{"id":734995,"date":"2025-11-17T06:00:00","date_gmt":"2025-11-17T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=734995"},"modified":"2025-11-17T11:14:03","modified_gmt":"2025-11-17T14:14:03","slug":"trump-guerra-comercial-produtos-baratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/trump-guerra-comercial-produtos-baratos\/","title":{"rendered":"A guerra comercial de Trump vai romper o v\u00edcio dos EUA em produtos baratinhos?"},"content":{"rendered":"\n<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que crian\u00e7as americanas deveriam se contentar com duas bonecas em vez de 30. Mas o h\u00e1bito de consumo do pa\u00eds foi constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas de importa\u00e7\u00f5es abundantes da \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estava no ensino m\u00e9dio, nos anos 1950, Kay Washburn trabalhou 50 horas como bab\u00e1 para conseguir comprar o vestido dos seus sonhos, que custava US$ 25. Depois de ver o modelo verde-musgo, na altura do joelho, com um bolero combinando, na vitrine da loja JJ Newberry\u2019s, ela passou um m\u00eas e meio pagando em presta\u00e7\u00f5es e o usou por anos, at\u00e9 quase se desfazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, conforme os americanos deixaram de ser principalmente fabricantes de coisas e se tornaram compradores, o consumo de Washburn disparou. Ela n\u00e3o junta mais moedas para comprar roupas e acostumou-se a adquirir o que quer, quando quer. <\/p>\n\n\n<section class=\"recirculation-area\">\n    <div class=\"container\">\n                <p class=\"title\">Leia tamb\u00e9m: <\/p>\n     \n            <ul class=\"recirculation-list\" data-tracking-position=\"outros\">\n                            <li class=\"list-item\">\n                    <a \n                        href=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/cursor-startup-29-bilhoes\/\" \n                        title=\"A queridinha dos devs: Cursor atrai Google, Nvidia e chega a US$ 29 bilh\u00f5es em valor de mercado\" \n                        class=\"item-title recirculation-link\"\n                        data-btn-name=\"A queridinha dos devs: Cursor atrai Google, Nvidia e chega a US$ 29 bilh\u00f5es em valor de mercado\"\n                        data-posicao=\"outros\"\n                        data-click-url=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/cursor-startup-29-bilhoes\/\"\n                    >\n                        A queridinha dos devs: Cursor atrai Google, Nvidia e chega a US$ 29 bilh\u00f5es em valor de mercado                    <\/a>\n                <\/li>\n                            <li class=\"list-item\">\n                    <a \n                        href=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/na-guerra-fria-da-ia-a-china-esta-mais-perto-dos-eua-do-que-parece\/\" \n                        title=\"Na guerra fria da IA, a China est\u00e1 mais perto dos EUA do que parece\" \n                        class=\"item-title recirculation-link\"\n                        data-btn-name=\"Na guerra fria da IA, a China est\u00e1 mais perto dos EUA do que parece\"\n                        data-posicao=\"outros\"\n                        data-click-url=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/na-guerra-fria-da-ia-a-china-esta-mais-perto-dos-eua-do-que-parece\/\"\n                    >\n                        Na guerra fria da IA, a China est\u00e1 mais perto dos EUA do que parece                    <\/a>\n                <\/li>\n                    <\/ul>\n    <\/div><\/section>\n\n\n\n<p>Hoje com 89 anos, ela recentemente clicou em \u201ccomprar\u201d da pr\u00f3pria cama para adquirir uma cal\u00e7a capri leve por US$ 5,95 na Shein, a varejista chinesa de fast-fashion. O pre\u00e7o \u00e9 menor do que o que paga por um hamb\u00farguer com batatas no In-N-Out, sua rede de fast-food favorita. Ela planeja usar a cal\u00e7a s\u00f3 por uma ou duas temporadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte das roupas, utens\u00edlios dom\u00e9sticos, ferramentas e brinquedos comprados pelos americanos \u00e9 t\u00e3o barata que pode ser adquirida quase sem pensar. Isso alimentou um v\u00edcio em produtos baratos. N\u00e3o importa qu\u00e3o r\u00e1pido seja o frete: a sensa\u00e7\u00e3o que nossos cases personalizados e pijamas combinando provocam dura pouco. Muitos desses itens s\u00e3o jogados fora depois de poucos usos, e o ciclo recome\u00e7a. Com a aproxima\u00e7\u00e3o da Black Friday, a manifesta\u00e7\u00e3o mais vis\u00edvel da compuls\u00e3o americana por compras est\u00e1 chegando.