{"id":707236,"date":"2025-08-19T06:00:00","date_gmt":"2025-08-19T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=707236"},"modified":"2025-08-18T19:50:46","modified_gmt":"2025-08-18T22:50:46","slug":"renault-no-diva-novos-carros-geely-e-o-desafio-de-voltar-a-ser-relevante-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/renault-no-diva-novos-carros-geely-e-o-desafio-de-voltar-a-ser-relevante-no-brasil\/","title":{"rendered":"Renault no div\u00e3: novos carros, Geely e o desafio de voltar a ser relevante no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A Renault vive uma crise de identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 reconfigura\u00e7\u00e3o global da ind\u00fastria automotiva, marcada pela eletrifica\u00e7\u00e3o e pelo avan\u00e7o tit\u00e2nico das montadoras chinesas, a companhia tenta reencontrar seu lugar o sol. O plano passa por reconfigurar seu arco de alian\u00e7as e renovar o portf\u00f3lio.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a francesa conseguiu converter a fama de produtora de carros fr\u00e1geis e caros em reputa\u00e7\u00e3o de montadora que vende ve\u00edculos populares, baratos e confi\u00e1veis. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa, mas esses anos dourados ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>A Renault virou uma montadora especializada em vender para governos e locadoras, estrat\u00e9gia que garante volume, espreme margens e afasta o consumidor comum. O portf\u00f3lio envelhecido e limitado tampouco ajuda a despertar o desejo de quem quer trocar de carro.<\/p>\n\n\n<section class=\"recirculation-area\">\n    <div class=\"container\">\n                <p class=\"title\">Leia tamb\u00e9m: <\/p>\n     \n            <ul class=\"recirculation-list\" data-tracking-position=\"outros\">\n                            <li class=\"list-item\">\n                    <a \n                        href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/a-arma-da-toyota-contra-byd-e-gwm-um-hibrido-mais-em-conta\/\" \n                        title=\"A arma da Toyota contra BYD e GWM: um h\u00edbrido mais em conta\" \n                        class=\"item-title recirculation-link\"\n                        data-btn-name=\"A arma da Toyota contra BYD e GWM: um h\u00edbrido mais em conta\"\n                        data-posicao=\"outros\"\n                        data-click-url=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/a-arma-da-toyota-contra-byd-e-gwm-um-hibrido-mais-em-conta\/\"\n                    >\n                        A arma da Toyota contra BYD e GWM: um h\u00edbrido mais em conta                    <\/a>\n                <\/li>\n                            <li class=\"list-item\">\n                    <a \n                        href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/alem-da-muralha-chinesas-byd-chery-e-gac-lideram-expansao-internacional-de-novas-fabricas-de-carros\/\" \n                        title=\"Al\u00e9m da Muralha: chinesas BYD, Chery e GAC lideram expans\u00e3o internacional de novas f\u00e1bricas de carros\" \n                        class=\"item-title recirculation-link\"\n                        data-btn-name=\"Al\u00e9m da Muralha: chinesas BYD, Chery e GAC lideram expans\u00e3o internacional de novas f\u00e1bricas de carros\"\n                        data-posicao=\"outros\"\n                        data-click-url=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/alem-da-muralha-chinesas-byd-chery-e-gac-lideram-expansao-internacional-de-novas-fabricas-de-carros\/\"\n                    >\n                        Al\u00e9m da Muralha: chinesas BYD, Chery e GAC lideram expans\u00e3o internacional de novas f\u00e1bricas de carros                    <\/a>\n                <\/li>\n                            <li class=\"list-item\">\n                    <a \n                        href=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/a-crise-da-volkswagen-e-a-crise-da-alemanha-sao-uma-so-e-a-china-tem-tudo-a-ver-com-isso\/\" \n                        title=\"A crise da Volkswagen e a crise da  Alemanha s\u00e3o uma s\u00f3. E a China tem tudo a ver com isso\" \n                        class=\"item-title recirculation-link\"\n                        data-btn-name=\"A crise da Volkswagen e a crise da  Alemanha s\u00e3o uma s\u00f3. E a China tem tudo a ver com isso\"\n                        