{"id":613076,"date":"2024-09-09T07:00:00","date_gmt":"2024-09-09T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=613076"},"modified":"2024-09-10T09:32:28","modified_gmt":"2024-09-10T12:32:28","slug":"a-bomba-da-divida-americana-e-os-estilhacos-dela-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/a-bomba-da-divida-americana-e-os-estilhacos-dela-no-brasil\/","title":{"rendered":"A bomba da d\u00edvida americana. E os estilha\u00e7os dela no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 normal um pa\u00eds gastar mais do que arrecada. Se isso n\u00e3o existisse, n\u00e3o haveria t\u00edtulos p\u00fablicos \u2013 e se voc\u00ea tem um <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/fundos-di-o-que-sao-e-como-funcionam\/\">fundo DI<\/a> seu dinheiro est\u00e1 em t\u00edtulos p\u00fablicos, recebendo juros do governo. Mas, aparentemente, a pr\u00e1tica ficou normal <em>demais<\/em>. Principalmente l\u00e1 fora. E isso pode trazer problemas; principalmente aqui dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto: neste s\u00e9culo, os Estados Unidos s\u00f3 gastaram<em> menos <\/em>do que arrecadaram em tr\u00eas ocasi\u00f5es: 2001, 2002 e 2007. Nos outros anos, o saldo foi negativo. Rolou d\u00e9ficit, como dizem no jarg\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>E isso em termos de d\u00e9ficit <em>prim\u00e1rio<\/em> \u2013 aquele que exclui gastos com o pagamento dos t\u00edtulos p\u00fablicos que foram vencendo. Na conta completa, a do d\u00e9ficit <em>nominal<\/em>, que inclui os titulos, todos os anos do s\u00e9culo 21 fecharam no vermelho por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-1024x575.webp\" alt=\"Bolha de sab\u00e3o representando a d\u00edvida americana\" class=\"wp-image-613116\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-1024x575.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-300x168.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-768x431.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-1536x862.webp 1536w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-2048x1150.webp 2048w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-1256x705.webp 1256w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-172x97.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN_Ilustra_Divida_V2-150x84.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">D\u00edvida p\u00fablica dos EUA s\u00f3 cresce e j\u00e1 chega a 120% do PIB\/ Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Brito<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>E a gastan\u00e7a j\u00e1 vinha de antes. Nos \u00faltimos 50 anos, os EUA s\u00f3 registraram super\u00e1vit prim\u00e1rio (o oposto do d\u00e9ficit prim\u00e1rio) em 13 anos. Super\u00e1vit nominal, aquele em que sobra dinheiro mesmo depois de quitar d\u00edvidas, quase nada: s\u00f3 <em>quatro vezes <\/em>desde 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tudo isso, o governo americano agora soma US$ 35 trilh\u00f5es em d\u00edvidas. \u00c9 um n\u00famero t\u00e3o grande que nem cabe no c\u00e9rebro. H\u00e1 35 trilh\u00f5es<em> de segundos<\/em>, para dar uma ideia, a humanidade n\u00e3o existia \u2013 isso d\u00e1 1,1 milh\u00e3o de anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos fazer como os economistas, ent\u00e3o, e mostrar o volume da coisa na forma de &#8220;rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB&#8221; \u2013 a melhor, pois permite comparar \u00e9pocas diferentes e pa\u00edses distintos. Por esse crit\u00e9rio, a d\u00edvida p\u00fablica dos Estados Unidos est\u00e1 em mais de 120% do PIB deles (a nossa, perto de 80% \u2013 mais sobre isso adiante).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que esses 120% dos EUA significam? Tudo. A \u00faltima, e <em>\u00fanica<\/em>, vez em que a d\u00edvida da maior economia do mundo chegou a esse patamar foi em 1946 \u2013 com a rolagem das d\u00edvidas da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/19279085?1265504\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/19279085\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\"><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Dali em diante, um controle mais r\u00edgido dos gastos p\u00fablicos e uma alta rampante do Produto Interno Bruto foram amassando a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB at\u00e9 que ela chegasse a esqu\u00e1lidos 30%, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>A Alemanha, refer\u00eancia planet\u00e1ria em austeridade fiscal, mant\u00e9m sua d\u00edvida p\u00fablica na casa dos 60%. E tudo certo. Na verdade, \u00e9 at\u00e9 bom que a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB <em>n\u00e3o fique abaixo de 60%<\/em>, j\u00e1 que gastos p\u00fablicos bem feitos impulsionam a economia, diria Keynes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para negar. Paul Krugman, Nobel de economia, disse certa vez: &#8220;O que realmente p\u00f4s um fim na Grande Depress\u00e3o americana foi um programa massivo de obras p\u00fablicas chamado Segunda Guerra Mundial&#8221;.