{"id":423,"date":"2020-01-13T07:44:37","date_gmt":"2020-01-13T10:44:37","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.investnews.com.br\/?p=423"},"modified":"2025-08-05T14:42:20","modified_gmt":"2025-08-05T17:42:20","slug":"brasileiros-criam-um-ibovespa-das-criptomoedas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/brasileiros-criam-um-ibovespa-das-criptomoedas\/","title":{"rendered":"Brasileiros criam um &#8216;Ibovespa&#8217; das criptomoedas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, a moeda virtual era o assunto da moda no <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/como-funciona-o-mercado-financeiro\/\">mercado financeiro<\/a>. O jornal The New York Times publicava uma reportagem registrando que, entre os aficionados, &#8220;todos estavam ficando ridiculamente ricos&#8221;. No mesmo momento, o americano Chris Larsen, at\u00e9 ent\u00e3o um ilustre desconhecido no mundo dos neg\u00f3cios, anunciava a Ripple, a sua moeda virtual para ser utilizada pelos bancos, e se tornava mais rico do que o criador do Facebook, Mark Zuckerberg &#8211; mesmo que por um breve per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>O carioca Marcelo Sampaio n\u00e3o chegou a aparecer na lista dos bilion\u00e1rios do Vale do Sil\u00edcio, mas poderia ter sido personagem da reportagem do Times. O engenheiro de produ\u00e7\u00e3o, que passou por empresas como Oracle e Microsoft, come\u00e7ou a comprar bitcoins em 2011, quando a moeda virtual valia cerca de R$ 12, e n\u00e3o parou desde ent\u00e3o. Sempre comprando, nunca vendendo. Em dezembro de 2017, viu a cota\u00e7\u00e3o do bitcoin bater em R$ 81 mil, para cair para R$ 56 mil duas semanas depois, em janeiro de 2018, at\u00e9 &#8220;se acomodar&#8221; no patamar de R$ 30 mil dos \u00faltimos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Sampaio e outros dois brasileiros &#8211; Bruno Caratori (ex-G\u00e1vea Investimentos) e Thiago Costa (que foi pesquisador da Universidade Harvard) &#8211; s\u00e3o donos de uma gestora de investimentos, a Hashdex, que vende cotas de um fundo que compra moedas virtuais pelo mundo para capturar os rendimentos (ou distribuir o preju\u00edzo) do setor entre os cotistas. O produto \u00e9 comercializado por sete plataformas de investimento, incluindo a XP e o BTG Pactual, e j\u00e1 chamou a aten\u00e7\u00e3o da Nasdaq &#8211; a Bolsa de Valores eletr\u00f4nica de Nova York -, que est\u00e1 comercializando a tecnologia por tr\u00e1s do produto: uma esp\u00e9cie de &#8220;Ibovespa&#8221; das criptomoedas, um \u00edndice com as principais moedas virtuais para a diversifica\u00e7\u00e3o dos investimentos na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Holofote<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O produto brasileiro chega no momento em que grandes investidores voltaram a demonstrar interesse pelo bitcoin, recolocando a criptomoeda no holofote. No fim do ano passado, o fundo soberano de Abu Dhabi comprou uma corretora de criptomoedas. Tamb\u00e9m o respeitado fundo patrimonial da Universidade Yale, o segundo maior do tipo nos Estados Unidos, alocou US$ 400 milh\u00f5es em uma \u00fanica gestora de moedas digitais, a Paradigm.<\/p>\n\n\n\n<p>De olho nesse movimento, os gestores de ativos come\u00e7am a replicar estrat\u00e9gias do mercado tradicional justamente com o intuito de capturar a aten\u00e7\u00e3o dos grandes investidores. Vale desde a constitui\u00e7\u00e3o de fundos de investimento multimercado, que divide a aloca\u00e7\u00e3o dos recursos em bitcoins e em t\u00edtulos de <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/renda-fixa-o-que-e\/\">renda fixa<\/a>, at\u00e9 a regra de diversifica\u00e7\u00e3o de aportes em diferentes produtos do mesmo setor. &#8220;Foi da\u00ed que nasceu o nosso \u00edndice&#8221;, afirma Sampaio. O racioc\u00ednio foi que investir em uma cesta em vez de numa \u00fanica moeda seria a \u00fanica forma de reduzir os riscos da alta volatilidade do setor ou de derretimento da moeda. &#8220;Entre comprar uma ou outra criptomoeda, eu resolvi comprar um pouco do mercado inteiro. Da\u00ed nasceu a ideia de compor um \u00edndice como o Ibovespa ou o S&amp;P 500.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sampaio conta que rodou o mundo atr\u00e1s de algu\u00e9m que pudesse fazer algo similar para o mercado de criptomoedas. &#8220;Um dia, me indicaram um especialista no assunto pela Universidade de Princeton. Era um brasileiro que morava a quatro quadras da minha casa, no Leblon&#8221;, conta. A indica\u00e7\u00e3o era Axel Simonsen, economista com passagens pela Bradesco Asset Management e pela gestora Vinci Partners. &#8220;Eu n\u00e3o conhecia nada de criptomoedas. Mas descobri algumas familiaridades com o mercado de a\u00e7\u00f5es, como valor de mercado e liquidez que cada moeda tinha, al\u00e9m de outros crit\u00e9rios, como a empresa respons\u00e1vel pela cust\u00f3dia digital das moedas&#8221;, diz o especialista, que hoje trabalha na tesouraria do Ita\u00fa BBA, e levou tr\u00eas meses para produzir o \u00edndice.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nasdaq<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice foi inaugurado no fim de 2018 com nove ativos. Hoje, s\u00e3o 13. O bitcoin, que na \u00faltima sexta-feira tinha valor de mercado de US$ 146 bilh\u00f5es, exatamente o mesmo valor da Netflix, tem um peso de 77% na cesta. At\u00e9 agora a ideia tem funcionado.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice acumulou alta de quase 60% em 2019 e chamou a aten\u00e7\u00e3o da Nasdaq, a Bolsa de Valores eletr\u00f4nica americana, que come\u00e7ou a comercializar o \u00edndice para outros fundos interessados.