<\/p>\n\n\n\n<p>As tarifas impostas pelo presidente Trump e sua vis\u00e3o de restaurar os EUA como pot\u00eancia manufatureira desafiam essa mentalidade do \u201ccompre agora, preocupe-se depois\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Tax Foundation, Trump elevou a tarifa efetiva m\u00e9dia sobre todos os bens importados de 2,5% em 2022 para 13% atualmente \u2014 o maior n\u00edvel desde 1941. <\/p>\n\n\n\n<p>No ver\u00e3o, o governo fechou uma brecha que permitia que alguns produtos baratos, como a capri de Washburn, entrassem no pa\u00eds sem tarifa. EUA e China chegaram a um acordo preliminar que reduz tarifas que chegaram a 135% na primavera, segundo o Peterson Institute for International Economics, mas ainda deixa muitos produtos chineses sujeitos a uma tarifa m\u00e9dia estimada em 48%.<\/p>\n\n\n\n<p>A Suprema Corte est\u00e1 avaliando se o governo Trump tem autoridade para impor muitas dessas novas tarifas.<\/p>\n\n\n\n<p>Respondendo a cr\u00edticas de que as tarifas tornam os produtos mais caros, Trump sugeriu que os americanos simplesmente deveriam comprar menos. \u201cTalvez as crian\u00e7as tenham duas bonecas em vez de 30\u201d, disse ele nesta primavera. Isso representaria uma mudan\u00e7a radical no rumo do pa\u00eds \u2014 embora nem todos se oponham a comprar menos coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu penso: \u2018Eu quero isso, vou comprar\u2019, e n\u00e3o: \u2018Isso vale 50 horas de bab\u00e1?\u2019\u201d, disse Washburn, aposentada e moradora de Rohnert Park, Calif\u00f3rnia. \u201cTem que existir um meio-termo.\u201d Ela diz que quer mudar seus h\u00e1bitos tanto pelo pa\u00eds \u2014 que acredita estar excessivamente dependente de produtos baratos importados \u2014 quanto por sua pr\u00f3pria sa\u00fade financeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Produtos mais caros<\/h2>\n\n\n\n<p>O valor de algumas categorias de produtos baratos exportados para os EUA por China e Vietn\u00e3, dois dos maiores fornecedores de itens de baixo custo, aumentou 36% entre 2015 e 2025, chegando a US$ 176 bilh\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Eles representam aproximadamente 61% dos artigos dom\u00e9sticos, 55% dos m\u00f3veis, 69% dos cal\u00e7ados e 50% das roupas e t\u00eaxteis comprados pelos americanos em 2024, segundo a consultoria AlixPartners. <\/p>\n\n\n\n<p>Essas participa\u00e7\u00f5es ca\u00edram levemente nos \u00faltimos anos com a expans\u00e3o da manufatura em outros pa\u00edses, mas o volume total de importa\u00e7\u00f5es aumentou e abrange uma gama muito maior de produtos. \u201cO consumo de produtos baratos explodiu\u201d, disse Nitin Jain, diretor-gerente de varejo da AlixPartners.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse consumo tamb\u00e9m \u00e9 o principal motor da economia americana. O gasto do consumidor respondeu por 68,2% do PIB dos EUA no segundo trimestre de 2025, segundo o Bureau of Economic Analysis \u2014 um pouco acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode haver um limite para os aumentos de pre\u00e7os que o consumidor americano est\u00e1 disposto a aceitar. As empresas sabem disso e dizem que, at\u00e9 agora, escolheram n\u00e3o repassar totalmente o impacto das tarifas. Mas poucos economistas acreditam que isso v\u00e1 durar. <\/p>\n\n\n\n<p>A infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7a a subir, e os eleitores voltaram a se irritar com o custo de vida, elegendo recentemente democratas que fizeram da acessibilidade seu principal foco na Virg\u00ednia, em Nova Jersey e em Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, psic\u00f3logos e especialistas em comportamento do consumidor afirmam que ser\u00e1 preciso um longo per\u00edodo de pre\u00e7os mais altos e menor disponibilidade, al\u00e9m de uma mudan\u00e7a geral na mentalidade coletiva, para que os h\u00e1bitos de compra mudem de forma duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO fato de ser gostoso comprar coisas n\u00e3o vai desaparecer\u201d, disse Stephanie Preston, professora de psicologia da Universidade de Michigan que pesquisa consumismo. \u201cAs pessoas ainda t\u00eam a expectativa de poder comprar essas coisas. Elas s\u00f3 v\u00e3o ficar cada vez mais irritadas com o pre\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recompensa imediata<\/h2>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro humano \u00e9 programado para recompensar prazer imediato em vez de metas de longo prazo, diz Preston. Cada vez que compramos algo que achamos que vai tornar nossa vida um pouco mais simples, prazerosa ou estilosa, sentimos uma descarga de dopamina. \u201c\u00c9 um prazer imediato que faz voc\u00ea esquecer o que quer que estivesse preocupando voc\u00ea\u201d, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 a rapidez com que esses sentimentos positivos desaparecem \u2014 e como ficou f\u00e1cil obter outra dose com um \u00fanico clique. Parar exige ignorar esse impulso e ir contra uma sociedade que historicamente refor\u00e7ou, em vez de condenar, a acumula\u00e7\u00e3o constante de itens, afirma Preston.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve alguma rea\u00e7\u00e3o, especialmente entre jovens, ao impacto ambiental da fast-fashion e do consumo excessivo, mas os gastos do consumidor continuam crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Consumidores ao redor do mundo devem comprar cerca de 40% mais pe\u00e7as de roupa em 2025, em m\u00e9dia, do que em 2005, segundo a McKinsey. Nos EUA, esse aumento provavelmente \u00e9 bem maior. As pessoas agora vestem uma pe\u00e7a apenas sete vezes, em m\u00e9dia, antes de do\u00e1-la ou jog\u00e1-la fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2019 e 2024, o n\u00famero m\u00e9dio anual de compras de artigos para casa e jardim feito por fam\u00edlias americanas aumentou 16%, de 95 para 110 por domic\u00edlio. <\/p>\n\n\n\n<p>As compras de brinquedos \u2014 majoritariamente importados da China \u2014 subiram 15%, de 33 para 38. Roupas femininas, tamb\u00e9m amplamente importadas da China e de outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, cresceram 27%, de 15 para 19 pe\u00e7as por domic\u00edlio, segundo a AlixPartners.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pandemia<\/h2>\n\n\n\n<p>O amor do pa\u00eds por produtos baratos se transformou em v\u00edcio completo durante a pandemia, quando os americanos ficaram presos em casa enquanto a tecnologia avan\u00e7ava e tornava as compras online mais f\u00e1ceis que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>Kanwal Haq foi uma dessas pessoas que intensificou seu consumo digital, comprando pijamas, itens de decora\u00e7\u00e3o, materiais de artesanato e jogos. E, como muitos outros, n\u00e3o parou quando a quarentena terminou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, ela fez 144 pedidos na Amazon \u2014 de um suporte fr\u00e1gil para toalhas a um pacote multicor com oito pulseiras para <a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/negocios\/historia-da-apple\/\">Apple<\/a> Watch que precisou cortar para caber no pulso. Ela comprou m\u00e1scaras faciais hidratantes recomendadas por influenciadores no TikTok (que a fizeram ter alergia). E pediu uma d\u00fazia de roupas de viagem mal ajustadas da Shein.