data-posicao=\"outros\"\n                        data-click-url=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/a-crise-da-volkswagen-e-a-crise-da-alemanha-sao-uma-so-e-a-china-tem-tudo-a-ver-com-isso\/\"\n                    >\n                        A crise da Volkswagen e a crise da  Alemanha s\u00e3o uma s\u00f3. E a China tem tudo a ver com isso                    <\/a>\n                <\/li>\n                    <\/ul>\n    <\/div><\/section>\n\n\n\n<p>Agora, executivos, engenheiros e redes de concession\u00e1rias se movimentam para reverter anos de estagna\u00e7\u00e3o e prepararam o terreno para uma nova fase: a alian\u00e7a com a chinesa Geely, o investimento em motoriza\u00e7\u00e3o h\u00edbrida-flex e a tentativa de reposicionar a marca s\u00e3o os principais pilares dessa tentativa de reinven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desafio e tanto para o executivo argentino Ariel Montenegro, que acabou de se tornar CEO da subsidi\u00e1ria brasileira. <\/p>\n\n\n\n<p>Em termos globais, caber\u00e1 ao Fran\u00e7ois Provost tocar o plano de transforma\u00e7\u00e3o da Renault. <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2025\/07\/31\/novo-ceo-da-renault-promete-disciplina-de-gastos-para-defender-margens.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O franc\u00eas assumiu o cargo de CEO em julho<\/a>, logo depois da Renault anunciar preju\u00edzo l\u00edquido de 11,2 bilh\u00f5es de euros no primeiro semestre deste ano, e chegou prometendo &#8220;disciplina de ferro&#8221; nas contas.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>InvestNews<\/strong> tentou falar com a Renault Brasil, mas a montadora n\u00e3o atendeu a reportagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Renault no div\u00e3: montadora trata crise de identidade para voltar a ser relevante no Brasil\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o5s8xUnT_4o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perdendo o embalo<\/h2>\n\n\n\n<p>A Renault, que chegou a disputar a quarta coloca\u00e7\u00e3o no mercado nacional na d\u00e9cada de 2010, agora figura em sexto lugar no ranking de vendas de 2025 \u2013 atr\u00e1s de Fiat, Volks, GM, Toyota e Hyundai. As duas \u00faltimas, ali\u00e1s, conseguiram ocupar parte do espa\u00e7o que um dia foi da montadora francesa, sobretudo no segmento de compactos e SUVs de entrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na lista que considera s\u00f3 os carros de passeio, a Renault perde tamb\u00e9m para Jeep, Honda e BYD.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-bar-chart-race\" data-src=\"visualisation\/24700598?1265504\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/24700598\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"bar-chart-race visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>Parte desse decl\u00ednio est\u00e1 ligada ao perfil das vendas. De acordo com levantamento da consultoria Bright Consulting, 71% dos carros vendidos pela Renault no Brasil entre janeiro e julho deste ano foram emplacados por meio de vendas diretas \u2014 justamente aqueles negociados diretamente com empresas, locadoras ou \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, sem passar pela rede tradicional de concession\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Metade dessas vendas diretas tem como destino final as locadoras, um canal com margens mais apertadas e forte impacto no valor residual dos ve\u00edculos. Esses modelos retornam ao mercado rapidamente como seminovos, derrubando os pre\u00e7os e deteriorando ainda mais a percep\u00e7\u00e3o de valor da marca entre consumidores de varejo. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao abrir m\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de imagem no varejo, a Renault acabou restringindo sua competitividade a uma l\u00f3gica de pre\u00e7o, um terreno cada vez mais inst\u00e1vel diante da <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/o-brasil-virou-peca-chave-para-as-montadoras-chinesas-e-uma-nova-onda-de-carros-vem-ai\/\">crescente concorr\u00eancia asi\u00e1tica<\/a> e da fragmenta\u00e7\u00e3o do mercado brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizendo de outra forma, a marca perdeu prest\u00edgio. <\/p>\n\n\n\n<p>A Renault, antes associada a carros robustos e acess\u00edveis, deixou de ser atraente aos olhos do consumidor. \u201cO cliente de varejo n\u00e3o est\u00e1 sendo cativado. Falta desejo de marca\u201d, diz Cassio Pagliarini, ex-diretor de marketing da Renault e consultor da Bright Consulting. Ele resume o dilema: &#8220;Sem o consumidor de varejo, n\u00e3o h\u00e1 constru\u00e7\u00e3o de marca. E sem marca forte, a margem desaparece.