{"id":651034,"date":"2025-02-06T06:00:00","date_gmt":"2025-02-06T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=651034"},"modified":"2025-07-10T19:06:42","modified_gmt":"2025-07-10T22:06:42","slug":"real-fraco-embraer-e-aco-como-o-brasil-quase-zerou-o-deficit-comercial-com-os-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/economia\/real-fraco-embraer-e-aco-como-o-brasil-quase-zerou-o-deficit-comercial-com-os-eua\/","title":{"rendered":"Embraer,  a\u00e7o e real fraco: como o Brasil quase zerou o d\u00e9ficit comercial com os EUA"},"content":{"rendered":"\n<p>De cada US$ 10 que entram no Brasil como receita de exporta\u00e7\u00e3o, US$ 4 v\u00eam ou da China ou dos Estados Unidos. Os dois s\u00e3o os nossos maiores parceiros comerciais, e a China lidera com folga: <\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-bar-chart-race\" data-src=\"visualisation\/21345834?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21345834\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"bar-chart-race visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Mas ambos vivem hoje rela\u00e7\u00f5es opostas com a nossa balan\u00e7a comercial. Enquanto a receita com as exporta\u00e7\u00f5es para a <strong>China caiu 9,5%<\/strong> em 2024, por causa do pre\u00e7o menor das <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/commodities-o-que-sao\/\">commodities<\/a> e do mal momento da economia deles, o valor total vendido para os <strong>EUA subiu 9,2%<\/strong>. E isso ajudou o Brasil a registrar o menor d\u00e9ficit com os americanos em uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/21391490?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21391490\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 cedo para saber se 2025 vai ser diferente, especialmente num cen\u00e1rio turvado pelas batalhas tarif\u00e1rias de Donald Trump.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a base de compara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a seguinte: entre janeiro e dezembro de 2024, importamos R$ 40,6 bilh\u00f5es dos EUA e exportamos R$ 40,3 bilh\u00f5es, uma diferen\u00e7a de US$ 253,3 milh\u00f5es \u2013 \u00ednfima para esse padr\u00e3o de grandeza. Trata-se do menor d\u00e9ficit com eles em 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/21290177?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21290177\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>O c\u00e2mbio ajudou. D\u00f3lar alto \u00e9 ruim para quem importa coisas, mas \u00e9 bom para quem exporta. Se um exportador vendeu R$ 1 milh\u00e3o em gr\u00e3os para os EUA no final de 2023, com o d\u00f3lar a R$ 4,84, o comprador l\u00e1 fora pagou, em moeda americana, US$ 207 mil. A mesma venda de R$ 1 milh\u00e3o um ano depois, com o c\u00e2mbio a R$ 6,18, custou apenas US$ 162 mil ao cliente gringo \u2013 22% a menos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja: quanto mais sobe o d\u00f3lar, mais competitivos ficam os produtos brasileiros l\u00e1 fora \u2013&nbsp;sem que o exportador precise baixar o pre\u00e7o em reais. Em 2024, mesmo os exportadores que aumentaram seus pre\u00e7os para acompanhar a infla\u00e7\u00e3o brasileira (4,8% no ano), ainda puderam cobrar bem menos em d\u00f3lar. \u00d3timo para os neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fator n\u00e3o foi t\u00e3o importante para o caso da China, j\u00e1 que o consumo arrefeceu por l\u00e1. Nos EUA, que mostraram uma economia pujante 2024 adentro, a hist\u00f3ria foi outra. <\/p>\n\n\n\n<p>Os setores que mais trouxeram dinheiro foram os de <strong>petr\u00f3leo<\/strong>, <strong>produtos sider\u00fargicos<\/strong> (como lingotes e chapas de a\u00e7o), e <strong>avi\u00f5es <\/strong>(incluindo pe\u00e7as de aeronaves).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso mostra uma diferen\u00e7a fundamental entre o com\u00e9rcio do Brasil com os EUA e com a China. E d\u00e1 uma ideia do qu\u00e3o nocivo seria um tarifa\u00e7o Trumpiano para n\u00f3s.  <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um conto de dois pa\u00edses<\/h2>\n\n\n\n<p>Na quarta-feira (5), a Embraer recebeu a maior encomenda de jatos executivos de sua hist\u00f3ria: 182 unidades, de tr\u00eas modelos diferentes. O pedido veio da americana Flexjet, uma empresa de fretamento de aeronaves, e inclui contratos de manuten\u00e7\u00e3o. No total, o neg\u00f3cio envolve US$ 7 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de algo emblem\u00e1tico. Apesar de a exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima para os EUA ter um papel relevante, a de produtos de alto valor agregado \u00e9 bem forte. Com a China, a hist\u00f3ria \u00e9 outra.<\/p>\n\n\n\n<p>A agropecu\u00e1ria respondeu por <strong>36%<\/strong> de todos bens vendidos para a China em 2024. Para os EUA, esse setor representou apenas <strong>5,7%<\/strong>. O caf\u00e9 \u00e9 o \u00fanico produto agro entre as nossas 10 maiores exporta\u00e7\u00f5es para l\u00e1. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, por outro lado, responde por 78,4% do total:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/21396092?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21396092\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Com a China, como voc\u00ea v\u00ea aqui em cima, s\u00e3o apenas 19,5%. Nosso com\u00e9rcio com o Imp\u00e9rio do Meio \u00e9 ao estilo do Brasil do s\u00e9culo 16: vender mat\u00e9ria prima e comprar manufaturados. Vale lembrar: apesar do baixo valor agregado, \u00e9 tanta mat\u00e9ria prima que temos um super\u00e1vit com a China. Exportamos para eles US$ 30,8 bilh\u00f5es a mais do que trazemos de l\u00e1.    <\/p>\n\n\n\n<p>Um caso representativo \u00e9 o do min\u00e9rio de ferro, a mat\u00e9ria prima do a\u00e7o. O a\u00e7o \u00e9 uma &#8216;commodity secund\u00e1ria&#8217;, que passou por alguma industrializa\u00e7\u00e3o. O min\u00e9rio de ferro \u00e9, claro, o produto cru, menos nobre. <\/p>\n\n\n\n<p>Para a China, mandamos 63% da nossa produ\u00e7\u00e3o. Para os EUA, s\u00f3 0,6%. Vai aqui em <strong>toneladas de min\u00e9rio de ferro<\/strong>, para visualizarmos melhor, com dados de 2024:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para a China<\/strong>: 276 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para os EUA<\/strong>: 2,8 milh\u00f5es de toneladas <\/p>\n\n\n\n<p>Quando o assunto \u00e9 <strong>a\u00e7o<\/strong>, o produto semi-acabado, acontece o inverso*:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para os EUA<\/strong>: 6,6 milh\u00f5es de toneladas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para a China<\/strong>: 36 mil toneladas <\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque a China \u00e9 um mamute sider\u00fargico. Produz um bilh\u00e3o de toneladas por ano (53% da produ\u00e7\u00e3o mundial). Os EUA, grosso modo, preferem fazer mais dinheiro com tecnologia de ponta do que com siderurgia. Logo, apesar de ter uma boa produ\u00e7\u00e3o local, s\u00e3o grandes importadores. Bom para o Brasil, que \u00e9 um dos tr\u00eas maiores fornecedores desse produto semi-acabado para os EUA \u2013 junto com o Canad\u00e1 e M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7o responderam por US$ 3,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares; <strong>8,8% <\/strong>do que exportamos para eles. \u00c9 o nosso segundo maior produto de exporta\u00e7\u00e3o para os EUA; atr\u00e1s do petr\u00f3leo (US$ 5,7 bi; <strong>14,3%<\/strong>). Ainda assim, \u00e9 um material b\u00e1sico. O impressionante mesmo \u00e9 que algo nada b\u00e1sico, avi\u00f5es e pe\u00e7as de aeronaves, ocupem o terceiro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse setor trouxe US$ 2,6 bilh\u00f5es; <strong>6,7%<\/strong> do total exportado para os Estados Unidos \u2013 por cortesia da Embraer, que tem seu maior mercado l\u00e1. Com ela, o Brasil ocupa a quarta posi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses que mais exportam avi\u00f5es e pe\u00e7as aeron\u00e1uticas para os EUA \u2013 atr\u00e1s apenas de Canad\u00e1, Fran\u00e7a e Alemanha (tr\u00eas pa\u00edses com f\u00e1bricas da Airbus, a maior companhia do mundo da avia\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>E trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o em crescimento. De 2023 para 2024 o salto na receita foi de 36%. E os pr\u00f3ximos anos prometem um bom voo de cruzeiro. As vendas s\u00f3 entram na conta de exporta\u00e7\u00e3o quando as aeronaves s\u00e3o efetivamente entregues. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-hierarchy\" data-src=\"visualisation\/21453373?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21453373\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"hierarchy visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>V\u00e3o levar uns bons anos at\u00e9 a Embraer finalizar a venda dos 182 jatinhos da Flexjet. E em 2024 ela recebeu um vultuosa encomenda de 90 avi\u00f5es comerciais (bem mais caros que os executivos), da American Airlines. Uma garantia de bons bilh\u00f5es de d\u00f3lares aportando por aqui em 2025, 2026, 2027&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>As commodities que nos perdoem, mas produtos de alto valor agregado s\u00e3o fundamentais. Eles d\u00e3o \u00e0 luz economias mais complexas, s\u00f3lidas. Eles geram os melhores empregos, criam demanda por educa\u00e7\u00e3o de ponta. Um ataque tarif\u00e1rio dos EUA que afetasse essa \u00e1rea, ent\u00e3o, seria particularmente doloroso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Agradecimento: <strong>Roberto Gianetti da Fonseca<\/strong>, economista que ocupou os cargos de diretor internacional da Fiesp e secret\u00e1rio-executivo da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Camex) do governo federal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>*Dados de 2023 \u2013 os dados finais de 2024 n\u00e3o estavam dispon\u00edveis para o a\u00e7o<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de avi\u00f5es e pe\u00e7as de aeronaves j\u00e1 \u00e9 o 3\u00ba mais forte em exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos \u2013 atr\u00e1s apenas do petr\u00f3leo e do a\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":121,"featured_media":651577,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[780,244,704,824,236],"autor-wsj":[],"coauthors":[102614,102469],"class_list":["post-651034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-agronegocio","tag-china","tag-comercio-exterior","tag-energia","tag-eua"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/651034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/121"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=651034"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/651034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":687789,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/651034\/revisions\/687789"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/651577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=651034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=651034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=651034"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=651034"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=651034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}