<\/p>\n\n\n\n<p>O h\u00e1bito come\u00e7ou at\u00e9 a prejudicar seu casamento. \u201cEu percebi que algo tinha que mudar quando comecei a tentar chegar antes do meu marido na sala de correspond\u00eancia para esconder o que tinha comprado\u201d, disse Haq, diretora de uma ONG de sa\u00fade feminina em Troy, Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de imigrantes da classe trabalhadora, Haq se deixou levar por como cada compra individual parecia barata. Mas depois de fazer uma resolu\u00e7\u00e3o de Ano-Novo para registrar cada gasto no cart\u00e3o, percebeu que uma parcela significativa de sua renda estava indo para \u201ctralhas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela cancelou e-mails de marketing das marcas favoritas, encerrou a assinatura da Amazon e est\u00e1 tentando comprar apenas o que precisa \u2014 priorizando neg\u00f3cios pequenos e liderados por mulheres. Ainda escorrega \u00e0s vezes. Mas quando o marido perguntou, h\u00e1 alguns meses, quantos dos pacotes abarrotando a sala de entregas eram dela, ela se orgulhou de responder, honestamente: \u201cnenhum\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo se tornou fundamental para a economia americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando ind\u00fastrias voltadas ao esfor\u00e7o de guerra passaram a produzir bens de consumo e precisaram criar mercados para eles. <\/p>\n\n\n\n<p>An\u00fancios da \u00e9poca diziam aos americanos que comprar carros e m\u00e1quinas de lavar n\u00e3o apenas atenderia seus desejos e necessidades, mas tamb\u00e9m \u2014 ap\u00f3s a Grande Depress\u00e3o \u2014 ajudaria a impulsionar uma economia pr\u00f3spera no p\u00f3s-guerra, explicou Lizabeth Cohen, historiadora de Harvard e autora de A Consumers\u2019 Republic: The Politics of Mass Consumption in Postwar America.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma reportagem de duas p\u00e1ginas da revista Life em 1947 incentivava fam\u00edlias a \u201ccomprar mais para si mesmas para melhorar a vida dos outros\u201d. Argumentos semelhantes foram retomados ap\u00f3s os atentados de 11 de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1970, fabricantes passaram a transferir produ\u00e7\u00e3o para pa\u00edses com m\u00e3o de obra barata e n\u00e3o sindicalizada, em busca de maiores margens, disse Cohen. Nos anos 1990, a China despontou como l\u00edder em produ\u00e7\u00e3o de baixo custo, com varejistas como Zara e Forever 21 dependendo amplamente de fabricantes chineses. Isso marcou o in\u00edcio de uma mudan\u00e7a cultural ampla em dire\u00e7\u00e3o a ciclos mais curtos de moda e decora\u00e7\u00e3o \u2014 e a jogar coisas fora em vez de consert\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Chip Colwell, antrop\u00f3logo e autor de So Much Stuff, uma hist\u00f3ria do consumismo, acredita que tarifas far\u00e3o as pessoas comprarem menos no curto prazo. \u201cMas assim que puderem comprar mais, v\u00e3o comprar.\u201d As interrup\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias na cadeia de suprimentos durante a pandemia, explicou ele, n\u00e3o diminu\u00edram a demanda de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Alterar nossos h\u00e1bitos de compra de forma permanente exigiria \u201cuma mudan\u00e7a muito fundamental na nossa rela\u00e7\u00e3o com os objetos\u201d, afirma Colwell. \u201cO valor que eles trazem, a forma como \u00e0s vezes prejudicam o meio ambiente e at\u00e9 a n\u00f3s mesmos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mudan\u00e7a real, acredita ele, exigiria um longo per\u00edodo de dificuldade econ\u00f4mica semelhante \u00e0 Grande Depress\u00e3o. Mas mesmo nesse cen\u00e1rio, pessoas que n\u00e3o podem comprar casa, trocar de carro ou fazer f\u00e9rias podem continuar comprando produtos baratos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe as pessoas v\u00e3o continuar comprando tanta coisa, \u00e9 muito dif\u00edcil prever\u201d, disse Devashish Mitra, professor de economia da Universidade de Syracuse. \u201cProdutos chineses ainda podem continuar relativamente mais baratos do que as alternativas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As tarifas podem oferecer aos americanos a chance de criar novos padr\u00f5es de consumo. As pessoas podem descobrir que preferem comprar de segunda m\u00e3o ou de artes\u00e3os locais se forem obrigadas a isso \u2014 especialmente se os produtos durarem mais e tiverem melhor qualidade