{"id":734108,"date":"2025-11-12T18:35:31","date_gmt":"2025-11-12T21:35:31","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=734108"},"modified":"2025-11-12T19:20:10","modified_gmt":"2025-11-12T22:20:10","slug":"aco-china-importacao-carros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/aco-china-importacao-carros\/","title":{"rendered":"A outra face da invas\u00e3o do a\u00e7o chin\u00eas no Brasil: as importa\u00e7\u00f5es de autope\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Cartagena (COL)*<\/strong> \u2013 A <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/avanco-da-china-redesenha-o-mapa-da-industria-automotiva-no-brasil\/\">invas\u00e3o chinesa na ind\u00fastria automotiva<\/a> vai al\u00e9m dos <strong>carros el\u00e9tricos<\/strong> e dos impactos nas montadoras tradicionais. Por meio das carrocerias e autope\u00e7as vindas da \u00c1sia, a <strong>ind\u00fastria sider\u00fargica<\/strong> tem sofrido um efeito colateral: as importa\u00e7\u00f5es de a\u00e7o da China indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de janeiro a setembro, as <strong>exporta\u00e7\u00f5es indiretas de a\u00e7o da China<\/strong>, ou seja, aquelas em que o metal est\u00e1 presente em produtos industrializados, cresceram 43% na Am\u00e9rica Latina na compara\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2023, segundo dados da consultoria CRU. Quase um quarto desse volume chega ligado ao setor automotivo, que se tornou o principal vetor de expans\u00e3o industrial chinesa fora da \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<p>Executivos das principais montadoras instaladas na regi\u00e3o afirmam que a competi\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds asi\u00e1tico deixou de ser apenas comercial, citando vantagens como cr\u00e9dito subsidiado, excesso de capacidade e apoio estatal \u00e0 ind\u00fastria chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA China oferece cr\u00e9dito a [uma taxa de]  4% [ao ano] para suas ind\u00fastrias. Aqui, \u00e9 15%. Essa diferen\u00e7a explica tudo\u201d, afirmou <strong>Martin Galdeano<\/strong>, CEO da <strong>Ford<\/strong> na Am\u00e9rica do Sul, durante o congresso anual da <strong>Alacero<\/strong>, a associa\u00e7\u00e3o que representa as sider\u00fargicas instaladas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o setor automotivo, historicamente um dos pilares da industrializa\u00e7\u00e3o latino-americana, o cen\u00e1rio come\u00e7a a se parecer com o da siderurgia: produtos chineses mais baratos, com forte apoio estatal, substituindo a produ\u00e7\u00e3o local em todos os elos da cadeia \u2014 do a\u00e7o \u00e0s carrocerias.<\/p>\n\n\n\n<p>As montadoras estimam que 10% do mercado brasileiro j\u00e1 \u00e9 <em>made in China<\/em>. <strong>Alexander Seitz<\/strong>, chairman da <strong>Volkswagen<\/strong> para a Am\u00e9rica do Sul, prev\u00ea um crescimento ainda maior no Brasil: \u201cSe nada mudar, a China pode chegar a 25% do mercado brasileiro em poucos anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jorge Oliveira<\/strong>, CEO da <strong>ArcelorMittal Brasil<\/strong> e presidente da Alacero, usou o caso da nova f\u00e1brica da <strong>BYD<\/strong> em Cama\u00e7ari (BA) para ilustrar a mudan\u00e7a estrutural no com\u00e9rcio do a\u00e7o. \u201cEles trouxeram tudo da China \u2014 o projeto, o <a href=\"https:\/\/www.acobrasil.org.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a\u00e7o<\/a> para erguer os galp\u00f5es e at\u00e9 as equipes de montagem\u201d, disse. <\/p>\n\n\n\n<p>O empreendimento, que ocupa o antigo complexo da Ford, foi constru\u00eddo sem usar um quilo sequer de a\u00e7o brasileiro, um exemplo, segundo ele, de como o pa\u00eds \u201cimporta valor agregado\u201d ao abrir m\u00e3o de sua cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Industrializados<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o consultor <strong>John Lichtenstein<\/strong>, da <strong>World Steel Dynamics<\/strong>, a China passou a exportar cada vez mais a\u00e7o de forma indireta \u2014 embutido em produtos acabados, como autom\u00f3veis e autope\u00e7as, e n\u00e3o em chapas ou bobinas. No setor automotivo, essa fatia cresceu de 9% para 19% em uma d\u00e9cada e deve alcan\u00e7ar 25% nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, essa tend\u00eancia \u00e9 ainda mais evidente: quase metade do a\u00e7o indireto importado pela regi\u00e3o j\u00e1 tem origem chinesa, propor\u00e7\u00e3o que sobe para 65% sem o M\u00e9xico, onde as regras