{"id":685046,"date":"2025-07-04T06:00:00","date_gmt":"2025-07-04T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=685046"},"modified":"2025-07-04T09:35:39","modified_gmt":"2025-07-04T12:35:39","slug":"dolar-na-duty-free-reabre-janela-para-investimentos-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/investimentos\/dolar-na-duty-free-reabre-janela-para-investimentos-no-exterior\/","title":{"rendered":"D\u00f3lar na ‘duty-free’ reabre janela para investimentos no exterior"},"content":{"rendered":"\n
O brasileiro sempre gostou de viajar e tem sido pr\u00f3digo em abrir a carteira ao fazer turismo l\u00e1 fora. No ano passado, deixamos cerca de US$ 20 bilh\u00f5es em outros pa\u00edses, em viagens a neg\u00f3cios ou a lazer. Quando o assunto \u00e9 investir l\u00e1 fora, por\u00e9m, ainda somos muito t\u00edmidos \u2013 um comportamento que deveria mudar para aqueles em busca de boas oportunidades.<\/p>\n\n\n\n
Na hora de aplicar recursos no exterior, os brasileiros enviaram menos da metade dos valores deixados com f\u00e9rias ou viagens de neg\u00f3cios. Para ser mais espec\u00edfico, foram US$ 9 bilh\u00f5es direcionados a aplica\u00e7\u00f5es financeiras internacionais no ano passado, conforme dados do Banco Central.<\/p>\n\n\n\n
Qualquer um poderia argumentar que aplicar na renda fixa<\/a> aqui no Brasil \u00e9 muito mais favor\u00e1vel do que pensar em enviar dinheiro para aplica\u00e7\u00f5es l\u00e1 fora. Afinal, com o CDI<\/a> rendendo 15% ao ano, o investidor tem ao alcance o t\u00e3o famoso 1% de rendimento ao m\u00eas. A isso se soma o atual momento do mercado americano, assolado pelas incertezas trazidas pela gest\u00e3o do presidente Donald Trump.<\/p>\n\n\n LEIA MAIS<\/p>\n \n Ent\u00e3o, se o juro est\u00e1 t\u00e3o elevado no Brasil e os investidores internacionais t\u00eam ficado mais cautelosos com os EUA, \u00e9 mesmo hora de investir no exterior? N\u00e3o seria melhor trazer o dinheiro de volta pra aproveitar a for\u00e7a da renda fixa local? <\/p>\n\n\n\n Resposta: o investidor n\u00e3o deve ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de repatriar valores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Tudo come\u00e7a com a varia\u00e7\u00e3o cambial. O d\u00f3lar se desvalorizou 14,6% frente ao real no primeiro semestre deste ano. Como dificilmente qualquer produto l\u00e1 fora tenha rendido esse percentual em seis meses, o investidor ter\u00e1 que engolir o preju\u00edzo nesse movimento.<\/p>\n\n\n\n Quem fez aplica\u00e7\u00f5es no exterior com d\u00f3lar a R$ 6,17 l\u00e1 pelo fim do ano passado e decidisse repatriar o dinheiro agora, teria uma cota\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de R$ 5,40. Isso quer dizer que R$ 10 mil aplicados l\u00e1 atr\u00e1s viraram R$ 8.750 hoje. P\u00e9ssimo neg\u00f3cio. Mas isso s\u00f3 se concretiza se voc\u00ea de fato trouxer a grana de volta. <\/p>\n\n\n\n No fim das contas, se voc\u00ea realmente quer aproveitar os juros locais, o caminho \u00e9 outro: aplicar dinheiro novo, e n\u00e3o trazer o que est\u00e1 l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n Com a queda do d\u00f3lar frente ao real, o momento, na verdade, \u00e9 favor\u00e1vel a elevar a diversifica\u00e7\u00e3o no mercado internacional. Isso porque o poder de compra da moeda brasileira aumentou.<\/strong> E vale aproveitar a janela porque esse per\u00edodo de real forte pode durar menos do que se imagina.<\/p>\n\n\n\n A fraqueza da divisa dos EUA \u00e9 uma hist\u00f3ria c\u00edclica.<\/strong> Esse \u00e9 o ponto. Johanna Chua, economista-chefe de mercados emergentes e de \u00c1sia do Citigroup, explica que o d\u00f3lar vem se desvalorizando frente v\u00e1rias moedas globais por alguns motivos: a expectativa de desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento dos EUA, as incertezas trazidas pelas tarifas comerciais impostas por Trump e o fato de o mercado precificar mais cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).<\/p>\n\n\n\n Mas, no decorrer do ano, o d\u00f3lar pode voltar a ganhar for\u00e7a, conforme essas incertezas comecem a se diluir. E, mais importante: quando o BC americano come\u00e7ar a cortar o juros, provavelmente a partir de setembro, o fluxo de investimentos para ativos de mercados mais arriscados vai se intensificar. Quem for esperto e tiver um peda\u00e7o da carteira em ativos “dolarizados” entra na lista dos potenciais premiados.<\/p>\n\n\n LEIA MAIS<\/p>\n \n Mas n\u00e3o s\u00f3 de oportunidades de curto e m\u00e9dio prazo que se faz um mercado. A “caixinha”de recursos aplicados no Brasil e no exterior precisam ser independentes \u2013 e perenes, de prefer\u00eancia. Em outras palavras: a estrat\u00e9gia de investir no exterior tem de seguir uma vis\u00e3o estrutural<\/strong>, de longo prazo, e n\u00e3o apenas tentando acertar hora de entrar no jogo. <\/p>\n\n\n\n \u00c9 a velha hist\u00f3ria: ainda que o mercado americano esteja em um momento de maior press\u00e3o, ele \u00e9 o maior, o mais diversificado e o mais l\u00edquido do mundo. Para um grande investidor internacional, as turbul\u00eancias podem at\u00e9 ser motivo para um movimento de curt\u00edssimo prazo \u2013 estrat\u00e9gia “t\u00e1tica”, como se diz no mercado. Para um investidor brasileiro pequeno a hist\u00f3ria \u00e9 outra. <\/p>\n\n\n\n Ter uma parte do patrim\u00f4nio em d\u00f3lar \u00e9 o caminho simples de proteger a carteira em momentos turbulentos aqui no pa\u00eds. Para quem se esqueceu, foi justamente o que aconteceu no ano passado, quando as preocupa\u00e7\u00f5es fiscais por aqui empurraram o d\u00f3lar para o n\u00edvel acima dos R$ 6. E alta acumulada foi de 27%.<\/p>\n\n\n\n A fatia do portf\u00f3lio “dolarizada” vai variar conforme o perfil do investidores. Em geral, uma pessoa conservadora pode aplicar at\u00e9 5% do patrim\u00f4nio no exterior \u2013 via fundos cambiais, ETFs e BDRs negociados no Brasil ou contas internacionais<\/a>. J\u00e1 um investidor de perfil agressivo pode destinar de 20% e at\u00e9 40% do patrim\u00f4nio a ativos globais.<\/p>\n\n\n\n\n
Aumento do poder de compra<\/h2>\n\n\n\n
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Dinheiro diferente para cada caixinha<\/h2>\n\n\n\n