do que aqueles vindos do exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodos esses itens est\u00e3o se tornando mais acess\u00edveis por causa do pre\u00e7o mais baixo, mas a qualidade \u00e9 inferior, ent\u00e3o precisam ser substitu\u00eddos com mais frequ\u00eancia\u201d, disse Kimberly Reuter, CEO da consultoria de cadeia de suprimentos CSG Consulting. \u201cNos tornamos viciados no ciclo de comprar algo novo, us\u00e1-lo at\u00e9 o fim da sua vida \u00fatil sem manuten\u00e7\u00e3o, descart\u00e1-lo e comprar outro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns cantos da internet, comprar menos \u2014 ou \u201csubconsumo\u201d \u2014 j\u00e1 come\u00e7a a ganhar for\u00e7a. Defensores citam benef\u00edcios ambientais, financeiros e psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Rohnert Park, Calif\u00f3rnia, Kay Washburn assinou um aplicativo de medita\u00e7\u00e3o que abre toda vez que sente vontade de entrar no Temu para fazer compras. \u201cEstou tentando me treinar para esquecer essa op\u00e7\u00e3o e ajudar a nos levar de volta para onde precisamos estar como pa\u00eds\u201d, disse Washburn. \u201cMas \u00e9 uma aula de disciplina, pode acreditar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As tarifas fizeram a influenciadora Ava Vancour, caloura universit\u00e1ria, repensar o conte\u00fado que produz. \u201cAbrir pacotes \u00e9 literalmente a melhor sensa\u00e7\u00e3o do mundo\u201d, disse ela \u2014 e era o que a tornava conhecida. Sua compra de volta \u00e0s aulas no \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio teve 6,8 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, enquanto seguidores buscavam inspira\u00e7\u00e3o para seus pr\u00f3prios guarda-roupas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, por\u00e9m, seus v\u00eddeos de compras para o dormit\u00f3rio e roupas receberam menos de 100 mil visualiza\u00e7\u00f5es. Ela suspeita que isso se deve ao fato de as pessoas hesitarem em comprar itens que, apesar de ainda baratos, come\u00e7aram a subir de pre\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, ela est\u00e1 mudando o foco para v\u00eddeos de rotina, mostrando como se arruma para o dia com roupas que j\u00e1 tem. Tamb\u00e9m vem participando do Project Pan, que exige terminar um produto de maquiagem \u2014 \u201catingir o fundo\u201d \u2014 antes de comprar outro. \u201cEu n\u00e3o preciso comprar um milh\u00e3o de coisas\u201d, disse Vancour. \u201cSe n\u00e3o \u00e9 algo com que meus seguidores se identificam.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00e9cadas de importa\u00e7\u00f5es baratas da \u00c1sia moldaram o h\u00e1bito de consumo dos americanos que impulsionados por pre\u00e7os baixos e conveni\u00eancia online<\/p>\n","protected":false},"author":118,"featured_media":582771,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[103073],"tags":[75,79,78],"autor-wsj":[103042],"coauthors":[102488],"class_list":["post-734995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-the-wall-street-journal","tag-consumo","tag-donald-trump","tag-estados-unidos","autor-wsj-rachel-wolfe"],"acf":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/734995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/users\/118"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/comments?post=734995"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/734995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":735251,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/posts\/734995\/revisions\/735251"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media\/582771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/media?parent=734995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/categories?post=734995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/tags?post=734995"},{"taxonomy":"autor-wsj","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/autor-wsj?post=734995"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/investnews.com.br\/inv-api\/wp\/v2\/coauthors?post=734995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}