de origem s\u00e3o mais rigorosas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A segunda onda de el\u00e9tricos: as novas marcas chinesas no Brasil\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DDLxdj7mFSM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Esses n\u00fameros ajudam a explicar por que a press\u00e3o sobre a ind\u00fastria local cresceu mesmo com os pa\u00edses da regi\u00e3o erguendo barreiras comerciais. \u201cA China n\u00e3o est\u00e1 apenas vendendo a\u00e7o, mas exportando valor agregado\u201d, diz Lichtenstein. \u201cCada carro ou pe\u00e7a fabricada l\u00e1 carrega toneladas de a\u00e7o subsidiado, e isso distorce o com\u00e9rcio global.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura \u00e9 compartilhada por <strong>Jorge Guajardo<\/strong>, um ex-embaixador do M\u00e9xico na China e analista de pol\u00edtica comercial. Ele afirma que o pa\u00eds asi\u00e1tico transformou o excesso de capacidade industrial em instrumento de pol\u00edtica externa. \u201cA China usa o excedente como ferramenta de influ\u00eancia. Vende abaixo do custo at\u00e9 eliminar concorrentes e, depois, o mercado se torna dependente\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Guajardo, mesmo tarifas de 25% no Brasil ou 50% em outros pa\u00edses j\u00e1 se mostram insuficientes. \u201cO a\u00e7o chin\u00eas entra de forma indireta, disfar\u00e7ado de carro, pe\u00e7a ou equipamento. \u00c9 a segunda fase da mesma hist\u00f3ria\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desindustrializa\u00e7\u00e3o 2.0<\/h2>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da China sobre a cadeia automotiva marca o in\u00edcio de uma segunda fase da desindustrializa\u00e7\u00e3o latino-americana, <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/aco-chines-desindustrializacao-latam\/\">como o <strong>InvestNews<\/strong> j\u00e1 mostrou<\/a>. Se a primeira veio com as chapas e bobinas de a\u00e7o baratas, esta agora chega sobre quatro rodas.<\/p>\n\n\n\n<p>Executivos alertam que, sem uma rea\u00e7\u00e3o coordenada, a regi\u00e3o corre o risco de repetir o padr\u00e3o j\u00e1 consolidado na ind\u00fastria de base: exportar min\u00e9rio e importar produtos acabados, trocando complexidade produtiva por depend\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bruce Mac Master,<\/strong> presidente da <strong>ANDI<\/strong>, que representa a ind\u00fastria colombiana, diz que a Am\u00e9rica Latina \u201cn\u00e3o define rumos, apenas reage\u201d \u2014 um retrato de pa\u00edses que, segundo ele, seguem abrindo mercados sem uma pol\u00edtica industrial capaz de proteger suas cadeias produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as propostas discutidas por empres\u00e1rios e executivos do setor est\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos regionais de defesa comercial, a agiliza\u00e7\u00e3o dos processos antidumping e regras de origem mais rigorosas, para coibir a triangula\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as asi\u00e1ticas via pa\u00edses intermedi\u00e1rios. Como resumiu Mac Master: \u201cn\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica industrial poss\u00edvel sem coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>O jornalista viajou a convite da Alacero.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O metal que antes chegava em bobinas agora desembarca sobre rodas, elevando a press\u00e3o sobre montadoras e sider\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":606496,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"post-template-special.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[297,244],"autor-wsj":[],"coauthors":[102704],"class_list":["post-734108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios","tag-carros","tag-china"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/734108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=734108"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/734108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":734130,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/734108\/revisions\/734130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/606496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=734108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=734108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=734108"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=734108"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=734108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}