{"id":643380,"date":"2024-11-09T07:00:00","date_gmt":"2024-11-09T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.veezor.com\/geral\/as-filhas-indesejadas-da-china-cresceram-e-agora-rejeitam-a-maternidade\/"},"modified":"2025-01-04T10:52:36","modified_gmt":"2025-01-04T13:52:36","slug":"as-filhas-indesejadas-da-china-cresceram-e-agora-rejeitam-a-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/as-filhas-indesejadas-da-china-cresceram-e-agora-rejeitam-a-maternidade\/","title":{"rendered":"As filhas indesejadas da China cresceram \u2014 e agora rejeitam a maternidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1992, logo depois que nasceu na China rural, Simona Dai foi morar com uma fam\u00edlia adotiva, escondida para que seus pais pudessem tentar ter um menino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que provocou essa decis\u00e3o foi a pol\u00edtica do filho \u00fanico do pa\u00eds, em vigor de 1980 a 2015. Simona era a segunda filha de seus pais, nascida gra\u00e7as a uma exce\u00e7\u00e3o que permitia que as fam\u00edlias rurais tivessem um segundo filho caso o primeiro fosse uma menina. Ela s\u00f3 voltou a fazer parte de sua fam\u00edlia biol\u00f3gica depois que seu irm\u00e3o nasceu, quatro anos depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu destino como filha n\u00e3o reconhecida era comum entre as meninas nascidas naquela \u00e9poca, onde o decreto para limitar os nascimentos muitas vezes ia contra a press\u00e3o familiar para se ter um filho. Nas aldeias e pequenas cidades chinesas, muitas mulheres se escondiam dos agentes do Estado para evitar abortos for\u00e7ados caso sua cota de filhos tivesse sido ultrapassada, ou brigavam com parentes por causa da ideia de que deveriam esconder ou abandonar meninas \u201cilegais\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Agora com 32 anos, Simona decidiu n\u00e3o ter filhos. \u201cNunca senti o tipo de amor incondicional da minha m\u00e3e\u201d, disse ela. \u201cN\u00e3o sei como conseguiria oferecer isso a outro ser humano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim da pol\u00edtica do filho \u00fanico, o Partido Comunista agora est\u00e1 defendendo o termo \u201cvalores familiares\u201d e pressionando as mulheres a terem mais filhos, pois agora h\u00e1 a ansiedade gerada pela redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Essa press\u00e3o colide com um peso emocional persistente \u2014 e nunca mencionado \u2014 de d\u00e9cadas da restri\u00e7\u00e3o draconiana de natalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Simona e in\u00fameras outras mulheres n\u00e3o apenas testemunharam a dor de seus pais pelas crian\u00e7as abandonadas ou n\u00e3o nascidas, mas tamb\u00e9m foram levadas a sentir que eram obst\u00e1culos na busca da fam\u00edlia por um filho. Algumas delas agora dizem que a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o terem sido amadas e de n\u00e3o terem recebido os cuidados necess\u00e1rios destruiu seu conceito de fam\u00edlia, uma rea\u00e7\u00e3o daquelas que n\u00e3o querem se casar ou ter filhos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1050\" height=\"700\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-628727\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510.webp 1050w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510-300x200.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510-1024x683.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510-768x512.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510-172x115.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-97170510-150x100.