{"id":606087,"date":"2024-08-08T07:00:00","date_gmt":"2024-08-08T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=606087"},"modified":"2024-08-09T20:59:26","modified_gmt":"2024-08-09T23:59:26","slug":"raspas-e-restos-que-interessam-o-poder-do-combustivel-feito-de-lixo-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/raspas-e-restos-que-interessam-o-poder-do-combustivel-feito-de-lixo-urbano\/","title":{"rendered":"Raspas e restos que interessam: o poder do combust\u00edvel feito de lixo urbano\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea provavelmente n\u00e3o usa um fog\u00e3o a lenha. Mas a ind\u00fastria usa, de certa forma. E massivamente: 51% da energia que todo o setor industrial consome no Estado de S\u00e3o Paulo, por exemplo, vem de caldeiras que queimam lenha \u2013 na forma de lascas \u2013 ou baga\u00e7o de cana, entre outros combust\u00edveis renov\u00e1veis. No jarg\u00e3o energ\u00e9tico, <strong>biomassa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa realidade pode ser parte da solu\u00e7\u00e3o para um problema cabeludo: o que fazer com o lixo. Mais precisamente, com a parte que n\u00e3o d\u00e1 para reciclar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das 211 mil toneladas que o Brasil produz por dia, a reciclagem d\u00e1 conta de at\u00e9 30%. Do resto, pouco mais da metade vai para aterros sanit\u00e1rios e pouco menos da metade vai parar em lix\u00f5es a c\u00e9u aberto, proibidos desde 1991 mas ainda na ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os aterros representam uma solu\u00e7\u00e3o mais civilizada, na compara\u00e7\u00e3o com a alternativa. Mas est\u00e3o longe de ser a ideal. Primeiro, porque emitem metano \u2013 g\u00e1s estufa 86 vezes mais poderoso que o g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2). Segundo, porque aterros n\u00e3o s\u00e3o eternos. Suportam uma certa quantidade de lixo e, ap\u00f3s algumas d\u00e9cadas, <em>c&#8217;est fini<\/em>. N\u00e3o t\u00eam como acolher mais nada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed basta abrir outro aterro e pronto, certo? De fato, mas terrenos gigantescos o bastante para receber centenas de toneladas de lixo por dia tamb\u00e9m s\u00e3o um recurso limitado, principalmente nos arredores dos centros urbanos, onde o grosso do lixo \u00e9 produzido. O natural \u00e9 que essas regi\u00f5es recebam mais resid\u00eancias e f\u00e1bricas, em vez de mais lixo. Reduzir a quantidade de material que hoje vai para os aterros, ent\u00e3o, \u00e9 uma urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra o mercado de biomassa. D\u00e1 para transformar boa parte do lixo urbano que vai parar em aterros num<strong> combust\u00edvel s\u00f3lido<\/strong>, adaptado para caldeiras que queimam lenha e baga\u00e7o de cana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como a demanda por biomassa \u00e9 enorme, mesmo se todo o lixo de um Estado como S\u00e3o Paulo fosse transformado nesse combust\u00edvel, ele mal ocuparia 5% da capacidade das caldeiras.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Calcula-se que 30% do lixo que vai parar nos aterros tenha o potencial de virar combust\u00edvel. Ou seja: seria poss\u00edvel ampliar a vida \u00fatil dessas estruturas em um ter\u00e7o, reduzir nessa mesma propor\u00e7\u00e3o a quantidade de metano que elas emitem e, ao mesmo tempo, fornecer energia mais barata \u00e0 ind\u00fastria \u2013 um desconto de 20% a 50% na compara\u00e7\u00e3o com a lenha, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse combust\u00edvel de lixo urbano tamb\u00e9m serve para alimentar fornos de f\u00e1bricas de cimento \u2013 que cozinham pedra a 1.450 \u00baC usando coque de petr\u00f3leo, uma esp\u00e9cie de &#8220;carv\u00e3o&#8221; derivado diretamente do l\u00edquido preto e ainda mais sujo que o carv\u00e3o mineral.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-1024x681.webp\" alt=\"Close-up da chama no forno rotativo durante o modo de aquecimento na f\u00e1brica de cimento\" class=\"wp-image-603012\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-1024x681.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-300x200.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-768x511.