{"id":617401,"date":"2024-09-25T07:00:00","date_gmt":"2024-09-25T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=617401"},"modified":"2024-09-25T11:49:56","modified_gmt":"2024-09-25T14:49:56","slug":"energia-solar-por-assinatura-diminui-a-conta-de-luz-em-ate-20-e-causa-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/energia-solar-por-assinatura-diminui-a-conta-de-luz-em-ate-20-e-causa-polemica\/","title":{"rendered":"Energia solar &#8216;por assinatura&#8217; diminui a conta de luz em at\u00e9 20%. E causa pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"\n<p>Em novembro do ano passado, chuvas catacl\u00edsmicas deixaram boa parte da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo no escuro. O empres\u00e1rio Ivo (nome fict\u00edcio), dono de um restaurante na zona Oeste da capital paulista, lembra-se claramente daqueles dias sombrios. A tempestade que durou pouco mais de um dia apagou as luzes de 2,5 milh\u00f5es de endere\u00e7os. <\/p>\n\n\n\n<p>No condom\u00ednio fechado onde mora, Ivo conta que a energia resistiu apenas em sua casa e numa outra pr\u00f3xima. A sua salva\u00e7\u00e3o e a do vizinho veio da<strong> autogera\u00e7\u00e3o solar<\/strong>. Durante o dia, pelo menos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ap\u00f3s as chuvas terem parado, <strong>muitas resid\u00eancias ficaram v\u00e1rios dias sem for\u00e7a<\/strong> naquele apag\u00e3o inesperado. Ivo conta que puxou um &#8220;gato&#8221; de seus pain\u00e9is solares para abastecer a casa da m\u00e3e, ao lado da sua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a eletricidade finalmente voltou, a maioria dos vizinhos tinha perdido os alimentos guardados nas geladeiras e muitos tomaram banho gelado por dias. Sem contar transtornos menores como a falta de internet, dificuldade de carregar o celular e os jantares for\u00e7ados \u00e0 luz de velas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter se tornado a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para a fam\u00edlia durante um apag\u00e3o, no entanto, foi apenas um epis\u00f3dio pontual dentre os benef\u00edcios de gerar a pr\u00f3pria eletricidade. O que conta hoje \u00e9 a <strong>economia no custo da luz<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante o dia, as placas solares convertem a luz em energia para abastecer a resid\u00eancia. D\u00e1 e sobra. E quando o Sol vai embora, a casa usa a rede tradicional. At\u00e9 a\u00ed, normal. O <strong>pulo do gato \u00e9 outro<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>A casa do empres\u00e1rio faz parte de um grupo que cresce sem parar: o dos micro e mini geradores que integram o <strong>sistema de gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda (GD)<\/strong>. J\u00e1 s\u00e3o 2,89 milh\u00f5es espalhados pelo pa\u00eds todo.  <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse arranjo, a eletricidade produzida \u2013 mas n\u00e3o consumida \u2013 durante o dia vai para a rede distribuidora. Em troca, Ivo recebe cr\u00e9ditos, ou seja, descontos na conta de luz. Nos c\u00e1lculos do empres\u00e1rio,<strong> sua economia \u00e9 de 85%<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das unidades de microgera\u00e7\u00e3o, o sistema GD re\u00fane tamb\u00e9m usinas solares de pequeno porte, com capacidade entre <strong>75 kW (quilowatts)<\/strong> \u2013 o bastante para alimentar 60 resid\u00eancias \u2013 a <strong>5 MW (megawatts)<\/strong> \u2013 uma vizinhan\u00e7a de 17 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse nicho das fazendas solares que surge uma das maiores vantagens do GD para os consumidores. Isso porque, mesmo quem n\u00e3o pode instalar placas fotovoltaicas, como apartamentos, por exemplo, consegue aproveitar os cr\u00e9ditos na conta de luz, distribu\u00eddos pelas usinas geradoras locais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1025\" height=\"924\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN-ARTE-GERACAO-2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-617865\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN-ARTE-GERACAO-2.webp 1025w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN-ARTE-GERACAO-2-300x270.