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1050px) 100vw, 1050px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Simona mostra uma foto em seu telefone de quando era crian\u00e7a na casa de sua fam\u00edlia adotiva no in\u00edcio dos anos 1990. Foto: Tina Hsu\/WSJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cA pol\u00edtica do filho \u00fanico criou um trauma geracional\u201d, disse Mei Fong, autora do livro \u201cOne Child: The Story of China\u2019s Most Radical Experiment\u201d (em tradu\u00e7\u00e3o livre &#8220;Filho \u00danico: A Hist\u00f3ria do Experimento mais Radical da China\u201d). \u201cE isso deixou uma cicatriz t\u00e3o profunda que as mulheres hoje relutam em constituir fam\u00edlias felizes. Por que fariam isso? Elas tiveram fam\u00edlias muito infelizes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das chinesas ainda se casa e tem filhos. Mas a porcentagem de solteiras de 30 a 44 anos aumentou de menos de 1% em 2000 para 5,6% em 2020. E um estudo de 2023 sobre a aus\u00eancia de filhos realizado por cinco dem\u00f3grafos do pa\u00eds estimou que cerca de 5% das chinesas de 49 anos n\u00e3o tinham filhos, um n\u00famero que por d\u00e9cadas ficou abaixo de 2%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/wsj\/mais-de-us-250-bilhoes-fugiram-da-china-em-um-ano-e-bem-debaixo-do-nariz-das-autoridades\/\">Mais de US$ 250 bilh\u00f5es fugiram da China em um ano \u2014 e bem debaixo do nariz das autoridades<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional de Sa\u00fade da China, que supervisiona as quest\u00f5es de nascimento, n\u00e3o respondeu a um pedido de coment\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Trisha Zhu, de 40 anos, lembra-se de sua m\u00e3e desaparecendo repetidamente por meses de sua casa em uma pequena cidade no centro do pa\u00eds, aparentemente para visitar parentes. Mais tarde, Zhu percebeu que sua m\u00e3e estava gr\u00e1vida e se escondendo de autoridades e de vizinhos intrometidos. Foram necess\u00e1rias oito tentativas para que finalmente desse \u00e0 luz um filho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando adolescente, Zhu soube que tinha uma irm\u00e3 mais nova que havia sido doada a outra fam\u00edlia quando rec\u00e9m-nascida. Outra irm\u00e3 n\u00e3o foi registrada para evitar uma puni\u00e7\u00e3o do nascimento fora da cota. Houve tamb\u00e9m abortos e, em um caso, um parto induzido que resultou na morte de um beb\u00ea. Zhu diz que sua m\u00e3e desmaiou quando descobriu que era um menino.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi poss\u00edvel entrevistar a m\u00e3e de Zhu. Em uma conversa que ela gravou em v\u00eddeo, sua m\u00e3e relata ter sido desprezada por seus sogros por n\u00e3o ter dado \u00e0 luz um filho e tamb\u00e9m que tinha medo de ser for\u00e7ada a interromper a gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Zhu se lembra da m\u00e3e dizendo a ela e a suas irm\u00e3s que \u00e0s vezes sentia vontade de tomar pesticida, um dos m\u00e9todos mais comuns de suic\u00eddio entre as mulheres das zonas rurais naquela \u00e9poca. \u201cN\u00e3o consegu\u00edamos entender o que ela passava\u201d, disse Zhu.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa sobre o impacto psicol\u00f3gico da pol\u00edtica geralmente se concentra nas crian\u00e7as que cresceram sem irm\u00e3os \u2014 ou nos pais que perderam seu \u00fanico filho. Poucas pesquisas abordam o impacto na sa\u00fade mental das mulheres da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica do filho \u00fanico foi apenas um fator de estresse na vida dif\u00edcil das mulheres rurais em idade f\u00e9rtil, grupo que, no final do s\u00e9culo passado, tinha uma das maiores taxas de suic\u00eddio do mundo, de acordo com um estudo de 1998. As taxas de suic\u00eddio entre elas ca\u00edram nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que alguns pesquisadores atribu\u00edram em parte ao desenvolvimento econ\u00f4mico da China.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/pib-da-china-no-3o-trimestre-tem-crescimento-mais-fraco-desde-o-inicio-de-2023\/\">PIB da China no 3\u00ba trimestre tem crescimento mais fraco desde o in\u00edcio de 2023<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quatro d\u00e9cadas depois que o partido lan\u00e7ou a pol\u00edtica do filho \u00fanico, o n\u00famero de nascimentos no pa\u00eds est\u00e1 em queda livre. Houve pouco mais de nove milh\u00f5es de rec\u00e9m-nascidos em 2023, em compara\u00e7\u00e3o com cerca de 16 milh\u00f5es em 2013. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas projeta que a popula\u00e7\u00e3o da China caia dos 1,4 bilh\u00e3o de habitantes que tem hoje para 639 milh\u00f5es at\u00e9 2100.