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-1536x1022.webp 1536w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-1256x835.webp 1256w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-172x114.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034-150x100.webp 150w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/AdobeStock_450568034.webp 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Forno de f\u00e1brica de cimento, que &#8220;cozinha pedra&#8221; a 1.450\u00ba C. Foto: Adobe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Curitiba inova no uso do lixo<\/h2>\n\n\n\n<p>Esse tipo de aproveitamento tem ganhado tra\u00e7\u00e3o. Um <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/o-que-e-consorcio\/\">cons\u00f3rcio<\/a> de 24 munic\u00edpios da Grande Curitiba, <strong>regi\u00e3o com forte presen\u00e7a da ind\u00fastria cimenteira<\/strong>, lan\u00e7ou no in\u00edcio deste ano um edital in\u00e9dito para a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel feito de lixo urbano. O processo est\u00e1 em andamento. O poder p\u00fablico compromete-se a pagar por tonelada o mesmo tanto que gastaria para enviar os res\u00edduos a um aterro (R$ 94, nesse caso) e a ajudar na prepara\u00e7\u00e3o dos fornos das f\u00e1bricas de cimento para receber o insumo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O nome t\u00e9cnico da coisa \u00e9 CDR \u2013 sigla para &#8220;combust\u00edvel derivado de res\u00edduos&#8221;. J\u00e1 existe um tipo de CDR em opera\u00e7\u00e3o comercial de larga escala, mas esse n\u00e3o \u00e9 derivado de lixo comum. Vem de res\u00edduos industriais: pneus velhos, pe\u00e7as de pl\u00e1stico, madeira contaminada por \u00f3leos. Tudo picado. E quem compra \u00e9 a ind\u00fastria cimenteira, que usa esse tipo de CDR em seus fornos, substituindo em parte o coque de petr\u00f3leo (26%).<\/p>\n\n\n\n<p>O CDR de lixo comum \u00e9 diferente. A mat\u00e9ria prima ali consiste em dejetos dif\u00edceis de reciclar: embalagem com gordura (caixa de pizza, embalagem de salgadinho\u2026), papel higi\u00eanico, absorvente, fraldas, al\u00e9m de pl\u00e1sticos n\u00e3o-recicl\u00e1veis (celofane, isopor, adesivos\u2026). Tudo picotado tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas f\u00e1bricas de cimento usam CDR de lixo urbano (CDR<strong>U<\/strong> no jarg\u00e3o) para complementar o de res\u00edduos industriais \u2013 caso de certas unidades da Votorantim. Mas existe um problema na hora de transformar lixo em CDRU: o alto teor de umidade, cortesia da parte org\u00e2nica que vem misturada nos dejetos. A \u00e1gua reduz o &#8220;poder calor\u00edfico&#8221; do material, tornando-o menos eficaz como combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O diferencial: c\u00e2maras de biodigest\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Cozinhar o lixo para evaporar a \u00e1gua n\u00e3o seria algo eficiente. O gasto de energia a\u00ed seria maior do que a quantidade de calorias que o CDRU iria gerar l\u00e1 na frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o, que foi desenvolvida na It\u00e1lia e est\u00e1 em fase de testes no Brasil. A ideia \u00e9 deixar os res\u00edduos em repouso, dentro de c\u00e2maras ventiladas de biodigest\u00e3o. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entra em decomposi\u00e7\u00e3o acelerada. &#8220;A degrada\u00e7\u00e3o dos l\u00edquidos, das gorduras, dos carboidratos gera muito calor. A massa de res\u00edduos chega naturalmente a 65\u00ba C&#8221;, diz Alexandre Langner Concei\u00e7\u00e3o, gerente de novos neg\u00f3cios da <strong>Estre Ambiental<\/strong>, operadora de aterros sanit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquecida, a massa de dejetos vai perdendo umidade devagar e sempre. Ao final de 16 dias voc\u00ea tem um CDRU seco, homog\u00eaneo, e j\u00e1 sem o &#8220;perfume&#8221; caracter\u00edstico da mat\u00e9ria-prima, pois o que era para ser decomposto j\u00e1 foi.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"720\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR_2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-603180\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR_2.webp 712w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR_2-297x300.webp 297w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR_2-170x172.webp 170w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR_2-96x96.webp 96w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR_2-150x152.