{"id":443,"date":"2020-01-13T09:23:20","date_gmt":"2020-01-13T12:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.investnews.com.br\/?p=443"},"modified":"2020-01-13T09:23:20","modified_gmt":"2020-01-13T12:23:20","slug":"decada-passada-foi-a-pior-para-pib-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/decada-passada-foi-a-pior-para-pib-no-brasil\/","title":{"rendered":"D\u00e9cada passada foi a pior para PIB no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A economia brasileira registrou a menor taxa de crescimento desde 1900 na \u00faltima d\u00e9cada encerrada em 2019. Entre os anos de 2010 e 2019, o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no Pa\u00eds, cresceu a um ritmo de 1,39% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O dado consta de estudo do economista Roberto Macedo, da Universidade de S\u00e3o Paulo, ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica e que foi presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). O levantamento considera que cada d\u00e9cada se inicia nos anos terminados em zero e vai at\u00e9 os anos que terminam em nove.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A d\u00e9cada de 2010 foi a pior para o crescimento do PIB entre as 12 analisadas&#8221;, afirma Macedo. O desempenho m\u00e9dio anual do per\u00edodo foi menos da metade do registrado na d\u00e9cada anterior, iniciada em 2000 (3,39%). At\u00e9 ent\u00e3o, o pior resultado anual era de 1,75% nos anos 90 &#8211; \u00e9poca marcada por crises externas e planos fracassados de estabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise fiscal, segundo Macedo, foi o principal fator que levou o Pa\u00eds \u00e0 recess\u00e3o, que come\u00e7ou no segundo trimestre de 2014 e terminou no quarto trimestre de 2016. Desde ent\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o tem sido a passos lentos, com avan\u00e7os do PIB que n\u00e3o saem da casa de 1%.<\/p>\n\n\n\n<p>O fraco desempenho da economia brasileira nos anos 2010 &#8211; bem abaixo do crescimento m\u00e9dio do PIB de 155 economias emergentes e em desenvolvimento, que avan\u00e7aram 5,11% ao ano no mesmo per\u00edodo de acordo com o estudo &#8211; mostra sua face mais cruel no n\u00famero de desempregados e subempregados.<\/p>\n\n\n\n<p>No trimestre encerrado em novembro, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o era de 11,2%, ou de 11,9 milh\u00f5es de pessoas, segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua, do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O aumento do n\u00famero de moradores de rua \u00e9 uma consequ\u00eancia esperada, com a situa\u00e7\u00e3o da economia se agravando e o desemprego alt\u00edssimo&#8221;, observa Macedo. Esse \u00e9 o caso de Francisco Eduardo Lopes, de 28 anos, que veio do Cear\u00e1 e h\u00e1 dois anos vive nas ruas da capital paulista. Ele, que cursou at\u00e9 a 7.\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental, prestava servi\u00e7os de pedreiro e pintura e tirava R$ 2 mil por m\u00eas com as reformas. Mas desde 2018 n\u00e3o consegue servi\u00e7o e acabou indo parar num albergue. &#8220;Existe preconceito contra quem vive em albergue e \u00e9 complicado se recolocar, por n\u00e3o ter um endere\u00e7o fixo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Michel Lopes Kiill, 52 anos, ex-banc\u00e1rio que cursou faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o concluiu, enfrenta problema semelhante. Hoje, ele deve R$ 38 mil para bancos e financeiras e vive num centro que acolhe moradores de rua. &#8220;Quando voc\u00ea diz que mora em abrigo, dificilmente algu\u00e9m te d\u00e1 emprego.&#8221; Em 2015, \u00faltimo censo da Prefeitura apontou que eram 15,9 mil pessoas na rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima quinta-feira, dia 9, Kiill e Lopes eram dois dos cerca de 50 moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua em um caf\u00e9 da manh\u00e3 comunit\u00e1rio oferecido na Par\u00f3quia de S\u00e3o Miguel Arcanjo, no bairro paulistano da Mooca, na zona leste. H\u00e1 mais de 30 anos oferecendo a primeira refei\u00e7\u00e3o do dia para quem vive na rua, o padre J\u00falio Lancellotti, vig\u00e1rio da par\u00f3quia e da pastoral de rua da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo, diz que a maior parte deles \u00e9 jovem e busca trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem ascens\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa estagna\u00e7\u00e3o prejudicou muito as gera\u00e7\u00f5es recentes. Percebi que nas gera\u00e7\u00f5es passadas havia muita ascens\u00e3o social, ou seja, o status social dos filhos superava o dos pais. Hoje, isso se inverteu, com os filhos tendo dificuldade de at\u00e9 mesmo manter o status social dos pais&#8221;, diz Macedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o coordenador de Economia Aplicada do Ibre\/FGV, Armando Castelar, a retomada de investimentos do Pa\u00eds ainda depende da cria\u00e7\u00e3o de &#8220;um ambiente de neg\u00f3cios favor\u00e1vel, no qual os empres\u00e1rios tenham confian\u00e7a em colocar dinheiro no Pa\u00eds&#8221;. &#8220;O problema maior \u00e9 a inseguran\u00e7a jur\u00eddica, a estrutura tribut\u00e1ria muito custosa e incerta. Tamb\u00e9m a infraestrutura \u00e9 ruim, do ponto de vista do investidor privado&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Colega de Castelar no Ibre\/FGV, o economista Samuel Pess\u00f4a afirma que, ap\u00f3s anos marcados pelo intervencionismo do governo, o Pa\u00eds &#8220;tomou o caminho certo&#8221;. &#8220;Hoje, estamos infinitamente melhor do que em 2014. S\u00f3 que o caminho certo \u00e9 doloroso. Por isso, a lentid\u00e3o para ganharmos velocidade no crescimento&#8221;, diz ele. &#8220;Estamos arrumando a casa sem destruir a macroeconomia. Isso \u00e9 muito saud\u00e1vel e d\u00e1 mais solidez.&#8221;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para especialista, a crise fiscal foi o principal fator para a recess\u00e3o <\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":445,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[53],"autor-wsj":[],"coauthors":[],"class_list":["post-443","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-pib"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=443"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/443\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":446,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/443\/revisions\/446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=443"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=443"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}