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora o \u00edndice da Hashdex tem sido utilizado apenas pela gestora, que lan\u00e7ou quatro fundos de investimentos que alocam os recursos na cesta de moedas digitais. No Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite aportes diretos em moedas virtuais. O Banco Central n\u00e3o considera o bitcoin e seus correlatos como um ativo financeiro. Para driblar o problema, Sampaio e seus s\u00f3cios replicaram uma estrat\u00e9gia adotada por um outro brasileiro, Glauco Cavalcanti, da BLP Asset. Em 2018, Cavalcanti desenvolveu uma solu\u00e7\u00e3o com a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios, fiscal do mercado financeiro. Ele criou um fundo nas Ilhas Cayman, no Caribe, e lan\u00e7ou no Brasil um segundo fundo, que aplica todo o seu dinheiro no &#8220;primo&#8221; estrangeiro. Em tese, cada R$ 1 alocado no fundo brasileiro \u00e9 convertido em d\u00f3lar e segue para o fundo espelho do para\u00edso<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um mercado muito novo, tudo que acontece aqui \u00e9 na base do teste, mas acredito muito no modelo de investimento em criptomoedas via mercado de capitais, por isso o interesse de tanta gente&#8221;, diz Pedro Padilha, respons\u00e1vel pela sele\u00e7\u00e3o de fundos no portf\u00f3lio da Genial. Para Steve Koshansky, que liderou o laborat\u00f3rio de iniciativa em moedas digitais do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o mercado tende a prestar mais aten\u00e7\u00e3o no setor com o avan\u00e7o de novas m\u00e9tricas por parte da ind\u00fastria. &#8220;Alguns grandes investidores come\u00e7am a ver esse mercado como uma classe \u00fanica de ativos, onde tem valor aplicar uma pequena por\u00e7\u00e3o no portf\u00f3lio&#8221;, diz. Ele lembra que existem outros \u00edndices no mercado, como o da americana Bitwise, que adota a estrat\u00e9gia de ranking das dez maiores moedas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Moeda virtual vira op\u00e7\u00e3o para fundos no exterior, diz estudo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo realizado no ano passado pela revista brit\u00e2nica Global Custodian, especializada em tecnologia para o mercado financeiro, mostrou que 94% dos principais fundos patrimoniais dos Estados Unidos, Canad\u00e1 e Inglaterra &#8211; conhecidos como &#8220;endowment funds&#8221;, criados para captar e gerir doa\u00e7\u00f5es &#8211; possuem hoje algum tipo de exposi\u00e7\u00e3o em ativos no mercado de moedas virtuais. A pesquisa ouviu administradores de 150 fundos, sendo 89% deles dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses gestores afirmaram que, apesar das preocupa\u00e7\u00f5es em torno da regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado e de dificuldades com a liquidez dos ativos, os fundos v\u00e3o continuar a investir em moedas virtuais como forma de diversifica\u00e7\u00e3o. A op\u00e7\u00e3o vem sendo adotada para ampliar a exposi\u00e7\u00e3o em risco em um mercado, hoje, dominado por <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/rentabilidade\/\">rentabilidade<\/a> praticamente nula ou at\u00e9 negativa na renda fixa.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento mostrou ainda que 54% dos fundos investem diretamente em moedas, enquanto 46% optaram por aportes por meio de fundos de investimento. Atualmente, existem cerca 40 fundos de investimento em criptomoedas pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, seis fundos est\u00e3o registrados na CVM &#8211; quatro deles da Hashdex e dois da BLP. A diferen\u00e7a entre eles \u00e9 o perfil, mas ambos funcionam como os chamados fundos multimercados, que t\u00eam a maior parte do patrim\u00f4nio na seguran\u00e7a de t\u00edtulos de renda fixa e uma parcela minorit\u00e1ria flutuando no risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fundos mais acess\u00edveis t\u00eam 20% do patrim\u00f4nio em moedas virtuais e 80% em t\u00edtulos p\u00fablicos. A vers\u00e3o turbinada, para investidores que declaram ter mais de R$ 1 milh\u00e3o em ativos no mercado financeiro, permite at\u00e9 40% do portf\u00f3lio em moedas virtuais. A taxa de administra\u00e7\u00e3o vai de 1% a 1,5% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o especialista em moedas virtuais Safiri Felix, presidente da associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane as corretoras que atuam no segmento (ABCripto), o modelo de fundos de investimento deve ganhar espa\u00e7o nos pr\u00f3ximos anos, embora ainda n\u00e3o se definiu um regimento adequado para esses produtos. &#8220;Muitos fundos tentam diversificar com outras moedas, mas todas elas guardam ainda muita correla\u00e7\u00e3o com o bitcoin. Isso pode mudar no futuro, mas hoje n\u00e3o adianta muito diversificar: quando o bitcoin cai, caem todas da mesma forma&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tecnologia \u00e9 negociada pela Bolsa americana Nasdaq<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":424,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[109906],"autor-wsj":[],"coauthors":[],"class_list":["post-423","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-criptomoedas"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=423"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/423\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":442,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/423\/revisions\/442"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=423"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=423"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}