{"id":643344,"date":"2024-12-02T11:00:00","date_gmt":"2024-12-02T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.veezor.com\/geral\/a-busca-final-de-um-cientista-para-curar-a-esquizofrenia-ele-conseguira\/"},"modified":"2025-01-04T10:52:31","modified_gmt":"2025-01-04T13:52:31","slug":"a-busca-final-de-um-cientista-para-curar-a-esquizofrenia-ele-conseguira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/a-busca-final-de-um-cientista-para-curar-a-esquizofrenia-ele-conseguira\/","title":{"rendered":"A busca final de um cientista para curar a esquizofrenia. Ele conseguir\u00e1?"},"content":{"rendered":"\n<p>O m\u00e9dico Edward Scolnick acha que precisa de cinco, talvez mais dez anos para resolver um dos maiores mist\u00e9rios do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick, de 84 anos, passou a maior parte das \u00faltimas duas d\u00e9cadas tentando entender e encontrar melhores maneiras de tratar a esquizofrenia e o transtorno bipolar, doen\u00e7as mentais de dezenas de milh\u00f5es de pessoas, incluindo seu filho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sei que posso decifr\u00e1-la\u201d, disse Scolnick, not\u00e1vel desenvolvedor de medicamentos que passou sua carreira analisando os blocos de constru\u00e7\u00e3o do DNA para desenvolver novos tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito antes de sua \u00faltima busca, Scolnick passou 22 anos na gigante farmac\u00eautica Merck, principalmente como chefe de pesquisa de laborat\u00f3rio. Ele liderou o desenvolvimento de mais de duas d\u00fazias de medicamentos, incluindo a primeira estatina aprovada para reduzir o colesterol, um tratamento para osteoporose e uma terapia anti-HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m era o cientista-chefe da empresa durante o desenvolvimento e lan\u00e7amento do analg\u00e9sico e anti-inflamat\u00f3rio Vioxx, em 1999. Mais tarde, pesquisadores publicaram um estudo no qual estimaram que dezenas de milhares de pessoas morreram de ataque card\u00edaco depois de tomar o medicamento antes que a Merck o retirasse do mercado em 2004. A empresa pagou US$ 4,85 bilh\u00f5es para resolver a\u00e7\u00f5es judiciais com pessoas que alegaram ter sido prejudicadas pela droga.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick deixou o cargo de chefe do laborat\u00f3rio de pesquisa da Merck em 2002. Disse a amigos que queria passar o resto de sua vida profissional em busca de um tratamento psiqui\u00e1trico melhor. Ele acreditava que os avan\u00e7os nas tecnologias gen\u00e9ticas permitiriam at\u00e9 mesmo a resolu\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o complexas quanto a esquizofrenia, que causa alucina\u00e7\u00f5es e del\u00edrios, e o transtorno bipolar, que provoca mudan\u00e7as extremas de humor.<\/p>\n\n\n\n<p>Descobertas nos anos seguintes mostram que ele estava no caminho certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, Scolnick soube que um grupo de cientistas que analisava o DNA de milhares de pessoas com esquizofrenia havia encontrado muta\u00e7\u00f5es em dez genes que aumentavam substancialmente o risco de desenvolver a doen\u00e7a. Eles estimaram que uma muta\u00e7\u00e3o em um \u00fanico gene, chamado Setd1a, aumentava o risco em 20 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso fez me tirou do s\u00e9rio\u201d, disse Scolnick. Ele come\u00e7ou a buscar uma nova classe de tratamentos chamada de inibidores de LSD1 na esperan\u00e7a de desenvolver um novo medicamento. Scolnick recrutou o m\u00e9dico Hugh Young Rienhoff Jr., que recentemente desenvolveu um inibidor de LSD1 para tratar doen\u00e7as do sangue.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/financas\/supercomputador-da-nvidia-acelera-descoberta-de-novos-remedios-na-dinamarca-com-ia\/\">Supercomputador da Nvidia acelera descoberta de novos rem\u00e9dios na Dinamarca com IA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick espera que o trabalho leve ao primeiro medicamento aprovado para ajudar com sintomas cognitivos \u2014 como a dificuldade em prestar aten\u00e7\u00e3o e fazer planos \u2014 para pessoas com esquizofrenia. O decl\u00ednio cognitivo causado pela doen\u00e7a acaba com a capacidade de manter um emprego e gerenciar o dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Rienhoff prev\u00ea que os testes de