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"O futuro dos carros est\u00e1 sendo decidido no Brasil\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Vz9VTx4YMXw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A tentativa de virar essa p\u00e1gina come\u00e7ou com o SUV Kardian, carro projetado no Brasil e cujas vendas se iniciaram em mar\u00e7o de 2024. O modelo foi anunciado sob o slogan &#8220;a mudan\u00e7a de que muda tudo&#8221;, ecoando a expectativa de que o Kardian reposicionasse a imagem da Renault e estabelecesse um novo patamar de qualidade percebida \u2013 mas isso ainda n\u00e3o aconteceu. <\/p>\n\n\n\n<p>A lista dos carros de passeio mais vendidos ao varejo neste ano \u2013 ou seja, excluindo as vendas diretas \u2013 mostra que o Kardian \u00e9 s\u00f3 o 24\u00ba mais escolhido pelos consumidores. Mesmo l\u00e1 embaixo, \u00e9 o Renault mais bem posicionado, e bem atr\u00e1s dos concorrentes do seu segmento, como Tracker (5\u00ba), Nivus (8\u00ba), Pulse (13\u00ba) e Kicks (15\u00ba). Ele tamb\u00e9m vende menos que modelos chineses como Tiggo 7, Tiggo 8, Haval H6 e Dolphin Mini.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Kardian \u00e9 um \u00f3timo produto&#8221;, avalia Cassio Pagliarini. &#8220;Mas, para mudar esse cen\u00e1rio, precisaria vir acompanhado de refor\u00e7o da rede de concession\u00e1rias, comunica\u00e7\u00e3o clara e uma proposta de valor que diferencie a marca.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, a Renault aposta no SUV Boreal, um modelo acima do Kardian e tamb\u00e9m fabricado na planta de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais.&nbsp;A miss\u00e3o dele \u00e9 bater de frente com Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. <\/p>\n\n\n\n<p>Kardian e Boreal foram constru\u00eddos sobre a plataforma CMF-B \u2014 uma base modular desenvolvida globalmente pela alian\u00e7a Renault-Nissan para dar suporte a diferentes tipos de motoriza\u00e7\u00e3o, incluindo vers\u00f5es h\u00edbridas. A proposta da arquitetura \u00e9 reduzir custos e aumentar a efici\u00eancia produtiva ao compartilhar componentes e processos entre modelos distintos, e fazer isso em termos mundiais. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-1024x683.webp\" alt=\"a row of Renault cars in a row\" class=\"wp-image-707240\" srcset=\"https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-1024x683.webp 1024w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-300x200.webp 300w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-768x512.webp 768w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-2048x1365.webp 2048w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-1256x837.webp 1256w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-172x115.webp 172w, https:\/\/media.investnews.com.br\/uploads\/2025\/08\/427420386_69-150x100.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Bloomberg<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A planta da Renault no Paran\u00e1 tamb\u00e9m ser\u00e1 aproveitada para a produ\u00e7\u00e3o de modelos desenvolvidos em parceria com a chinesa Geely, dona da Volvo. A alian\u00e7a entre as duas empresas \u00e9 global e envolve o uso da plataforma SEA, que permitir\u00e1 \u00e0 Renault desenvolver <strong>SUVs el\u00e9tricos<\/strong> e <strong>h\u00edbridos plug-in <\/strong>com tecnologia da Geely. A Renault cuidar\u00e1 da carroceria e a Geely ser\u00e1 respons\u00e1vel pela arquitetura eletr\u00f4nica e pela base mec\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a rede de concession\u00e1rias da Renault servir\u00e1 de base para a expans\u00e3o da Geely no pa\u00eds, que estreia com 23 lojas em 19 cidades, muitas delas operadas por grupos que j\u00e1 representam a montadora francesa. A complementaridade de portf\u00f3lios tamb\u00e9m faz parte da estrat\u00e9gia: enquanto a Renault atua no segmento de entrada com Kwid e Kardian, a Geely chega com modelos premium, caso do EX5 100% el\u00e9trico, com pre\u00e7os superiores a R$ 200 mil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A