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cPor favor, venha, irm\u00e3ozinho\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nas grandes cidades da China, onde a maioria das fam\u00edlias tinha apenas um filho, muitas meninas tiveram acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e oportunidades semelhantes \u00e0s dos meninos. Na China rural, o limite de nascimentos refor\u00e7ou a prefer\u00eancia confucionista por meninos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pr\u00e1tica nada sutil que enfatizava o status de segunda classe dessas filhas extras e indesejadas era dar-lhes nomes como \u201cZhaodi\u201d ou \u201cLaidi\u201d, que significa \u201cpor favor, venha, irm\u00e3ozinho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, algumas mudaram de nome. Uma delas postou nas redes sociais sobre como se sentia envergonhada toda vez que seu nome, Zhaodi, era dito em p\u00fablico. Sua postagem recebeu milhares de coment\u00e1rios e hist\u00f3rias de outras zhaodis.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos em que um irm\u00e3o mais novo acabou nascendo, a fam\u00edlia geralmente parava de ter filhos e direcionava recursos para o menino.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores da Universidade de Ci\u00eancia e Tecnologia de Huazhong, examinando dados coletados para uma pesquisa da Universidade da Carolina do Norte, do Centro Chin\u00eas de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as e outros, descobriram que, entre 1991 e 2009, nas \u00e1reas rurais, quatro em cada dez meninas e mulheres de seis a 30 anos tinham um irm\u00e3o mais novo, o mesmo acontecendo com apenas dois em cada dez homens da mesma idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter irm\u00e3os muitas vezes prejudicava as oportunidades educacionais das mulheres durante a era do filho \u00fanico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nanfu Wang, cineasta que codirigiu \u201cOne Child Nation\u201d (A Na\u00e7\u00e3o do Filho \u00danico), document\u00e1rio cr\u00edtico dessa pol\u00edtica, disse que seu sonho de cursar uma universidade foi destru\u00eddo quando sua fam\u00edlia a mandou para uma escola vocacional em vez do ensino m\u00e9dio aos 13 anos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA MAIS<\/strong>: <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/wsj\/disputa-entre-estados-unidos-e-china-deixa-terreno-fertil-para-agricultores-brasileiros\/\">Guerra de tarifas entre EUA e China pode abrir terreno para soja e milho do Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A esperan\u00e7a era que, ap\u00f3s a formatura, ela pudesse ajudar a diminuir o fardo financeiro da fam\u00edlia para que seu irm\u00e3o mais novo pudesse continuar seus estudos. O irm\u00e3o, Wang Zhihao, disse que s\u00f3 soube disso no ensino m\u00e9dio. \u201cEu senti muita culpa\u201d, disse ele. \u201cGostaria que as coisas tivessem sido diferentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de 2017 baseado em dados nacionais de 2010 por pesquisadores da Universidade de Jinan e da Academia de Filantropia de Guangzhou mostrou que ter irm\u00e3os reduziu a m\u00e9dia de anos de educa\u00e7\u00e3o das mulheres em seis meses. Muitas meninas tamb\u00e9m foram prejudicadas em sua escolaridade pelo simples fato de terem sido escondidas por seus pais ou de n\u00e3o terem sido registradas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1050\" height=\"700\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-628725\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482.webp 1050w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482-300x200.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482-1024x683.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482-768x512.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482-172x115.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2024\/11\/im-26322482-150x100.