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">CDRU \u2013 o combust\u00edvel s\u00f3lido feito de lixo n\u00e3o-org\u00e2nico que n\u00e3o d\u00e1 para reciclar. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Importante: nessas condi\u00e7\u00f5es (sob ventila\u00e7\u00e3o), a decomposi\u00e7\u00e3o emite CO2, em vez de metano \u2013 menos mal para a atmosfera. E aquilo que acabaria num aterro se torna combust\u00edvel, que pode virar energia nos <strong>fornos de cimento<\/strong> e nas caldeiras de biomassa.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das cimenteiras, o uso do CDRU \u00e9 uma realidade em franca ascens\u00e3o. A pr\u00f3pria Estre testa a tecnologia que mostramos aqui de olho no edital da Grande Curitiba e a expectativa \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o em escala industrial comece em 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o uso de CDRU nas <strong>caldeiras de biomassa<\/strong> \u00e9 um pouco mais complexo. E n\u00e3o se trata de uma realidade, mas de algo ainda em estudos. Antes de entrar nessa parte, por\u00e9m, vale um mergulho mais fundo no universo da biomassa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Baga\u00e7o e lenha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Usa-se bastante biomassa no Brasil por motivos \u00f3bvios. Primeiro, por conta da produ\u00e7\u00e3o mastod\u00f4ntica de cana. Cerca de 20% do territ\u00f3rio do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 ocupado por planta\u00e7\u00f5es de cana. A ind\u00fastria sucroalcooleira conta com um suprimento gigantesco de baga\u00e7o \u2013 uma fonte de energia razoavelmente limpa, j\u00e1 que o CO2 da queima nas caldeiras acaba absorvido pela planta\u00e7\u00e3o de novos p\u00e9s de cana.<\/p>\n\n\n\n<p>As caldeiras movidas a baga\u00e7o produzem toda a energia el\u00e9trica das usinas. O excedente \u00e9 vendido para o sistema. Um belo excedente: 6,1% de toda a eletricidade no Brasil vem de baga\u00e7o de cana \u2013 d\u00e1 12,5 terawatts, praticamente uma Itaipu (14 TW).<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo da autogera\u00e7\u00e3o de energia via biomassa, quem n\u00e3o tem baga\u00e7o ca\u00e7a com lenha (ou com outras fontes, mas vamos no ater aqui \u00e0 madeira). Porque ela \u00e9 uma alternativa mais barata que o g\u00e1s natural e mais verde: a madeira vem de planta\u00e7\u00f5es de eucalipto, entre outras esp\u00e9cies. E o CO2 da queima do material acaba absorvido pelo replantio das florestas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-bubble-chart\" data-src=\"visualisation\/18872333?1265504\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 toda uma economia em torno disso: plantadores de madeira, que vendem a mat\u00e9ria-prima em lascas (cavaco); empresas que montam caldeiras de biomassa sob medida para empresas a fim de substituir o g\u00e1s natural\u2013 caso da paulistana ComBio \u2013 e, claro, o cliente final: companhias que precisam gerar a pr\u00f3pria energia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos falando s\u00f3 em energia el\u00e9trica, mas em energia t\u00e9rmica tamb\u00e9m. Ou seja, a produ\u00e7\u00e3o de vapor com inten\u00e7\u00e3o de fabricar calor. A ind\u00fastria de alimentos e bebidas, por exemplo, trabalha com pasteuriza\u00e7\u00e3o, um processo que exige muita energia t\u00e9rmica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa energia que n\u00e3o teria como nascer em pain\u00e9is solares, por exemplo, j\u00e1 que eles s\u00f3 produzem eletricidade, n\u00e3o vapor.<\/p>\n\n\n\n<p>De volta ao lixo agora.<\/p>\n\n\n\n<p>O CDRU \u00e9 um combust\u00edvel agressivo, que machuca as paredes das instala\u00e7\u00f5es. E as caldeiras de biomassa s\u00e3o mais delicadas, vamos dizer assim, do que os fornos de cimenteiras. Elas n\u00e3o suportariam uma alta porcentagem de CDRU no mix de combust\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel fazer uma caldeira 100% CDRU? \u00c9 poss\u00edvel e tem muitas no mundo. Mas elas usam [nas paredes internas] uma liga de metal chamada Inconel, que \u00e9 cara. Muitas vezes n\u00e3o compensa para o operador que j\u00e1 tem uma caldeira retirar tudo e fazer uma nova&#8221;, diz Alexandre Langner, da Estre.