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, nos EUA a d\u00edvida p\u00fablica tamb\u00e9m chegaria aos sacrossantos 60%, nos anos 1990. E ficaria nesse patamar saud\u00e1vel at\u00e9 2008 \u2013 o ano de uma crise que, de certa forma, ainda n\u00e3o terminou. \u00c9 o que vamos ver agora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Grande Recess\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O uso de gastos p\u00fablicos para fortalecer a economia \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. Quando o assunto \u00e9<em> salvar<\/em> a economia, n\u00e3o. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o mesmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, uma onda de fal\u00eancias banc\u00e1rias levou a economia dos EUA ao seu pior momento em quase um s\u00e9culo, a &#8220;Grande Recess\u00e3o&#8221;. Para evitar que ela virasse uma nova Grande Depress\u00e3o, o governo endividou-se para soltar US$ 1,5 trilh\u00e3o entre ajudas para bancos e pacotes de est\u00edmulo em geral \u2013 o mais pitoresco, comprar carros usados de pessoas comuns com dinheiro p\u00fablico para for\u00e7ar a troca por modelos novos, de modo a movimentar a ind\u00fastria automobil\u00edstica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, o Banco Central dos EUA reduziu os juros a 0,25% ao ano no final de 2008. E os manteve abaixo de 1% por nove anos. A inten\u00e7\u00e3o era deixar o dinheiro mais barato no mercado de cr\u00e9dito, o que agita a economia como um todo. No fim, o juro baixo foi fundamental para tirar os EUA do sufoco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/agro-bomba-e-exportadoras-aproveitam-janelas-de-negociacao-com-o-dolar-forte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exportadoras aproveitam janelas de negocia\u00e7\u00e3o com o d\u00f3lar forte<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa moeda tem outro lado. Dinheiro mais barato na pra\u00e7a estimula o governo a fazer mais d\u00edvida \u2013 mesmo que ele n\u00e3o esteja precisando de dinheiro. Gastos p\u00fablicos, afinal, tamb\u00e9m s\u00e3o um ativo pol\u00edtico. Rendem votos. E se d\u00e1 para gastar mais pagando menos juros, gaste-se mais. Nisso, a d\u00edvida foi crescendo. Em 2017, chegava a 104% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>Dali at\u00e9 2019 o Fed elevou os juros para a casa dos 2%. O normal seria eles terem ficado por muitos anos num patamar assim (que n\u00e3o chega a estumular a economia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o atrapalha). Mas uma pedra foi parar nesse caminho: a pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Grande Infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>De novo, os EUA (e o mundo) estavam sob a amea\u00e7a de uma Grande Depress\u00e3o. Isso exigiu um ant\u00eddoto barra pesada: juros prematuramente de volta a 0,25% ao ano mais um pacote trilion\u00e1rio de aux\u00edlios governamentais para manter a economia respirando. A\u00ed n\u00e3o teve jeito. A d\u00edvida chegou \u00e0 casa dos 120% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, juro baixo demais por tempo demais cria infla\u00e7\u00e3o. Gastos p\u00fablicos em excesso, idem. Natural: come\u00e7a a existir mais dinheiro na economia do que coisas para comprar com esse dinheiro, e os pre\u00e7os n\u00e3o t\u00eam outra dire\u00e7\u00e3o a seguir que n\u00e3o para cima. Foi o que aconteceu. Por l\u00e1, a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses chegaria a<strong> 9,1%<\/strong> em junho de 2022 \u2013 a maior em 40 anos. <\/p>\n\n\n\n<p>Para combater esse drag\u00e3o, o Fed subiu os juros para o patamar mais alto desde 2001 (<strong>5,5% <\/strong>ao ano). Mas isso n\u00e3o bastou para conter a sanha gastadora do governo. Talvez os anos e anos de gastos \u00e0 vontade, com efeitos ben\u00e9ficos, tenham baixado o sarrafo da disciplina fiscal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E a verdade \u00e9 que, mesmo com o dinheiro agora caro na pra\u00e7a, o governo seguiu gastando como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3 \u2013 com programas como o Chips and Science Act, que banca com toneladas dinheiro de p\u00fablico o renascimento da ind\u00fastria de semicondutores nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, por exemplo, os Estados Unidos arrecadaram US$ 4,4 trilh\u00f5es. Mas gastaram US$ 6,1 trilh\u00f5es. A maior parte nem foi para os programas, mas para a rolagem de d\u00edvida \u2013 ou seja, o pagamento de empr\u00e9stimos antigos com empr\u00e9stimos novos, numa bola de neve.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No <strong>gr\u00e1fico aqui embaixo<\/strong>, elaborado pela <a href=\"https:\/\/www.pgpf.org\/national-debt-clock\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Peterson<\/a>, fica mais claro. A diferen\u00e7a entre o d\u00e9ficit prim\u00e1rio e o d\u00e9ficit nominal representa os gastos s\u00f3 com os encargos da d\u00edvida. Eles engordaram brutalmente. E a tend\u00eancia segue firme. Veja:     <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"743\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/GRAFICO-DEFICIT-novo.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-613082\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/GRAFICO-DEFICIT-novo.