seguran\u00e7a de um novo medicamento come\u00e7ar\u00e3o j\u00e1 no ano que vem, primeiro em animais. Ele disse que percebeu a paix\u00e3o de Scolnick ao trabalhar em um tratamento inovador, mas n\u00e3o entendia completamente o porqu\u00ea, at\u00e9 que Scolnick lhe contou sobre os problemas de seu filho com uma doen\u00e7a mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Jason Scolnick, de 54 anos, disse que seu m\u00e9dico h\u00e1 anos ajusta regularmente seus medicamentos para transtorno bipolar visando minimizar os efeitos colaterais debilitantes. Usar os medicamentos atualmente prescritos para esquizofrenia ou transtorno bipolar \u00e9 como fazer quimioterapia, disse ele. \u201cN\u00e3o h\u00e1 garantia de que funcionar\u00e1 e faz voc\u00ea se sentir p\u00e9ssimo, mas a alternativa \u00e9 o c\u00e2ncer piorar ou mat\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1 um longo caminho pela frente para qualquer nova droga. Leva mais de uma d\u00e9cada, em m\u00e9dia, para que um medicamento de um laborat\u00f3rio de pesquisa seja aprovado pelo governo e chegue aos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ed Scolnick tenta aproveitar ao m\u00e1ximo seus dias. Em maio, ele subiu ao p\u00falpito em uma reuni\u00e3o de cientistas para relatar como chegou aos inibidores de LSD1 como um caminho para o tratamento da esquizofrenia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Phillip Sharp, desenvolvedor de medicamentos, ganhador do Pr\u00eamio Nobel e professor em\u00e9rito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, estava na plateia. Sharp, que conhece Scolnick h\u00e1 anos, disse que ficou emocionado com o fato de seu amigo dedicar seu tempo e aten\u00e7\u00e3o a uma droga que ele provavelmente n\u00e3o ver\u00e1 concretizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Rienhoff disse que Scolnick pediu a ele que terminasse o trabalho caso n\u00e3o esteja mais por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta ser\u00e1 minha \u00faltima miss\u00e3o\u201d, disse Scolnick.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pura sorte&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mais de 60 anos atr\u00e1s, os m\u00e9dicos por acaso se depararam com drogas que poderiam ser usadas para o tratamento de doen\u00e7as mentais. Os medicamentos aliviaram os sintomas muito antes de os pesquisadores saberem como as doen\u00e7as mentais funcionavam. O l\u00edtio, por exemplo, estabilizava o humor de pacientes com transtorno bipolar, e a clozapina reprimia alucina\u00e7\u00f5es e del\u00edrios da esquizofrenia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, os cientistas descobriram que os transtornos psiqui\u00e1tricos podem resultar de diversas intera\u00e7\u00f5es entre centenas de genes, em arranjos indeterminados que variam de acordo com os indiv\u00edduos e dentro das fam\u00edlias. Para encontrar as muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que apresentam um risco maior, os pesquisadores tiveram que primeiro comparar o DNA de pessoas com doen\u00e7as mentais com o daquelas sem a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/a-pfizer-foi-incrivel-contra-a-covid-mas-ela-precisa-de-um-ozempic-para-chamar-de-seu\/\">A Pfizer foi incr\u00edvel contra a Covid, mas ela precisa de um Ozempic para chamar de seu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de deixar a Merck, Scolnick foi contratado em 2004 pelo Instituto Broad, uma parceria do MIT e Harvard, para liderar pesquisas sobre transtornos psiqui\u00e1tricos. Ele desenvolveu la\u00e7os com Ted Stanley, empres\u00e1rio cujo filho tamb\u00e9m sofria de doen\u00e7as mentais. Em 2007, Stanley doou US$ 100 milh\u00f5es para lan\u00e7ar o Centro Stanley para Pesquisa Psiqui\u00e1trica do Broad, liderado por Scolnick durante cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados de 2017, o Broad organizou um <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/o-que-e-consorcio\/\">cons\u00f3rcio<\/a> internacional para aproveitar recursos e a mais recente tecnologia gen\u00e9tica que acabou analisando o DNA de cerca de 24 mil pessoas com esquizofrenia e mais de 97 mil pessoas saud\u00e1veis. A busca de pistas \u00fateis em uma montanha de dados levaria anos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick se aposentou como cientista-chefe do Centro Stanley em 2020 por motivos de sa\u00fade. Ele jogava bridge em competi\u00e7\u00f5es e acordava cedo para nadar. Scolnick visitava o Broad para reuni\u00f5es cient\u00edficas e palestras. Ele tamb\u00e9m falava regularmente com um dos principais pesquisadores da an\u00e1lise de DNA.