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-1024x576.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-603179\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-1024x576.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-300x169.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-768x432.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-1536x864.webp 1536w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-1256x707.webp 1256w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-172x97.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR-150x84.webp 150w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/07\/CDR.webp 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O CDRU seco e homog\u00eaneo produzido a partir de biodigestores, na Estre Ambiental. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O que se faz, ent\u00e3o, \u00e9 estudar qual seria a porcentagem ideal de CDRU no mix para aproveitar as caldeiras que existem hoje. Pelos c\u00e1lculos da Estre, seria algo <strong>entre 5% e 10%<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 pouco. Se todo o lixo do Estado de S\u00e3o Paulo fosse convertido em CDRU, e todas as caldeiras de biomassa operassem na propor\u00e7\u00e3o de 5%, n\u00e3o iria mais nada para os aterros.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso seria uma utopia, claro. Aterros distantes de usinas de biomassa n\u00e3o seriam bons fornecedores \u2013 o custo com transporte inviabiliza. Mas mesmo um uso pontual j\u00e1 seria bem-vindo para tirar o estresse dos aterros. E para dar um impulso na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de energia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Porque o CDRU com baixo teor de umidade produzido nos biodigestores \u00e9 um combust\u00edvel mais eficiente: libera <strong>4.200 quilocalorias por kg<\/strong>, contra <strong>2.700 <\/strong>da lenha e <strong>1.700<\/strong> do baga\u00e7o de cana.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra vantagem \u00e9 que o uso do CDRU tem o potencial de liberar uma fra\u00e7\u00e3o da biomassa para usos mais nobres do que pegar fogo. As lascas de lenha que queimam nas caldeiras tamb\u00e9m s\u00e3o mat\u00e9rias primas para m\u00f3veis de compensado de madeira, afinal; e o baga\u00e7o de cana, para o SAF, o combust\u00edvel renov\u00e1vel de avia\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Juntando tudo, temos a\u00ed o que os especialistas em matem\u00e1tica aplicada chamam de &#8220;jogo de soma n\u00e3o zero&#8221; \u2013 quando todos os lados envolvidos numa quest\u00e3o saem em vantagem. Raspas e restos, definitivamente, interessam.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em>Agradecimentos: Yuri Schmitke, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica de Res\u00edduos (Abren); Danilo Perecin e Luciano Oliveira, EPE (Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica, do governo federal).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regi\u00e3o de Curitiba, polo cimenteiro, tem edital in\u00e9dito no pa\u00eds para a produ\u00e7\u00e3o em larga escala<\/p>\n","protected":false},"author":111,"featured_media":606712,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[653,824],"autor-wsj":[],"coauthors":[102469],"class_list":["post-606087","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-combustiveis","tag-energia"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/606087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/111"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=606087"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/606087\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":607469,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/606087\/revisions\/607469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/606712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=606087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=606087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=606087"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=606087"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=606087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}