{"id":655823,"date":"2025-02-26T06:00:00","date_gmt":"2025-02-26T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=655823"},"modified":"2025-02-26T17:53:33","modified_gmt":"2025-02-26T20:53:33","slug":"energia-a-la-carte-o-desafio-de-democratizar-o-mercado-livre-de-energia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/energia-a-la-carte-o-desafio-de-democratizar-o-mercado-livre-de-energia-no-brasil\/","title":{"rendered":"Do mercadinho \u00e0 pousada: pequeno consumidor j\u00e1 responde por 35% do mercado livre de energia"},"content":{"rendered":"\n<p>Houve um tempo em que a gente precisava entrar em uma fila de espera para comprar uma linha de telefone. Depois, mesmo com a privatiza\u00e7\u00e3o do setor de telefonia, a falta de competi\u00e7\u00e3o entre as operadoras de celular ainda tornava o servi\u00e7o pouco acess\u00edvel. Foi s\u00f3 com a abertura mais ampla do mercado, que trouxe diversos novos competidores, que chegamos ao cen\u00e1rio atual: acesso r\u00e1pido e barato \u00e0 telefonia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais ou menos isso que se espera no setor de energia el\u00e9trica a partir da expans\u00e3o <strong>Mercado Livre de Energia.<\/strong> Nesse modelo, o consumidor n\u00e3o fica preso a um \u00fanico fornecedor &#8211; a distribuidora, no caso. Ele pode escolher de quem vai comprar a energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como esse \u00e9 um servi\u00e7o super essencial, o processo de abertura desse mercado est\u00e1 acontecendo de forma mais gradual para que todo mundo tenha tempo h\u00e1bil para se adaptar \u00e0 nova realidade do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade de escolha era uma possibilidade&nbsp;apenas para as grandes ind\u00fastrias, consumidoras intensivas de energia. Esse direito foi estendido em 2021 a clientes de alta tens\u00e3o e, desde o ano passado,<strong> <\/strong>tamb\u00e9m para os&nbsp;de m\u00e9dia-alta tens\u00e3o, que pagam uma conta de luz mensal&nbsp;de R$ 7 mil a R$ 10 mil.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/21509056?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21509056\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>S\u00e3o farm\u00e1cias, lojas, pousadas, restaurantes e pequenas f\u00e1bricas. A expectativa \u00e9 que, dentro de alguns anos&nbsp; \u2013 tem gente que fala que ser\u00e1 comecinho da pr\u00f3xima d\u00e9cada \u2013, esse modelo chegue tamb\u00e9m ao consumidor residencial: eu e voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>De todo modo, a abertura para as empresas de menor porte j\u00e1 representou uma grande transforma\u00e7\u00e3o para o setor. Afinal, durante quase 20 anos, o mercado livre atendia apenas empresas do porte de <strong>Braskem<\/strong>, <strong>Petrobras<\/strong> ou <strong>Nestl\u00e9<\/strong> \u2013 aqueles tais consumidores intensivos de energia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/21509180?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21509180\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Como a energia representa um custo muito relevante, essas grandes companhias chegam a ter equipes dedicadas a criar estrat\u00e9gias para compra e gest\u00e3o do insumo. Com clientes t\u00e3o especializados, o trabalho da comercializadora nessa rela\u00e7\u00e3o, portanto, era mais simples. Necessidade de aux\u00edlio p\u00f3s-venda, ent\u00e3o, praticamente n\u00e3o existia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mercado cresceu<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 dezembro de 2024, <strong>  64.697 consumidores haviam aderido ao mercado livre de energia<\/strong>, um aumento de 69% em 12 meses na base de clientes desse segmento, segundo dados da <strong>C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica (CCEE)<\/strong>.&nbsp;Desse total, 22.943  (35,6%) eram de pequeno porte, de consumo de at\u00e9 500 Kw por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/21553885?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21553885\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"chart visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Mas o potencial de crescimento nesse universo \u00e9 ainda maior: pelo menos o dobro desse n\u00famero de consumidores&nbsp;que ainda est\u00e3o no chamado mercado cativo &#8211; aquele atendido pela distribuidora da regi\u00e3o, as chamadas concession\u00e1rias de energia \u2013 t\u00eam o perfil adequado para migrar para o mercado livre.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-pictogram\" data-src=\"visualisation\/21509777?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21509777\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"pictogram visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa fatia de clientes que as comercializadoras disputam hoje. E de forma acirrada. O primeiro desafio, na verdade, \u00e9 justamente acessar esse p\u00fablico, que est\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas acostumado a pedir a liga\u00e7\u00e3o da energia de sua casa ou com\u00e9rcio junto \u00e0 concession\u00e1ria da regi\u00e3o, que vale a pena trocar de fornecedor &#8211; sem correr o risco de ficar no escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa trivial: as equipes precisam de profissionais capazes de falar com o cliente de varejo, mas que tamb\u00e9m tenham conhecimento do (complexo) setor de energia. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O novo cliente<\/h2>\n\n\n\n<p>Agora, a amplia\u00e7\u00e3o do mercado livre abriu um oceano de oportunidade para as empresas que vendem energia, s\u00f3 que o cliente aqui \u00e9 outro, menos tecnificado e que exigir\u00e1 maior assist\u00eancia. Logo, para conseguiur navegar nesse ambiente do varejo,  as comercializadoras precisaram se equipar &#8211; de tecnologia e de profissionais. Tanto para desenvolver um produto que fa\u00e7a mais sentido para esse novo tipo de cliente, como para conseguir vender e oferecer o suporte no p\u00f3s-venda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes, n\u00e3o se pensava em experi\u00eancia do cliente, porque s\u00f3 se negociava com grandes companhias, que tinham seus pr\u00f3prios especialistas. O atendimento era customizado, aprofundado. Agora, a realidade \u00e9 outra\u201d, define Lu\u00edsa Blandy, s\u00f3cia da Fesa Group, empresa de empresa de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o de executivos. Por causa dessa mudan\u00e7a