{"id":681248,"date":"2025-06-17T19:56:01","date_gmt":"2025-06-17T22:56:01","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=681248"},"modified":"2025-06-17T19:56:03","modified_gmt":"2025-06-17T22:56:03","slug":"a-ascensao-dos-navios-nucleares-transporte-sem-emissoes-e-sem-parada-pra-reabastecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/a-ascensao-dos-navios-nucleares-transporte-sem-emissoes-e-sem-parada-pra-reabastecer\/","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o dos navios nucleares: transporte sem emiss\u00f5es e sem parada pra reabastecer"},"content":{"rendered":"\n<p>Navios militares j\u00e1 usam energia nuclear h\u00e1 d\u00e9cadas. Agora, estaleiros comerciais come\u00e7am a apostar nessa tecnologia como solu\u00e7\u00e3o para um dos maiores desafios do setor: descarbonizar o transporte mar\u00edtimo global.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor naval \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 3% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa \u2014 mais do que o Jap\u00e3o. A Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO, na sigla em ingl\u00eas) assumiu a meta de cortar essas emiss\u00f5es em at\u00e9 30% at\u00e9 2030 e zer\u00e1-las at\u00e9 2050. Para isso, ser\u00e1 preciso deixar de usar o combust\u00edvel f\u00f3ssil mais sujo da ind\u00fastria: o \u00f3leo bunker.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns combust\u00edveis alternativos, como am\u00f4nia ou metanol, est\u00e3o em desenvolvimento, mas ainda s\u00e3o caros e de dif\u00edcil acesso. Para Mikal Boe, CEO da empresa brit\u00e2nica Core Power, trata-se de um \u201cproblema quase intranspon\u00edvel\u201d. Por isso, sua empresa lidera uma iniciativa que re\u00fane a sul-coreana HD Korea Shipbuilding &amp; <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/offshore\/\">Offshore<\/a> Engineering e a americana Southern Co. para desenvolver cargueiros movidos por pequenos reatores nucleares.<\/p>\n\n\n<section class=\"recirculation-area\">\n    <div class=\"container\">\n                <p class=\"title\">Leia tamb\u00e9m: <\/p>\n     \n            <ul class=\"recirculation-list\" data-tracking-position=\"outros\">\n                            <li class=\"list-item\">\n                    <a \n                        href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/por-que-angra-3-nunca-termina-o-projeto-nuclear-que-ninguem-tem-coragem-de-concluir-nem-de-enterrar\/\" \n                        title=\"Por que Angra 3 nunca termina? O projeto nuclear que ningu\u00e9m tem coragem de concluir, nem de enterrar\" \n                        class=\"item-title recirculation-link\"\n                        data-btn-name=\"Por que Angra 3 nunca termina? O projeto nuclear que ningu\u00e9m tem coragem de concluir, nem de enterrar\"\n                        data-posicao=\"outros\"\n                        data-click-url=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/por-que-angra-3-nunca-termina-o-projeto-nuclear-que-ninguem-tem-coragem-de-concluir-nem-de-enterrar\/\"\n                    >\n                        Por que Angra 3 nunca termina? 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Embora os custos iniciais sejam mais altos e os desafios t\u00e9cnicos e regulat\u00f3rios sejam consider\u00e1veis, Boe afirma que navios nucleares poderiam ser mais r\u00e1pidos, mais eficientes e com maior capacidade de carga. \u201cSe pud\u00e9ssemos fazer isso hoje, a demanda reprimida seria gigantesca\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A meta do grupo \u00e9 colocar o primeiro cargueiro nuclear na \u00e1gua at\u00e9 2035, usando um reator desenvolvido pela TerraPower \u2014 empresa de tecnologia clim\u00e1tica financiada por Bill Gates, que prev\u00ea iniciar os testes do modelo em 2029. A Southern Co., que concluiu recentemente a constru\u00e7\u00e3o da primeira usina nuclear nos EUA em d\u00e9cadas, trar\u00e1 sua experi\u00eancia para o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>A aposta vem em um momento de renascimento da energia nuclear em terra firme. O aumento da demanda energ\u00e9tica causado pela <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/inteligencia-artificial\/\">intelig\u00eancia artificial<\/a> levou empresas de tecnologia e governos a apostarem tanto na energia nuclear tradicional quanto em novas formas, como fus\u00e3o e os pequenos reatores modulares (SMRs) \u2014 exatamente o tipo que ser\u00e1 usado nos navios.