constru\u00e7\u00e3o da identidade<\/h2>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria da Renault no Brasil \u00e9 marcada por um dilema de posicionamento. A empresa desembarcou oficialmente no pa\u00eds nos anos 1990, com a CAOA como importadora. Depois de instalar definitivamente sua subsidi\u00e1ria no pa\u00eds e assumir o controle da estrat\u00e9gia comercial, a Renault apostou em modelos como Sc\u00e9nic e Clio para ganhar mercado, mas os carros da empresa n\u00e3o emplacavam \u2013 mais caros que os concorrentes diretos, sofriam com a m\u00e1 fama de que os ve\u00edculos franceses quebravam f\u00e1cil, tinham manuten\u00e7\u00e3o cara e pre\u00e7o de revenda baixo. <\/p>\n\n\n\n<p>A empresa encontrou seu caminho no Brasil com a ado\u00e7\u00e3o da linha Dacia. A montadora romena foi adquirida em 1999 e &#8220;emprestou&#8221; modelos como Logan, Sandero e Duster, decisivos para consolidar a imagem da marca como fabricante de carros acess\u00edveis, robustos e espa\u00e7osos \u2014 ideais para as fam\u00edlias de classe m\u00e9dia daqui.<\/p>\n\n\n\n<p>O auge veio entre 2019, quando a Renault chegou ao quarto lugar no ranking nacional, com 9% de participa\u00e7\u00e3o e mais de 240 mil unidades vendidas por ano. Mas os carros envelheceram r\u00e1pido diante da renova\u00e7\u00e3o de &#8220;card\u00e1pio&#8221; dos concorrentes e o sucesso da Renault Brasil n\u00e3o perdurou.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-table\" data-src=\"visualisation\/24699647?1265504\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/24699647\/thumbnail\" width=\"100%\" alt=\"table visualization\" \/><\/noscript><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Sandero, Logan e Duster tinham planos de 12 anos&#8221;, explica Cassio. &#8220;Voc\u00ea lan\u00e7a, faz um pequeno <em>facelift<\/em> em tr\u00eas anos, um <em>re-skin<\/em> em seis anos, mais um <em>facelift <\/em>pequeno em nove e s\u00f3 troca a plataforma quando chega aos 12&#8243;, detalha o ex-executivo da montadora. &#8220;Para um mercado que est\u00e1 mudando tanto, \u00e9 tempo demais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O envelhecimento do portf\u00f3lio, a queda da percep\u00e7\u00e3o de valor e a depend\u00eancia das vendas diretas corroeram o v\u00ednculo com o consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com um novo ciclo de produtos, alian\u00e7as estrat\u00e9gicas e um plano claro de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a Renault tenta se reposicionar. Mas esse movimento exige consist\u00eancia: comunica\u00e7\u00e3o, rede, p\u00f3s-venda e \u2014 acima de tudo \u2014 produtos que despertem desejo. Como observa Pagliarini: \u201cUm carro n\u00e3o vende s\u00f3 por ser bom. Ele precisa de rede, p\u00f3s-venda, marketing, e uma hist\u00f3ria que engaje o consumidor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entre sess\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>A crise da Renault n\u00e3o come\u00e7ou no Brasil, mas foi catalisada por um brasileiro: em 2018, caiu Carlos Ghosn, seu executivo mais emblem\u00e1tico. Respons\u00e1vel por arquitetar a alian\u00e7a Renault-Nissan-Mitsubishi, Ghosn tamb\u00e9m liderou a aquisi\u00e7\u00e3o da Dacia e antecipou a eletrifica\u00e7\u00e3o com o lan\u00e7amento do Zoe, em 2012. <\/p>\n\n\n\n<p>A Renault deixou de ser uma empresa estatal em 1996, e Carlos Ghosn teve papel fundamental na fase p\u00f3s-privatiza\u00e7\u00e3o. Ainda hoje o governo franc\u00eas tem 15% de participa\u00e7\u00e3o da empresa. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a deten\u00e7\u00e3o de Ghosn no Jap\u00e3o, sob acusa\u00e7\u00f5es de subnotifica\u00e7\u00e3o de rendimentos e mau uso de ativos da empresa, abalou a governan\u00e7a e provocou turbul\u00eancias internas. Sua posterior fuga cinematogr\u00e1fica para o L\u00edbano foi amplamente divulgada e virou at\u00e9 s\u00e9rie na Netflix.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a pandemia e uma s\u00e9rie de preju\u00edzos bilion\u00e1rios, a Renault se viu obrigada a reformular sua estrat\u00e9gia. Foi nesse cen\u00e1rio que Luca de Meo assumiu o comando global da empresa em 2020. Com passagens por Fiat e Volkswagen, o executivo lan\u00e7ou o plano <em>&#8220;Renaulution&#8221;<\/em>, baseado em tr\u00eas eixos: racionaliza\u00e7\u00e3o de custos, foco em <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/guias\/rentabilidade\/\">rentabilidade<\/a> e renova\u00e7\u00e3o da imagem da marca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Toyota: Por que a inventora dos h\u00edbridos est\u00e1 ficando para tr\u00e1s no Brasil?