na vida das empresas, o setor de  energia \u00e9 hoje um dos setores que mais demandam os servi\u00e7os da Fesa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Antes, n\u00e3o se falava em experi\u00eancia do cliente. E hoje essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o das comercializadoras&#8221;, diz Lu\u00edsa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A jornada<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Hoje, existem 509 comercializadoras<\/strong> \u2013 empresas que v\u00e3o comprar a energia de diferentes geradoras e vender para o consumidor final, sob a condi\u00e7\u00e3o de oferecer pre\u00e7o vantajoso e melhores servi\u00e7os. Algumas dessas&nbsp;est\u00e3o vinculadas a grandes grupos de energia, que tamb\u00e9m operam nas atividades de gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia. \u201cA palavra hoje n\u00e3o \u00e9 expans\u00e3o, \u00e9 transforma\u00e7\u00e3o\u201d, resume Lu\u00edsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, as comercializadoras precisam negociar com diferentes empresas geradoras &#8211; que podem ser tanto do grupo corporativo a que elas pertencem ou qualquer outra companhia \u2013 a compra da energia. E levar a tal energia at\u00e9 o endere\u00e7o do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-map\" data-src=\"visualisation\/21553946?1266799\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/21553946\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"map visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>E a\u00ed est\u00e1 o primeiro desafio: ter dom\u00ednio sobre a din\u00e2mica desse mercado para saber a hora certa de fechar a compra do insumo, cujo pre\u00e7o oscila muito. E garantir um desconto em rela\u00e7\u00e3o ao que a concession\u00e1ria cobra. Afinal, por que mais algu\u00e9m vai trocar de fornecedor se n\u00e3o tiver vantagem financeira?<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia: garantir uma forma de cobran\u00e7a transparente, que permita ao consumidor entender claramente sua fatura. A conta de energia \u00e9 composta por duas parcelas: o consumo mensal e os custos de infraestrutura &#8211; basicamente a manuten\u00e7\u00e3o da rede e dos postes instalados pela concession\u00e1ria, al\u00e9m dos impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas comercializadoras oferecem ao cliente uma fatura \u00fanica, j\u00e1 incluindo ambas as parcelas (e neste caso, liquidam o valor total com a distribuidora). Outras preferem emitir a cobran\u00e7a apenas do consumo de energia, enquanto o cliente continua recebendo a fatura dos servi\u00e7os de infraestrutura diretamente da concession\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>As grandes comercializadoras, como <strong>Delta<\/strong>, <strong>Auren<\/strong> e <strong>Comerc<\/strong>, investem na digitaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os para fornecer todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, garantir atendimento personalizado e estar dispon\u00edveis para resolver eventuais falhas no fornecimento. Em geral, os contratos t\u00eam dura\u00e7\u00e3o de dois a tr\u00eas anos, com descontos que variam de 20% a 30% sobre a tarifa de consumo de energia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem que saber comprar energia, colocar na casa do cliente. Mas o grande desafio \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o do cliente&#8221;, define Pedro Somma, CEO da LUZ, startup que faz parte do grupo Delta Energia, criada em 2022.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consolida\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Depois do boom de novas comercializadoras, a expectativa dos analistas \u00e9 de que essas empresas reduzam o ritmo de crescimento se concentrem em gerar mais efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 expectativa de que esse setor passe por um processo de consolida\u00e7\u00e3o, ou seja, que as maiores e mais preparadas acabem comprando as menores, que eventualmente possam encontrar mais dificuldade em competir nesse mercado. &#8220;Vai haver uma depura\u00e7\u00e3o nesse mercado, porque muita gente prometeu descontos absurdos e n\u00e3o vai conseguir entregar&#8221;, diz Somma.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas dessas comercializadoras s\u00e3o independentes e entraram no setor justamente porque enxergaram nessa flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado livre de energia uma oportunidade de neg\u00f3cio. Para todas essas empresas, o desafio \u00e9 chegar ao consumidor no varejo, prestar um bom atendimento no p\u00f3s-venda e conseguir cumprir o compromisso de entregar o desconto prometido na hora do fechamento do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caminho que muitas empresas encontraram foi fazer parcerias com quem j\u00e1 tem experi\u00eancia em lidar com o cliente de varejo, como empresas de telefonia ou mesmo bancos. A Comerc, por exemplo, fechou uma parceria com o banco <strong>Ita\u00fa<\/strong>. J\u00e1 a <strong>Auren<\/strong>, outra grande do setor, se uniu \u00e0 Vivo com esse objetivo. Nos dois casos, as comercializadoras usam a for\u00e7a de venda dos parceiros para alcan\u00e7ar o consumidor de varejo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modelo que permite escolher fornecedor de energia el\u00e9trica j\u00e1 atinge 56 mil consumidores e se prepara para alcan\u00e7ar resid\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":602824,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[103132],"autor-wsj":[],"coauthors":[102473,102614],"class_list":["post-655823","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios","tag-energia-eletrica"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/655823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=655823"}],"version-history":[{"count":33,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/655823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":656186,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/655823\/revisions\/656186"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/602824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=655823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=655823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=655823"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=655823"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=655823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}