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/GRAFICO-DEFICIT-novo-300x218.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/GRAFICO-DEFICIT-novo-768x557.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/GRAFICO-DEFICIT-novo-172x125.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/GRAFICO-DEFICIT-novo-150x109.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia de tanto d\u00e9ficit, de tanta d\u00edvida, \u00e9 t\u00e9trica. &#8220;Eles est\u00e3o caminhando cada vez mais para ser um pa\u00eds desenvolvido com perfil de emergente&#8221;, define <strong>S\u00e9rgio Werlang<\/strong>, da FGV e ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC.<\/p>\n\n\n\n<p>Significa o seguinte: com a sucess\u00e3o de d\u00e9ficits profundos a todo vapor, investidores come\u00e7am a exigir juros quase que de pa\u00eds emergente para emprestar para os EUA. &#8220;As taxas de juros mais longas s\u00e3o muito maiores hoje do que eram no pr\u00e9-pandemia&#8221;, diz <strong>Solange Srour<\/strong>, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Taxas mais longas&#8221; s\u00e3o aquelas dos t\u00edtulos que vencem daqui a 20 ou 30 anos. Essas s\u00e3o mais afetadas pelas perspectivas de sustentabilidade da d\u00edvida do que as taxas curtas, que respondem mais \u00e0 infla\u00e7\u00e3o corrente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De fato. Em 2019, o Treasury com vencimento de 30 anos pagava 2% a.a. Hoje, 4%. &#8220;Isso n\u00e3o acontece s\u00f3 por conta da infla\u00e7\u00e3o maior. Acho que os investidores tamb\u00e9m passaram a demandar mais retorno para carregar as d\u00edvidas&#8221;, completa Srour.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que o Brasil tem a ver com esse pastel? \u00c9 o que vamos ver agora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os estilha\u00e7os no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem muito jeito. Se os EUA ficam com &#8220;perfil de emergente&#8221;, os emergentes de fato, como n\u00f3s, decaem para <em>submergentes <\/em>no mercado global de t\u00edtulos p\u00fablicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o somos um exemplo de equil\u00edbrio fiscal. H\u00e1 10 anos, nossa rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida PIB estava na casa dos 50%. Agora, se aproxima dos 80%. Com essa curva ascendente, nosso governo tamb\u00e9m precisa oferecer juros maiores para cobrir seus d\u00e9ficits. <\/p>\n\n\n\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais de temperatura e press\u00e3o, com os EUA oferecendo 2% ao ano nos juros longos, j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil concorrer. Agora, ent\u00e3o, nem se fale. E a rolagem da nossa d\u00edvida vai ficando cada vez mais cara. Pois \u00e9. O Brasil praticamente n\u00e3o tem neve. Mas tamb\u00e9m tem bola de neve.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tem mais. Numa realidade com t\u00edtulos americanos pagando juros mais sedutores, aumenta a demanda por d\u00f3lares mundo afora \u2013 pois voc\u00ea precisa de notas verdes para comprar esses pap\u00e9is. Isso impulsiona a cota\u00e7\u00e3o da moeda americana. D\u00f3lar mais caro aumenta o pre\u00e7o dos importados. Isso gera infla\u00e7\u00e3o. E pressiona o BC a aumentar a Selic \u2013 o que freia a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 problemas, basicamente \u2013 como se os do nosso governo j\u00e1 n\u00e3o bastassem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cart\u00e3o rotativo<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas e a\u00ed? Se nem o amor \u00e9 eterno, posto que \u00e9 chama. Porque o cart\u00e3o rotativo dos EUA duraria para sempre?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vai durar. &#8220;Em algum momento nos pr\u00f3ximos dez anos, cinco anos, n\u00e3o sei, ter\u00e1 de haver algum evento nos Estados Unidos&#8221;, diz <strong>Samuel Pess\u00f4a<\/strong>, pesquisador do FGV Ibre e s\u00f3cio-diretor do Julius Baer Family Office. Esse &#8220;evento&#8221; seria o seguinte: investidores questionarem, em massa, se os EUA t\u00eam mesmo condi\u00e7\u00f5es de continuar rolando sua d\u00edvida sem produzir super\u00e1vits. Caso essa d\u00favida evolua para um p\u00e2nico, ver\u00edamos um evento improv\u00e1vel: queda na demanda por t\u00edtulos americanos e, por consequ\u00eancia, desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar \u2013 o que colocaria fogo na infla\u00e7\u00e3o por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Num cen\u00e1rio assim, pela vis\u00e3o de Pess\u00f4a, fazer super\u00e1vits se tornaria uma imin\u00eancia pol\u00edtica. O governo frearia gastos, aumentaria impostos\u2026 E a\u00ed a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida PIB dos EUA voltaria a n\u00edveis mais terr\u00e1queos, mais seguros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que aconteceu depois da Segunda Guerra Mundial. Que a volta \u00e0 normalidade, desta vez, n\u00e3o precise de uma Terceira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se j\u00e1 n\u00e3o bastasse a quest\u00e3o fiscal daqui, a de l\u00e1 tamb\u00e9m complica nossa vida. 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