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, o primeiro reator naval foi instalado em um submarino dos EUA em 1955. Navios civis com propuls\u00e3o nuclear come\u00e7aram a ser testados a partir de 1959, com o NS Savannah, mas a maioria foi desativada por quest\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras. Hoje, cerca de 160 embarca\u00e7\u00f5es no mundo usam fiss\u00e3o nuclear \u2014 em sua maioria navios militares e quebra-gelos russos que operam no \u00c1rtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a press\u00e3o por metas ambientais tem feito o setor comercial reavaliar essa possibilidade, segundo Jose Esteve, especialista em energia offshore da francesa Bureau Veritas. Algumas empresas est\u00e3o testando combust\u00edveis como am\u00f4nia ou hidrog\u00eanio, al\u00e9m do uso de velas. A gigante dinamarquesa Maersk j\u00e1 opera navios movidos a metanol com baixa emiss\u00e3o de carbono. No entanto, Esteve v\u00ea problemas: \u201cEsses combust\u00edveis alternativos n\u00e3o estar\u00e3o dispon\u00edveis quando forem necess\u00e1rios, nem a pre\u00e7os vi\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Angra 3: O impasse de quatro d\u00e9cadas da usina nuclear\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nMhMaKoU-K0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Para ele, a energia nuclear tem mais chances de ser escalada. Ele prev\u00ea que os primeiros testes com cargueiros nucleares ocorram em meados da d\u00e9cada de 2030, com uso mais amplo a partir do fim da d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, h\u00e1 obst\u00e1culos grandes. Empresas de seguro comercial n\u00e3o oferecem cobertura para embarca\u00e7\u00f5es movidas a fiss\u00e3o nuclear \u2014 o risco de um acidente \u00e9 alto demais. Sem seguro, portos civis n\u00e3o autorizam a atraca\u00e7\u00e3o desses navios. Isso n\u00e3o \u00e9 um problema para embarca\u00e7\u00f5es militares, que usam portos pr\u00f3prios, mas trava a ado\u00e7\u00e3o no setor comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00f5es com seguran\u00e7a. George Moore, pesquisador do Middlebury Institute of International Studies, lembra que, mesmo sem ur\u00e2nio enriquecido para uso b\u00e9lico, o combust\u00edvel ainda \u00e9 radioativo \u2014 e navios comerciais s\u00e3o mais fr\u00e1geis, o que aumenta o risco de vazamentos ou sabotagem. \u201cA ind\u00fastria ainda n\u00e3o considerou todas essas quest\u00f5es\u201d, diz Moore. \u201cIsso torna o desenvolvimento desses navios uma ideia arriscada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A IMO discute este m\u00eas mudan\u00e7as no c\u00f3digo de seguran\u00e7a para navios comerciais com reatores nucleares. E pode votar, em outubro, a imposi\u00e7\u00e3o de penalidades financeiras para embarca\u00e7\u00f5es poluentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Moore, novas tecnologias nucleares podem ajudar a mitigar riscos. Os navios militares usam reatores de \u00e1gua pressurizada, que operam sob alta press\u00e3o e, em caso de acidente, podem liberar radioatividade a longas dist\u00e2ncias. J\u00e1 os reatores da TerraPower operam sob press\u00e3o normal, o que limita a \u00e1rea de risco a algo menor \u2014 idealmente, ao tamanho do pr\u00f3prio navio.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso os desafios sejam superados, os benef\u00edcios s\u00e3o muitos. Hoje, os navios navegam a 30% ou 40% abaixo de sua velocidade m\u00e1xima, para reduzir emiss\u00f5es e custos com combust\u00edvel. Um navio nuclear n\u00e3o teria esse problema: sem emiss\u00f5es e sem custo de combust\u00edvel, poderia operar em velocidade m\u00e1xima \u2014 entregando mais r\u00e1pido e lucrando mais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A tens\u00e3o da Enel: das turbinas paradas \u00e0 crise pol\u00edtica em S\u00e3o Paulo\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oMMhvNtN0N8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro ganho est\u00e1 no espa\u00e7o. Os tanques de combust\u00edvel ocupam muito volume nos cargueiros. Sem eles, a capacidade de carga pode aumentar em at\u00e9 10%, estima Boe. Al\u00e9m disso, reatores nucleares podem funcionar por d\u00e9cadas sem reabastecimento \u2014 algo que, hoje, consome cerca de um m\u00eas por ano na opera\u00e7\u00e3o de um navio, segundo Sangmin Park, vice-presidente da HD Korea Shipbuilding.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que o investimento inicial seria maior: o triplo do custo de um navio convencional. Mas Park calcula que, em 25 anos, o custo total de opera\u00e7\u00e3o de um navio nuclear pode ser menos da metade de um cargueiro tradicional. \u201c\u00c9 bom para o meio ambiente e para a economia no longo prazo\u201d, diz ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cargueiros at\u00f4micos podem mudar a economia do setor \u2014 se conseguirem superar as barreiras regulat\u00f3rias<\/p>\n","protected":false},"author":76,"featured_media":681249,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"autor-wsj":[],"coauthors":[101325],"class_list":["post-681248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/681248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/76"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=681248"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/681248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":681254,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/681248\/revisions\/681254"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/681249"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=681248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=681248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=681248"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=681248"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=681248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}