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, esse pesquisador contou os \u00faltimos resultados a Scolnick: a muta\u00e7\u00e3o do gene Setd1a aumentava substancialmente o risco de desenvolver a esquizofrenia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick, inspirado pela descoberta, vasculhou trabalhos de pesquisa e descobriu que a Takeda Pharmaceutical havia desenvolvido e testado um inibidor de LSD1 para a s\u00edndrome de Kabuki, dist\u00farbio gen\u00e9tico que pode causar defici\u00eancias cognitivas em crian\u00e7as. Durante uma visita ao laborat\u00f3rio da Takeda em Cambridge, em Massachusetts, e em videochamadas de acompanhamento, a empresa compartilhou dados com Scolnick que mostravam melhora na cogni\u00e7\u00e3o em camundongos que recebiam a droga.<\/p>\n\n\n\n<p>A Takeda disse que abandonou o projeto depois de concluir que n\u00e3o era \u201cuma op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica vi\u00e1vel\u201d. No entanto, as descobertas da empresa convenceram Scolnick de que um inibidor enzim\u00e1tico especializado poderia melhorar os sintomas cognitivos sem efeitos colaterais graves.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/wsj\/ozempic-e-mounjaro-ganham-nova-funcao-combater-o-abuso-de-drogas-e-alcool\/\">Ozempic e Mounjaro v\u00e3o al\u00e9m da perda de peso: combatem o abuso de drogas e \u00e1lcool<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolver esse tipo de droga era um trabalho muito grande, e muito caro, para um homem sozinho, disse Scolnick. Esse projeto poderia custar centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, o acaso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"627\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-24062263.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-634724\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-24062263.webp 940w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-24062263-300x200.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-24062263-768x512.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-24062263-172x115.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-24062263-150x100.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Morgan Sheng, \u00e0 esquerda, codiretor do Stanley Center for Psychiatric Research, falando com Scolnick em Cambridge, Massachusetts. Foto: Alyssa Schukar\/WSJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2023, Scolnick assistiu a uma palestra de Rienhoff organizada pela Blackstone, empresa de investimentos com sede em Nova York. Scolnick, consultor s\u00eanior da Blackstone Life Sciences, queria saber mais sobre o inibidor de LSD1 que Rienhoff desenvolveu para tratar doen\u00e7as do sangue. No mesmo m\u00eas, a Merck concluiu a aquisi\u00e7\u00e3o da empresa de Rienhoff, a Imago BioSciences, por US$ 1,4 bilh\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick e Rienhoff haviam conversado durante um jantar da Blackstone anos antes. Durante a refei\u00e7\u00e3o, Scolnick compartilhou hist\u00f3rias com seus companheiros de mesa sobre o desenvolvimento do Crixivan, o medicamento anti-HIV da Merck. \u201cEu estava ouvindo um peda\u00e7o da hist\u00f3ria, n\u00e3o apenas a hist\u00f3ria do HIV\u201d, disse Rienhoff.<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick ficou emocionado descrevendo como os desenvolvedores de medicamentos, enfrentando v\u00e1rios obst\u00e1culos, t\u00eam d\u00favidas sobre continuar ou n\u00e3o em busca de uma solu\u00e7\u00e3o definitiva. Ele pressionou para que o estudo continuasse, dada sua urg\u00eancia. Na \u00e9poca, a AIDS estava matando dezenas de milhares de pessoas por ano nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu disse a Ed: \u2018Voc\u00ea est\u00e1 pensando como um m\u00e9dico, n\u00e3o como um cientista\u2019\u201d, contou Rienhoff. \u201cEsse foi o come\u00e7o do nosso relacionamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de Rienhoff no ano passado, Scolnick soube que ele era um especialista na enzima que acreditava