n\n\n<p>O levantamento mostra, no entanto, que ainda h\u00e1 desafios a serem superados no ambiente de trabalho.&nbsp;Entre o p\u00fablico heterossexual e cisg\u00eanero, 69% acreditam que as empresas em que trabalham apoiam a diversidade e colocam em pr\u00e1tica a\u00e7\u00f5es para a promo\u00e7\u00e3o de igualdade. Quando considerado apenas as pessoas LGBTQIAP+, esse percentual&nbsp;cai para 53%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os respondentes, as empresas podem tomar algumas atitudes para favorecer a diversidade. De acordo com a pesquisa, 72% dos entrevistados acreditam que deveria haver puni\u00e7\u00e3o para quem comete discrimina\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho por causa da orienta\u00e7\u00e3o sexual de colegas. Al\u00e9m disso, 80% acham importante que a empresa se posicione na promo\u00e7\u00e3o da igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o adianta s\u00f3 lembrar que a empresa \u00e9 diversa no dia&nbsp;28 de junho&nbsp;[Dia Internacional do Orgulho LGBT], esse \u00e9 um trabalho que precisa ser cotidiano, precisa ser incorporado pela empresa de fato. T\u00eam quest\u00f5es que se intercruzam. T\u00eam pessoas LGBT que tamb\u00e9m s\u00e3o negras, que tamb\u00e9m s\u00e3o pessoas com defici\u00eancia, que s\u00e3o da terceira idade. Quando a empresa vai trabalhar com essas quest\u00f5es, precisa intercruzar todas as nuances desses indiv\u00edduos e trabalhar para que realmente haja diversidade\u201d, diz o diretor sociocultural do Grupo Arco-\u00cdris e coordenador municipal no Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;da Alian\u00e7a Nacional LGBTI+, Julio Moreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empregados, de forma geral, relatam tamb\u00e9m a pouca representatividade no mercado de trabalho, principalmente, pela falta de pessoas trans. Pouco menos da metade, 45% dos profissionais, afirma nunca&nbsp;ter&nbsp;trabalhado com pessoas trans e 77% dos entrevistados sentem falta de representatividade de profissionais transg\u00eaneros no mercado de trabalho formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Moreira, pessoas trans t\u00eam ainda mais dificuldade de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Levantamento da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostra que 90% dessa popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o no mercado da prostitui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguem acessar o mercado formal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA empresa precisa estar preparada para receber essa popula\u00e7\u00e3o e, no seu dia a dia, aprender a lidar com a diversidade como um todo\u201d, diz Moreira. \u201cH\u00e1 especificidades dessa popula\u00e7\u00e3o que precisam ser trabalhadas, um exemplo \u00e9 o acesso ao banheiro [em conformidade com o g\u00eanero], por pessoas trans e precisam lidar com outras quest\u00f5es que ligam a gatilhos emocionais que v\u00e3o fazer com que aquela pessoa n\u00e3o se sinta \u00e0 vontade dentro daquela empresa. S\u00f3 o fato de chamar a pessoa pelo g\u00eanero errado, ou seja, chamar uma mulher trans de ele ou um homem trans de ela, j\u00e1 vai gerar uma s\u00e9rie de problemas dentro da daquela empresa\u201d, acrescenta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preconceito<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados mostram que o preconceito \u00e9 percebido de forma distinta. Entre as pessoas LGBTQIAP+, 75% consideram que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds homof\u00f3bico. J\u00e1 entre as pessoas heterossexuais, essa porcentagem cai para 49%.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio traz consequ\u00eancias em termos de sa\u00fade mental. De acordo com o levantamento, pessoas LGBTQIAP+ t\u00eam maior tend\u00eancia a sofrer com problemas de sa\u00fade mental (47%) se comparado com aquelas que se identificam como heterossexuais (21%). Em um contexto p\u00f3s isolamento social, o retorno ao trabalho presencial causa mais ansiedade em pessoas LGBTQIAP+. Segundo o estudo, 42% afirmam que pensar em estar presencialmente no trabalho causa ansiedade. Entre o p\u00fablico heterossexual cisg\u00eanero, apenas 22% se sentem dessa forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste uma s\u00e9rie de cobran\u00e7as internas, h\u00e1 a quest\u00e3o da performance, a pessoa tem sempre que provar que \u00e9 melhor em tudo. Quando est\u00e1 \u2018dentro do arm\u00e1rio\u2019 \u00e9 pior ainda porque v\u00e3o&nbsp;ter&nbsp;os coment\u00e1rios dentro da empresa &#8211; que s\u00e3o quest\u00f5es culturais, que a gente precisa trabalhar -, que s\u00e3o coment\u00e1rios homof\u00f3bicos de colegas e que, muitas vezes, a pessoa tem que escutar e ficar calada. Isso tem impacto na sa\u00fade mental\u201d, diz Moreira.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, embora n\u00e3o exista uma lei espec\u00edfica contra a homofobia, por decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF), as\u00a0condutas homof\u00f3bicas e transf\u00f3bicas\u00a0 devem ser enquadradas nos crimes previstos na Lei de Racismo\u00a0(Lei 7.716\/89), que entre as penas prev\u00ea pris\u00e3o e multa a quem praticar atos de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O preconceito contra g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 fator de preocupa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. De acordo com o Relat\u00f3rio de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil ocorridas em 2021, do Grupo Gay da Bahia, 300 pessoas LGBT+ sofreram morte violenta em 2021, n\u00famero que representa 8% a mais do que no ano anterior, sendo 276 homic\u00eddios e 24 suic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao todo, a pesquisa conduzida pelo LinkedIn fez 1.181 entrevistas online, entre 6 e\u00a020 de maio\u00a0de 2022, sendo 1,1 mil com profissionais LGBTQIAP+ e, as demais, com heterossexuais. Os entrevistados t\u00eam idades entre 18 e 60 anos e s\u00e3o de todas as regi\u00f5es do Brasil. A margem de erro para a amostragem geral \u00e9 de 2,9 pontos percentuais e o intervalo de confian\u00e7a \u00e9 de 95%. A pesquisa foi feita em parceria com a Opinion Box. A pesquisa\u00a0pode ser conferida, na \u00edntegra, na internet.<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0LinkedIn\u00a0\u00e9, atualmente, a maior rede social profissional do mundo, conta com mais de 830 milh\u00f5es de usu\u00e1rios e est\u00e1 presente em mais de 200 pa\u00edses. No Brasil, a rede contabiliza 56 milh\u00f5es de usu\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa foi feita pela rede social LinkedIn.<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":335471,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[1673],"autor-wsj":[],"coauthors":[2490],"class_list":["post-340235","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios","tag-esg"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/340235","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=340235"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/340235\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":340260,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/340235\/revisions\/340260"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/335471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=340235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=340235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=340235"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=340235"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=340235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}