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1050px) 100vw, 1050px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Simona explora as experi\u00eancias de sua fam\u00edlia em um podcast que ela criou. Foto: Tina Hsu\/WSJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201c\u00c9 um sentimento muito dif\u00edcil\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Depois que Wu Yaping nasceu em 1992, a terceira filha da fam\u00edlia, seus pais a abandonaram na cal\u00e7ada em frente ao hospital. Por\u00e9m, o pai voltou para busc\u00e1-la, esperando que ela ajudasse nas tarefas familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Wu, na inf\u00e2ncia, ela estava \u201c\u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Wu n\u00e3o questionava o amor e a aten\u00e7\u00e3o dispensados ao irm\u00e3o nascido depois dela. Ela e suas irm\u00e3s se amontoavam em escolas p\u00fablicas \u00famidas e lotadas, enquanto seu irm\u00e3o ia para a escola particular, tinha seu pr\u00f3prio lanche, material escolar novo e uma mesada sete vezes maior que a das irm\u00e3s. Quando ele se casou, os pais pagaram a entrada de um apartamento e compraram um carro para ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Wu achava que era assim que tinha de ser. Mas tamb\u00e9m sempre teve um relacionamento tenso com os pais. \u201cDisse in\u00fameras vezes \u00e0 minha m\u00e3e que realmente gostaria de n\u00e3o ter nascido\u201d, contou ela. \u201cFico preocupada que, se eu tivesse um filho, ele se tornaria um outro eu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Wu agora \u00e9 advogada de propriedade intelectual em Shenzhen. Ela presumiu que um dia se casaria e se tornaria m\u00e3e, mas foi gradualmente abandonando essa ideia, dizendo que percebeu que tem op\u00e7\u00f5es. \u201cNingu\u00e9m depende de mim. Vivo para mim mesma\u201d, disse ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi poss\u00edvel entrar em contato com os pais ou o irm\u00e3o de Wu.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Wu, Zhu e Simona passaram grande parte da vida tentando compreender sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, Zhu come\u00e7ou a reunir hist\u00f3rias pessoais de mulheres que foram abandonadas ou cresceram como filhas n\u00e3o reconhecidas. Ela postou mais de cem hist\u00f3rias em sua conta em uma rede social chinesa. \u201cEra um trauma coletivo\u201d, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de testemunhar a dor de sua m\u00e3e, Zhu nem pensava em casamento e maternidade. Isso mudou depois que ela deixou a China para fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o nos EUA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, est\u00e1 casada e tem uma filha de quatro anos. \u201cSe eu tivesse ficado na China, n\u00e3o faria isso\u201d, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma noite, no final de 2019, Simona decidiu entrevistar sua m\u00e3e sobre suas experi\u00eancias durante a era da pol\u00edtica do filho \u00fanico. Ela ficou chocada ao saber que a m\u00e3e teve uma indu\u00e7\u00e3o de parto for\u00e7ado quando estava gr\u00e1vida de oito meses no in\u00edcio dos anos 1990. O beb\u00ea, que morreu, era outra menina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda me pego pensando nisso \u00e0 noite. Eu realmente me arrependo\u201d, disse sua m\u00e3e em uma grava\u00e7\u00e3o da conversa. \u201c\u00c9 um sentimento muito dif\u00edcil.\u201d Simona mais tarde usou a hist\u00f3ria de sua m\u00e3e como a primeira parte de um podcast que criou para falar sobre casamento e nascimento. N\u00e3o foi poss\u00edvel entrar em contato com sua m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Simona se casou quando tinha 26 anos. Durante anos, resistiu \u00e0s demandas persistentes de ambas as fam\u00edlias para engravidar e finalmente chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a \u00fanica maneira de parar com isso era terminando seu casamento. No ano passado, ela pediu o div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Escreva para Shen Lu em shen.lu@wsj.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1992, logo depois que nasceu na China rural, Simona Dai foi morar com uma fam\u00edlia adotiva, escondida para que seus pais pudessem tentar ter um menino.&nbsp; O que provocou essa decis\u00e3o foi a pol\u00edtica do filho \u00fanico do pa\u00eds, em vigor de 1980 a 2015. 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