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN-ARTE-GERACAO-2-768x692.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN-ARTE-GERACAO-2-172x155.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/09\/IN-ARTE-GERACAO-2-150x135.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1025px) 100vw, 1025px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como funciona? <\/h2>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea recebe <strong>duas faturas<\/strong>. Em uma, paga diretamente \u00e0 <strong>fazenda solar<\/strong>. A outra conta vem da distribuidora. \u00c9 a conta de luz tradicional, mas j\u00e1 com os cr\u00e9ditos em seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que o <strong>desconto na fatura<\/strong> seja maior que o tanto que voc\u00ea gasta com a fazenda. Na linha: paga R$ 50 para a geradora solar e embolsa um cr\u00e9dito de R$ 80 junto \u00e0 distribuidora (n\u00fameros meramente ilustrativos).  <\/p>\n\n\n\n<p>A distribuidora, vale lembrar, \u00e9 a <strong>concession\u00e1ria que leva a eletricidade ao consumidor final<\/strong> \u2013 o que a Enel faz em S\u00e3o Paulo e a Light no Rio. Essas companhias s\u00e3o respons\u00e1veis pelos postes, transformadores e fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica que vemos nas ruas. E tamb\u00e9m pelas subesta\u00e7\u00f5es locais, que fazem a conex\u00e3o das grandes linhas de transmiss\u00e3o \u00e0 rede de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem adere \u00e0 gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda por essa via vai fazer parte de um <strong><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/o-que-e-consorcio\/\">cons\u00f3rcio<\/a> ou cooperativa<\/strong>. O grupo monta e mant\u00e9m uma fazenda solar. Com isso, recebe cr\u00e9ditos proporcionais na conta de eletricidade para compensar a energia injetada na rede.&nbsp;Existem diversas empresas especializadas em instalar fazendas solares com esse objetivo, no pa\u00eds todo. <strong>\u00c9 s\u00f3 buscar &#8220;energia por assinatura&#8221; no Google<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>economia<\/strong> com eletricidade, no fim das contas, <strong>fica entre 10% a 20%<\/strong>, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Solar (Absolar). \u00c9 claro que esse c\u00e1lculo depende de diversos fatores, como o pr\u00f3prio consumo da resid\u00eancia, a bandeira tarif\u00e1ria, a quantidade de luz na regi\u00e3o e, como n\u00e3o, quest\u00f5es clim\u00e1ticas (em temporadas de chuva, a irradia\u00e7\u00e3o solar \u00e9 menor, claro). <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crescimento de 3.000%<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2019, a gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda de energia solar produzia menos de 1 GW (gigawatt). Hoje, s\u00e3o 32,1 GW \u2013 <strong>um crescimento de mais de 3.000%<\/strong>. Isso sozinho j\u00e1 equivale a 13,5% de toda a energia produzida no pa\u00eds. Some isso aos 15,3 GW das grandes usinas fotovoltaicas (voltadas n\u00e3o para a autogera\u00e7\u00e3o, mas para alimentar o sistema el\u00e9trico normal), e temos que <strong>20% da energia do Brasil \u00e9 hoje solar<\/strong>. Agora ela s\u00f3 perde para a hidrel\u00e9trica, que um dia foi respons\u00e1vel por praticamente toda a nossa eletricidade. <\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-pictogram\" data-src=\"visualisation\/19447937?1265504\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/19447937\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"pictogram visualization\"><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>E tudo isso com o fato de que a <strong>mini e a micro gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda respondem por 70% da energia solar<\/strong>. \u00c9 uma realidade completamente nova. E que cresce em ritmo acelerado. De cada quatro pain\u00e9is solares desse modalidade, um foi instalado em 2024. <\/p>\n\n\n\n<p>Para os pr\u00f3ximos anos, h\u00e1 empreendimentos ambiciosos no horizonte. \u00c9 o caso do Projeto Tri\u00e2ngulo, das empresas A2 Empreendimentos e Solarmine. A iniciativa prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de <strong>11 parques solares<\/strong> em munic\u00edpios do Tri\u00e2ngulo Mineiro at\u00e9 2026, no oeste de Minas Gerais, com investimento de R$ 140 milh\u00f5es. <strong>Cada usina ter\u00e1 3,5 MW, somando 38,5 MW<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O pomo da disc\u00f3rdia<\/h2>\n\n\n\n<p>A GD, por\u00e9m, tornou-se um tema pol\u00eamico desde a <strong>aprova\u00e7\u00e3o no Congresso do marco do sistema em 2022<\/strong>. Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane os 50 maiores grupos empresariais consumidores de energia do pa\u00eds, tem sido uma voz cr\u00edtica ao sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>O dirigente argumenta que os subs\u00eddios \u00e0 gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda geram benef\u00edcios para uma minoria, mas a <strong>conta acaba dividida entre todos os consumidores<\/strong>. &#8220;Somos obrigados a pagar uma energia mais cara do que o necess\u00e1rio&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas contas da entidade com base em dados da Aneel, regulador do setor el\u00e9trico, os <strong>subs\u00eddios \u00e0 GD representam um custo de R$ 4 bilh\u00f5es<\/strong> \u2013 que v\u00e3o para bancas os descontos na conta de luz das pessoas e empresas que fazem autogera\u00e7\u00e3o vendem a energia que sobra para o sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>As <strong>distribuidoras s\u00e3o obrigadas a dar esse desconto<\/strong>. E a\u00ed n\u00e3o t\u00eam outra sa\u00edda que n\u00e3o seja repassar os custos para as contas de luz de todo mundo. &#8220;Quem banca \u00e9 o consumidor&#8221;, diz o diretor de energia el\u00e9trica da Abrace, Victor iOcca.&nbsp;E esse <strong>custo vai aumentar<\/strong> conforme a GD solar se expande. &#8220;Criar subs\u00eddios \u00e9 f\u00e1cil, mas retirar \u00e9 muito dif\u00edcil.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que alimenta as discuss\u00f5es vem do fato que a <strong>gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda compete com a energia produzida pelas geradoras<\/strong> \u2013 sejam as hidrel\u00e9tricas, as e\u00f3licas, as t\u00e9rmicas ou as solares do sistema normal, o da gera\u00e7\u00e3o centralizada.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que gera\u00e7\u00e3o de energia \u00e9, obviamente, um neg\u00f3cio \u2013 que perde terreno com o crescimento extraordin\u00e1rio da GD. <strong>Pequenos geradores<\/strong> integrantes da Absolar, por exemplo, <strong>t\u00eam relatado dificuldade em conectar sistemas novos \u00e0s redes de distribuidoras<\/strong> em alguns centros urbanos. <\/p>\n\n\n\n<p>O s\u00f3cio e diretor da Thymos Energia, Jovanio Santos, explica haver em algumas regi\u00f5es um <strong>descompasso entre o crescimento acelerado<\/strong> da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda e a rapidez com que a concession\u00e1ria consegue <strong>ampliar a rede para acomodar a energia nova gerada<\/strong>. &#8220;Isso cria um gargalo, uma vez que a fazenda solar vai precisar esperar a amplia\u00e7\u00e3o da rede ficar pronta, o que pode demorar meses ou at\u00e9 anos.\u02dc <\/p>\n\n\n\n<p>Uma <strong>solu\u00e7\u00e3o seria acabar com os subs\u00eddios<\/strong> \u2013 o que seria um progresso no sentido de reequilibrar o mercado de energia. Por outro lado, isso frearia a expans\u00e3o de uma fonte de energia limpa \u2013 um enorme retrocesso do ponto de vista ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>E fica a ironia: uma revolu\u00e7\u00e3o aconteceu. A <strong>energia solar j\u00e1 \u00e9 a segunda maior do pa\u00eds<\/strong>. E praticamente tudo obra da autogera\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que mesmo essa nova realidade, essencialmente positiva, tamb\u00e9m cria problemas duros de resolver. Como diz o Eclesiastes, debaixo do Sol n\u00e3o h\u00e1 nada novo.  <\/p>\n\n\n\n<p>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela vem de fazendas solares que mandam energia para o sistema \u2013 e criam subs\u00eddios para os associados. 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