ser a chave para uma droga inovadora. Em conversas, Scolnick fez Rienhoff pensar em usar inibidores de LSD1 na esquizofrenia e em outras doen\u00e7as neuropsiqui\u00e1tricas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Scolnick levantou a ideia de desenvolver um novo medicamento, Rienhoff disse que poderia faz\u00ea-lo. Rienhoff fundou a Aluco BioSciences este ano como um primeiro passo. Para ir da hematologia, sua especialidade, para a neuropsiquiatria, Rienhoff contou que est\u00e1 se encontrado com m\u00e9dicos e neurocientistas, mergulhando em v\u00e1rias teorias sobre as causas da esquizofrenia e buscando potenciais colaboradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rienhoff tem uma equipe de qu\u00edmicos que fabrica e testa compostos em laborat\u00f3rios nos EUA e no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou otimista de que algo sair\u00e1 da\u00ed\u201d, disse Rienhoff. &#8220;Eu consigo fazer isso, mas n\u00e3o teria feito se n\u00e3o fosse pelo Ed. De certa forma, estou de fato fazendo isso por ele.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u2018Antes de morrer\u2019<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Jason Scolnick mora em um apartamento iluminado em Watertown, em Massachusetts, a cerca de 25 minutos de carro de seus pais. H\u00e1 viol\u00f5es encostados em uma parede, e uma foto de paisagem tirada por sua m\u00e3e pendurada na outra. Ele \u00e0s vezes assiste a jogos de futebol na TV com seu pai. Sua vida agora contrasta com anos de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jason se formou na Universidade de Harvard em 1992 e trabalhou no departamento de economia de uma empresa de biotecnologia. Antes de aceitar o emprego, come\u00e7ou a se sentir paranoico. No trabalho, n\u00e3o conseguia olhar os colegas nos olhos. Os m\u00e9dicos suspeitaram de transtorno bipolar e lhe prescreveram medicamentos que o deixavam t\u00e3o cansado que era dif\u00edcil se manter acordado enquanto dirigia. Ele come\u00e7ou a faltar ao trabalho, depois pediu demiss\u00e3o e foi morar com os pais na Filad\u00e9lfia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/na-onda-de-multiplicacao-das-farmacias-o-que-fazem-as-empresas-para-se-destacar-na-multidao\/\">Nem tudo \u00e9 rem\u00e9dio: a receita da Panvel para crescer 50% em quatro anos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9dicos de Jason finalmente encontraram um regime de drogas que ele conseguiria tolerar ap\u00f3s dois anos de tentativas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 25 anos, Jason voltou para Boston para estudar viol\u00e3o na Escola de M\u00fasica Berklee, mas desistiu depois de menos de um ano. Durante esses meses, contou ele, sua paranoia havia retornado e ele abusava do \u00e1lcool. Uma noite em 1995, continuou Jason, ele tomou comprimidos com a inten\u00e7\u00e3o de acabar com sua vida. Acordou alucinando e ligou para um amigo, que chamou uma ambul\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"686\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822-686x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-634722\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822-686x1024.webp 686w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822-201x300.webp 201w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822-626x934.webp 626w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822-115x172.webp 115w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822-150x224.webp 150w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-65328822.webp 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jason Scolnick praticando viol\u00e3o em casa. Foto: Alyssa Schukar\/WSJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Jason voltou a morar com seus pais em 1996, no mesmo ano em que a Administra\u00e7\u00e3o de Alimentos e Medicamentos aprovou a droga anti-HIV da Merck que seu pai ajudou a desenvolver. Ele tentou v\u00e1rios medicamentos ao longo dos anos, incluindo um que o levou ao hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles chamam os antipsic\u00f3ticos de tranquilizantes fortes por um bom motivo\u201d, disse Jason. \u201cEles tomam conta de sua cabe\u00e7a, e voc\u00ea tem que tomar grandes quantidades de caf\u00e9 para enfrentar o modo que eles fazem voc\u00ea se sentir. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cansa\u00e7o, mas tamb\u00e9m uma dificuldade cognitiva.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de tratamentos eficazes entristecia e frustrava seu pai, que construiu uma carreira desenvolvendo medicamentos para condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o intrat\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Jason, que est\u00e1 s\u00f3brio h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, cursa agora seu segundo ano de um programa de mestrado na Universidade Lesley, estudando para se tornar conselheiro cl\u00ednico de sa\u00fade mental e musicoterapeuta. Ele afirma que seu psiquiatra \u00e9 o grande respons\u00e1vel por calibrar seus medicamentos e sua terapia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que eu conhe\u00e7a que possa simplesmente tomar rem\u00e9dio e ficar bem\u201d, disse Jason.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu pai concorda, at\u00e9 certo ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o ser\u00e1 apenas uma droga m\u00e1gica que vai consertar o que as pessoas com doen\u00e7as mentais realmente graves t\u00eam\u201d, disse Ed Scolnick.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como pai e cientista, ele sente que certos novos tratamentos melhorar\u00e3o a vida de muitas pessoas. \u201cH\u00e1 uma necessidade de medicamentos melhores\u201d, disse ele, acreditando que est\u00e1 no caminho certo. Outros tamb\u00e9m trabalham nisso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa de biotecnologia Oryzon Genomics, na Espanha, est\u00e1 desenvolvendo inibidores de LSD1 para o c\u00e2ncer e outras condi\u00e7\u00f5es. Pesquisadores da Universidade de Columbia testaram a droga da Oryzon em camundongos e descobriram que ela reverteu as defici\u00eancias cognitivas causadas pela muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica Setd1a, ligada \u00e0 esquizofrenia. A Oryzon est\u00e1 realizando um pequeno estudo na Espanha do inibidor de LSD1 em pacientes com esquizofrenia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O dr. Joseph Gogos, que liderou a pesquisa da Columbia, disse que \u00e9 poss\u00edvel que esses tratamentos sejam aprovados para humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Scolnick tem mais certeza \u2014 de um novo tratamento revolucion\u00e1rio e de que estar\u00e1 vivo para testemunh\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes de morrer, veremos novos medicamentos, novos diagn\u00f3sticos, melhores resultados para pacientes que sofrem com esquizofrenia ou doen\u00e7a bipolar\u201d, disse ele. \u201cN\u00e3o ficarei feliz em morrer. Mas vou morrer feliz por ter ajudado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Escreva para Amy Dockser Marcus em Amy.Marcus@wsj.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00e9dico Edward Scolnick acha que precisa de cinco, talvez mais dez anos para resolver um dos maiores mist\u00e9rios do c\u00e9rebro. Scolnick, de 84 anos, passou a maior parte das \u00faltimas duas d\u00e9cadas tentando entender e encontrar melhores maneiras de tratar a esquizofrenia e o transtorno bipolar, doen\u00e7as mentais de dezenas de milh\u00f5es de pessoas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":139,"featured_media":634723,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[103073],"tags":[],"autor-wsj":[103032],"coauthors":[],"class_list":["post-643344","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-the-wall-street-journal","autor-wsj-amy-dockser-marcus"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/643344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/139"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=643344"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/643344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":643800,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/643344\/revisions\/643800"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/634723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=643344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=643344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=643344"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=643344"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=643344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}