\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c_pXSIlm_qk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A Renault abandonou projetos de baixo retorno e priorizou margens sobre volumes. A alian\u00e7a com a Nissan foi reestruturada: as duas empresas passaram a ter participa\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias equivalentes (15%), e novos investimentos cruzados foram anunciados para a divis\u00e3o de el\u00e9tricos. Essa divis\u00e3o, chamada Ampere, concentra os projetos de ve\u00edculos el\u00e9tricos e software \u2014 como o M\u00e9gane E-Tech, o novo Renault 5 e o Twingo el\u00e9trico feito para a Nissan.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ampere tamb\u00e9m lidera projetos de baterias com a coreana LG Energy Solution e a chinesa CATL, e tem papel estrat\u00e9gico no fornecimento de tecnologia para as marcas do grupo. <\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 outra divis\u00e3o, a divis\u00e3o Horse \u2013 formada com a Geely e participa\u00e7\u00e3o da petroleira Saudi Aramco como investidora. Ela ficou respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de motores h\u00edbridos e a combust\u00e3o de alta efici\u00eancia. Essa alian\u00e7a tamb\u00e9m inclui a Mercedes-Benz, que poder\u00e1 usar a arquitetura da Horse em modelos futuros.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa nova arquitetura global tem reflexos diretos na Am\u00e9rica Latina, onde a Renault busca ser simultaneamente inovadora e acess\u00edvel enquanto tenta aumentar as margens nas suas vendas. O mercado latino cresceu em import\u00e2ncia desde 2022, quando a Renault precisou vender para o governo russo sua participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria na AvtoVAZ, dona da Lada. <\/p>\n\n\n\n<p>O neg\u00f3cio aconteceu devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es ocidentais impostas \u00e0 R\u00fassia ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, e significou para a Renault a perda de um mercado importante. A sa\u00edda da AvtoVAZ significou ainda o aumento da depend\u00eancia do mercado europeu, de onde vem 70% do faturamento da Renault. Ou seja, a montadora tem muitos motivos para tentar &#8220;vencer de novo&#8221; na Am\u00e9rica Latina, principalmente na maior economia do continente. <\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da Renault no Brasil mostra que construir relev\u00e2ncia leva tempo, mas perd\u00ea-la pode ser r\u00e1pido. As mudan\u00e7as de portf\u00f3lio, a alian\u00e7a com a Geely e a dan\u00e7a das cadeiras de executivos mostram que a Renault entendeu que precisa se mexer e reconstruir sua identidade, aqui e l\u00e1 fora. <\/p>\n\n\n\n<p>O futuro dir\u00e1 se essa reconstru\u00e7\u00e3o vai se traduzir em carros que o consumidor realmente queira comprar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montadora francesa est\u00e1 ref\u00e9m das vendas diretas e h\u00e1 tempos n\u00e3o emplaca um sucesso de vendas ao consumidor final no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":707239,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"post-template-special.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[802,297],"autor-wsj":[],"coauthors":[102045],"class_list":["post-707236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios","tag-automoveis","tag-carros"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/707236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=707236"}],"version-history":[{"count":81,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/707236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":707910,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/707236\/revisions\/707910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/707239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=707236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=707236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=707236"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=707236"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=707236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}